Académica OAF 1-0 SL Benfica B: Ainda há esperança para os estudantes

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A CRÓNICA: O SONHO CONTINUA

Sem margem de erro para ainda poder sonhar com a subida, a Académica OAF recebia o Benfica B no Estádio Cidade de Coimbra. As sensações de ambos os conjuntos não poderiam ser mais distintas. Se os estudantes subiam ao relvado pressionados pela exigência das suas aspirações, os encarnados transpiravam a tranquilidade de quem já cumpriu os seus objetivos e, por isso, jogavam de forma descomprometida.

O início da partida mostrou duas equipas mais preocupadas em desenvolver o processo ofensivo do que com cautelas defensivas. Deste modo, de parte a parte, assistiram-se a jogadas de qualidade, com a bola a circular criteriosamente por vários jogadores, embora, por vezes, se tenham verificado algumas precipitações.

Apesar do bom futebol praticado, escassearam oportunidades flagrantes. As melhores situações aconteceram nos últimos cinco minutos do primeiro tempo. Neste período, uma Briosa a todo o gás conseguiu criar os melhores lances de perigo. Primeiro, Bouldini, desmarcado por Traquina, rematou de primeira ligeiramente ao lado. Depois, foi o próprio Traquina a ter nos pés a chance de colocar a Académica na frente, mas não foi capaz de dar o melhor seguimento ao passe de Mimito.

No início da segunda parte, foi a vez de Mayambela agitar as águas para os estudantes. Alguma falta de discernimento impediu o extremo da Académica de, isolado, fazer abanar as redes. O Benfica B não perdeu tempo para responder e Filipe Cruz, na jogada seguinte, rematou cruzado ao poste.

Aos 62 minutos, Bruno Teles, através da conversão de uma grande penalidade, encarregou-se de fazer o 1-0. Na origem do lance esteve uma falta caricata de Kalaica sobre Bouldini. Este golo vinha materializar o maior domínio que a Académica apresentou neste período.

A vitória caiu para a equipa que, mesmo não tendo uma supremacia evidente, mais ocasiões criou para chegar ao golo. Com este triunfo, a Académica, com menos um jogo que a restante concorrência, cola-se ao Feirense e não larga a luta pelos lugares cimeiros.

 

A FIGURA


Bruno Teles – o lateral-esquerdo da turma de Rui Borges apontou, de grande penalidade, o tento vitorioso e contribuiu para a dinâmica ofensiva da equipa, auxiliando a construção academista. Defensivamente, não comprometeu e mostrou sempre solidez no posicionamento e no um para um com os extremos adversários.

 O FORA DE JOGO

Ineficácia da Académica – a Briosa podia ter vencido com tranquilidade, mas acabou por sofrer para vencer por culpa própria. As diversas ocasiões flagrantes desperdiçadas pelos academistas – em particular a de Traquina e a de Mayambela – poderiam ter atribuído ao marcador uma dilatação que seria condizente com o domínio dos visitados. Com tanto e tão claro desperdício, a Académica venceu, mas acabou com “o coração na boca”.

  

ANÁLISE TÁTICA – ACADÉMICA OAF

A turma academista apresentou-se, no seu momento defensivo, com um bloco médio e com um 4-2-3-1 que se moldava num 4-4-2 com a subida na pressão de Guima, que deixava de ser o homem por trás do avançado para se tornar seu companheiro na primeira fase de pressão.

Assim, enquanto Bouldini mantinha uma posição mais fixa no acompanhamento da movimentação da bola entre o guarda-redes e os centrais adversários, Guima assumia maior mobilidade, ora fechando a linha de passe para Diogo Mendes – médio mais recuado do SL Benfica B -, ora caindo sobre o central com bola, sobretudo quando este tinha que tocar o esférico com o pé não dominante (no caso de Morato, o direito; no caso de Kalaica, o pé canhoto).

Os homens de Rui Borges procuravam simultaneamente não deixar qualquer espaço nas costas da linha mais recuada do seu bloco, tentando evitar as investidas em profundidade de Samuel Pedro e/ou Tiago Gouveia, sendo ainda competência dos centrais da Briosa acompanharem os movimentos de apoio frontal de Henrique Araújo.

Na hora de partir para o ataque, a construção da turma da casa fazia-se pelos centrais e pelo lateral-esquerdo, Bruno Teles, com Diogo Pereira a dar o primeiro apoio frontal, relegando Mimito e Guima para posições mais avançadas. Mayambela caía sobre a esquerda e Trauqina pela direita, com Bouldini mais estanque no ataque à espera de ser lançado em profundidade ou esperando bolas aéreas oriundas dos alas.

Por vezes, Bouldini recuava em movimento vertical para permitir a diagonal de Mayambela ou de Traquina, sendo então os alas a receberem a bola nas costas da defensiva encarnada.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Mika (5)

Fabiano (5)

Rafael Vieira (7)

Zé Castro (5)

Bruno Teles (7)

Guima (6)

Diogo Pereira (5)

Mimito (6)

Traquina (6)

Mayambela (5)

Bouldini (5)

SUBS UTILIZADOS

Silvério (5)

Sanca (-)

Filipe Chaby (-)

Dani Costa (-)

 ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

As jovens águias dispuseram-se no terreno de jogo no seu habitual 4-3-3, que não desmancharam em momento algum, quer no defensivo, quer no ofensivo. No meio-campo a três, Diogo Mendes era o elemento mais recuado, com Martim Neto e David Tavares em posições mais adiantadas, o primeiro descaído para a direita e o segundo para a esquerda.

Nas ofensivas encarnadas, Tavares assumia o transporte do esférico, enquanto Neto procurava mais a construção na antecâmara do último terço ofensivo. Tiago Gouveia, pela esquerda, e Samuel Pedro, pela direita, aproveitavam os movimentos de recuo para apoio frontal de Araújo para investirem verticalmente na procura da profundidade. Quando com bola, quer o extremo-direito, quer o extremo-esquerdo das águias visavam movimentos de fora para dentro em busca do remate.

Quando os alarmes defensivos ressoavam pelo Calhabé, as águias B aprontavam-se a pressionar a Briosa logo no primeiro terço dos academistas, com a linha mais recuada a subir até bem perto da linha divisória do relvado retangular do Cidade de Coimbra. A disposição das peças mantinha-se, com o meio campo a três em que Diogo Mendes ligava a linha de quatro aos dois médios mais adiantados e com o tridente da frente inalterado.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Svilar (5)

Filipe Cruz (5)

Kalaica (7)

Morato (5)

Frimpong (5)

Diogo Mendes (6)

David Tavares (6)

Martim Neto (5)

Samuel Pedro (5)

Tiago Gouveia (6)

Henrique Araújo (6)

SUBS UTILIZADOS

Tomás Araújo (5)

Úmaro Embaló (5)

Rafael Brito (5)

Vukotic (-)

Luís Lopes (-)

 

CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

ACADÉMICA/OAF

Bola na Rede:  Apresentou um jogador com características diferentes na posição 10. O que pretendeu com essa alteração?

Rui Borges: O Guima dá-nos coisas que não dá o Chaby. O Chaby é um jogador refinado, vê coisas que os outros não veem, mas dado o que tínhamos visto do Benfica B, o Guima dava-nos o que pretendíamos. O Benfica alterou em relação ao jogo anterior, mas o Rafael Brito é um jogador muito dinâmico a procurar as costas dos dois homens mais avançados e ele podia cobrir essa zona. Também identificámos que o Benfica tinha algumas dificuldades em controlar a profundidade e ele dava-nos isso. Correu quilómetros. Até me disse “descobriste-me”.

SL BENFICA B

Bola na Rede: Na primeira parte, o Benfica até apresentou algum domínio. Na segunda parte, não conseguiu manter essa toada. O que faltou?

Nélson Veríssimo: Obviamente, houve muitos momentos em que tendo bola, e fruto da crença, podíamos ter encontrado outro resultado. Jogarmos mais com o coração penalizou-nos na nossa organização. Também não nos podemos esquecer com quem viemos jogar. Há que dar mérito às dificuldades que a Académica nos criou. Foi mais um jogo naquilo que é o nosso processo de crescimento enquanto equipa.

Francisco Grácio Martins
Francisco Grácio Martinshttp://www.bolanarede.pt
Em criança, recreava-se com a bola nos pés. Hoje, escreve sobre quem realmente faz magia com ela. Detém um incessante gosto por ouvir os protagonistas e uma grande curiosidade pelas histórias que contam. É licenciado em Jornalismo e Comunicação pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e frequenta o Mestrado em Jornalismo da Escola Superior de Comunicação Social.

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