A importância das pequenas coisas

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Todos sabemos que a vida não é apenas feita de grandes acontecimentos. Se fosse, a nossa curta passagem pela Terra não seria mais do que um vazio contínuo, intercalado por uns quantos momentos tão distantes entre si como a primeira namorada, o primeiro emprego, o casamento ou o nascimento dos filhos. Felizmente existem também pequenas coisas – um abraço de um amigo que não vemos há muito, um beijo da nossa mãe, um sorriso de alguém que não conhecemos no metro, um momento de cumplicidade com a pessoa de quem gostamos – que não marcam a nossa vida mas ajudam a colorir o nosso dia-a-dia. Todos passamos por isso. Mesmo as personalidades históricas mais conhecidas e admiradas coleccionaram, em vida, várias destas “insignificâncias” que não ficam para a posteridade nem constam das suas biografias, perdendo-se para sempre com o avançar do tempo.

Com o Sporting passa-se o mesmo. Com duas grandes diferenças: no que diz respeito ao nosso clube, as pequenas coisas tendem a ser negativas e a ter grandes consequências. Vem isto a propósito do momento menos positivo que a equipa atravessa, depois de quatro ou cinco meses em que excedeu todas as expectativas. Contra o Estoril, o Sporting, também por mérito do adversário, mostrou dificuldades em pôr a bola no chão e em criar lances de golo. Aliás, a competência canarinha e a inoperância sportinguista tornaram praticamente desnecessário que Pedro Proença tivesse de se assumir como o centro das atenções. Porém, ainda assim, o juiz lisboeta fez questão de, pelo sim pelo não, enervar os jogadores do Sporting como forma de comprometer à partida quaisquer pretensões de ganhar o jogo que a equipa pudesse ter.

A arbitragem de Proença esteve repleta das tais pequenas coisas de que falava: as sucessivas “faltinhas” a meio-campo que quebravam o ritmo de jogo, as diferenças na amostragem de cartões, o excesso de zelo quando, no último esforço do Sporting, atrasou a marcação de um livre para mandar o jogador avançar a bola um ou dois centímetros, o modo como não compensou as perdas de tempo do Estoril nos dois períodos de descontos, etc. Como não são lances capitais, muitas destas coisas passam ao lado da análise ao jogo feita nos media. Pode, portanto, dizer-se que Pedro Proença fez uma arbitragem mais inteligente e ardilosa do que a de Manuel Mota no Sporting-Nacional. Talvez seja por isso que um apita finais da Champions e o outro não passa dos Olhanenses-Aroucas. Mas, ao fim e ao cabo, ambos tiveram o mesmo objectivo na mente: tirar o Sporting do primeiro lugar.

O Sporting continua dentro do seu objectivo, mas vai ter de jogar mais se quer dar continuidade à boa temporada que tem vindo a fazer. A equipa não soube desmontar a estratégia do Estoril, e até acho que no lance polémico sobre o Montero se pode aceitar a decisão do árbitro. Mas em que planeta é que esse lance é legal e a jogada do golo do Slimani com o Nacional já não é? Talvez só mesmo no planeta Terra, onde o Sporting é sistematicamente prejudicado. Ainda se podia alegar que são árbitros diferentes, o que é verdade. O que nunca é diferente é o lado para que esses árbitros puxam. E, apenas para citar um exemplo, o mesmo Pedro Proença que no sábado não apitou penalti naquela jogada não teve dúvidas em inventar, à 6ª jornada, um castigo máximo a favor do Porto contra o Guimarães, numa altura em que havia 0-0.

Ao cabo de tantos jogos, os donos do futebol português conseguiram finalmente o que queriam: o Sporting já não é primeiro. E quase tão mau como ver a nossa equipa ser prejudicada é vermo-nos rotulados como “chorões” ou “calimeros” por falarmos com insistência dos árbitros. Ainda que tudo isso tenha apenas a importância que lhe dermos, fica a pergunta: que culpa têm os Sportinguistas de se verem obrigados a falar das arbitragens, num país em que até já ficou provado que as nossas desconfianças têm toda a razão de ser?

Convencionou-se recentemente que Pedro Proença é, nos dias que correm, o “melhor árbitro do mundo”. Pessoalmente, assim como não sei o que é uma “boa gripe” ou uma “boa unha encravada”, também não conheço o conceito de “bom árbitro”. Não em Portugal, pelo menos. Irei sempre olhar para todos eles como gente que agiu em bando, sem pudores e ao longo de décadas contra o meu clube. Não sou eu que o digo, é a realidade que o comprova. E, por falar no “melhor árbitro do mundo”, aqui fica uma amostra dos procedimentos que o ajudaram a atingir esse estatuto. As provas existem mas, pouco a pouco, vão desaparecendo da memória colectiva. É o tal problema das pequenas coisas… Neste caso, porém, as consequências continuam a poder ser testemunhadas semanalmente. E o Sporting sente-as na pele, há pelo menos 30 anos.

João V. Sousa
João V. Sousahttp://www.bolanarede.pt
O João Sousa anseia pelo dia em que os sportinguistas materializem o orgulho que têm no ecletismo do clube numa afluência massiva às modalidades. Porque, segundo ele, elas são uma parte importantíssima da identidade do clube. Deseja ardentemente a construção de um pavilhão e defende a aposta nos futebolistas da casa, enquadrados por 2 ou 3 jogadores de nível internacional que permitam lutar por títulos. Bate-se por um Sporting sério, organizado e vencedor.                                                                                                                                                 O João não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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