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A miopia é a doença que fica do campeonato dos contratos televisivos

José Duarte · 3 min

A miopia é a doença que fica do campeonato dos contratos televisivos

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a norte de alvalade

Depois do SL Benfica é agora o FC Porto a anunciar um novo contrato de concessão de direitos televisivos, desta feita com a MEO. Os números são igualmente elevados, na linha do contrato efectuado entre encarnados e a NOS.

As comparações serão inevitáveis porque a rivalidade assim o impõe. Contudo, uma vez que os dois clubes não negociaram exactamente os mesmos “produtos” e não se encontravam na mesma posição (o FC Porto, tal como o Sporting CP, ainda tem um contrato antigo a vigorar por mais duas temporadas), o resultado do confronto de valores torna-se mais difícil de percepcionar.

Quanto ao Sporting, vai-se dizendo nos “mentideros” que há negociações em curso. Falta saber se estar neste momento em último traduz uma vantagem negocial ou um prejuízo. Qualquer das possibilidades é real. Mas, mais importante do que as especulações sobre os números, parece-me evidente que:

– Ao ficar para último no que aos três grandes diz respeito o clube fica pressionado a igualar os números dos seus rivais;

– Ao não ser o primeiro a fechar contrato o risco de fazer o contrato abaixo dos valores conseguidos pelos rivais saiu diminuído. Valerão agora os argumentos que conseguir colocar na mesa das negociações;

– Os valores a conseguir funcionarão inevitavelmente como uma importante medida de aferição da posição do Sporting no mercado assim como da capacidade negocial dos seus dirigentes;

– Há um risco de as condições em que os rivais negociaram se alterarem de forma parcial ou até substancial. A esta distância do final do contrato ainda em vigor, e com a volatilidade do meio e da própria economia, não se consegue estimar o que será de facto mais vantajoso. Só o tempo o poderá esclarecer.

Dentro do âmbito do último item assinalado, parece-me que o FC Porto poderá estar a correr um risco maior ao negociar no imediato, sendo contudo certo que o novo contrato lhe permite aceder a uma receita importante, resolvendo também um problema que se arrastava: a falta de uma receita importante como a que é a publicidade nas camisolas. O que se diz aqui sobre o FC Porto aplica-se igualmente a nós, uma vez que nos encontramos numa situação semelhante.

Fica por saber que consequências trazem estes contratos para o futebol português. É fácil perceber no imediato que se acentuará o fosso já existente entre os três grandes e os demais. Embora aqueles se possam dar por satisfeitos e continuar de vistas curtas apenas a olhar para os respectivos umbigos, é claro que esta macrocefalia é, a prazo, tendente a reduzir a competitividade do nosso campeonato.

Com menos meios, só por cinismo se poderá exigir aos demais clubes que nos confrontos com os grandes procurem jogar o jogo pelo jogo, sendo mais do que expectável e provavelmente compreensível que apenas se preocupem em ter autocarros mais sólidos. Falta saber se um campeonato de reduzida competitividade pode oferecer aos três grandes a possibilidade de crescer e evoluir. Parece-me haver aqui alguma miopia por parte dos dirigentes dos clubes e um rotundo e sonoro falhanço do papel da Liga de Clubes que põe em causa a sua própria utilidade.

E nós, os adeptos, eternos pagantes, que temos a ganhar com aquela que parece ser uma consequência inevitável da dispersão de jogos por diversos operadores? Muito pouco, ou até mesmo um grande nada que, ao fim e ao cabo, pode representar ter que pagar ainda mais para ver ainda menos. Isto porque é muito provável que a concorrência traga a sobreposição de jogos à mesma hora, como já se viu este ano com aparecimento das transmissões directas da BTV.

José Duarte

Redação Bola na Rede · ver artigos

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