A (Pouca) Arte do Guerra

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Este texto vai um pouco contra algumas das minhas ideias do que deveria ser o Futebol e tudo o que gira à sua volta. Em um ano de crónicas, tentei sempre que os meus textos fossem o mais Sporting possível, ou seja, sem nunca me envolver em questões relacionadas com outros clubes, ou até mesmo em quezílias com adeptos de equipas rivais. Mas está na hora de errar um pouco, esperando desde já que não tenha muitas hipóteses para o repetir.

De meados de Agosto para cá, tenho semanalmente assistido num programa de televisão num canal por cabo a uma verborreia intensa, estúpida e inconsciente por parte dum adepto benfiquense – permitam-me o benfiquense, mas não consigo colocar esta criatura acéfala a par de alguns benfiquistas que conheço e pelos quais tenho o maior respeito – de seu nome Pedro Guerra. Esta personagem, provavelmente saída da peça “À espera de Godot” ou de um sketch dos Monty Python, tem vindo a dar um ar sujo e extremamente hediondo do que deve ser um comentador duma instituição centenária como o Benfica, mas pior ainda estragando um programa que até tinha algum interesse.

São vários os episódios deste senhor que espelham a sua classe; uma simples pesquisa num motor de busca dão para alguns minutos de comédia e vergonha alheia. Fica marcada na memória o momento em que ele usa o seu segundo nome – Fernando Santos – para ligar para a Benfica TV “anonimamente” vangloriando o trabalho de Luís Filipe Vieira; convem referir que Pedro Guerra era comentador assíduo do canal encarnado, o que torna esta situação hilariante. Seguiu-se a CM TV, onde impôs o seu estilo próprio “grita mais do que todos para seres ouvido”; arranjou atritos com quase todos os colegas de painel, inclusivamente Octávio Machado, que recentemente elogiou de forma “coerente”.

Eis quando este senhor é convidado para substituir Fernando Seara no programa “Prolongamento”, juntando-se a Eduardo Barroso e Manuel Serrão, sem dúvida que ingredientes suficientes para o sucesso – leia-se audiências – do programa. E foi a partir deste momento que a postura e a espinha moral deste senhor me chamaram a atenção.

Os limites de paciência de Eduardo Barroso têm vindo a ser semanalmente testados Fonte: RTP
Os limites de paciência de Eduardo Barroso têm vindo a ser semanalmente testados
Fonte: RTP

Logo a partir do primeiro episódio, Pedro Guerra assume uma postura atacante para com Bruno de Carvalho e Jorge Jesus, alguém que segundo Guerra foi um problema do Benfica durante seis anos, apontando defeitos e criticando o Sporting, para depois afirmar que só se preocupa com o seu clube.

Nas semanas seguintes, tem tido mais alguns momentos preciosos, como o ter recorrido a uma imagem parada em detrimento de um vídeo disponibilizado pelo canal de televisão para justificar uma suposta grande penalidade no jogo frente ao Arouca, algo que até mereceu uma frase jocosa por parte de Sousa Martins, o apresentador do programa. Também já criticou a expulsão de Jesus frente à Académica, dizendo que na Luz aquele tipo de comportamento não seria aceite, esquecendo-se o pobre Pedro daquela vez em que elogiou o antigo treinador do seu clube por “defender” os adeptos em Guimarães. Convem também referir que até os seus colegas de estúdio já optam por ignorar a pessoa, uma vez que para estes casos de demência pouco ou nada já poderá ser feito.

Por fim, Pedro Guerra afirma que tem em seu poder um suposto contrato oferecido pelo Sporting ao avançado Mitroglu, algo que o Sporting já fez questão de esclarecer que não será verdade porque esse contrato nunca existiu, será que é mais uma das ilusões de Guerra, ou é mais uma das suas provas de coerência e honestidade?

Tudo isto apenas serve para mostrar a parca qualidade que este senhor tem, assim como a incapacidade para defender o Benfica e os seus verdadeiros adeptos. Creio que a grande maioria dos benfiquistas não se revê, nem pode rever, numa pessoa tão mesquinha e de pobre espírito como Pedro Fernando Santos Guerra; tal como por exemplo não me revejo em Rui Oliveira e Costa, comentador de outro programa sobre Futebol.

Voltando aos meus princípios sobre o que deveria ser o futebol português, apetecia-me dizer: “volta Seara que estás perdoado”; sabendo de antemão que dificilmente irá acontecer, porque acredito que as audiências da TVI tenham subindo com a presença de tamanha figura no seu elenco. Como Sportinguista, acho ridícula a sua postura e a maneira como representa um clube rival; com tanto benfiquista capaz em “seis milhões”, de certo que não precisariam de um benfiquense.

A Pedro Guerra, um pedido: quando encontrar o contrato do Mitroglu, traga também as SMS do Jesus, se não for muito incómodo. Obrigado.

Foto de Capa: Facebook do Sporting Clube de Portugal

Vítor Miguel Gonçalves
Vítor Miguel Gonçalveshttp://www.bolanarede.pt
Para Vítor, os domingos da sua infância eram passados no velhinho Alvalade, com jogos das camadas jovens de manhã, modalidades na nave e futebol sénior ao final da tarde.

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