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À procura da metamorfose emocional

Fernando Costa · 2 min

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Final de uma tarde de verão. Quarenta mil pessoas na bancada. Crianças, mulheres e centenas de famílias reunidas num só espaço, para ver a equipa a jogar. O Sporting regressa à sua casa, e não faltam expetativas a uma equipa que faz o seu all-in no plano desportivo, apostando em reforços de qualidade garantida (até ver), numa política de contratações substancialmente diferente em relação aos últimos anos.

Ainda para mais, o Sporting apresenta-se a um bom nível e vence o Mónaco, campeão francês, semi-finalista da última edição da Liga dos Campeões, e consequentemente, a maior sensação europeia da última época. Desde os passes teleguiados do “reforço-mor” Bruno Fernandes, desde a calma de William Carvalho e Coates, passando pelos sprints estonteantes de Gelson Martins e terminando no “Siíii” que se ouve nas bancadas após cada intervenção de Rui Patrício, esperança era o sentimento reinante que se sentia no final da partida.”Será desta que vamos ser campeões, Pai?”, ouvia-se na escadaria de acesso à saída de Alvalade, perante a hesitação do pai, que receia os anos que serão precisos para finalmente levar o filho ao Marquês.

No entanto, há quatro dias, o sentimento era o inverso. O Sporting vinha de três derrotas seguidas na Suíça, e por entre as leituras de Geraldes e as polémicas de Otávio Machado, Bruno de Carvalho já tinha dito que era “preciso fazer mais”. Os alarmes soavam alto, e os adeptos já vaticinavam mais um desastre na busca pelo título nacional. Isto quando ainda estamos… em Julho.

O Sporting CP derrotou o AS Mónaco por 2-1 Fonte: Sporting CP
O Sporting CP derrotou o AS Mónaco por 2-1
Fonte: Sporting CP

E a questão está exatamente aí. É nesta fragrância de sentimentos opostos, é nesta bipolaridade emocional eterna, neste conceito do “8 e o 80”, que o Sporting vai ter de encontrar finalmente o seu equilíbrio para poder aspirar a algo mais alto este ano. Começando pela sua estrutura, e terminando nos seus adeptos. Por esta ordem. Nenhum clube de topo pode, ou melhor, nenhum clube consegue viver num estado constante de depressão e euforia. Infelizmente, observando os últimos anos (a escrever nas últimas décadas…) esse parece cada vez mais ser o ADN do Sporting.

Cabe agora ao universo leonino concretizar essa metamorfose. Perceber que o mundo não termina depois de um erro do Tobias, nem que o limite é o céu depois de um “cabrito” do Gelson. Cabe agora ao Sporting, mais do que nunca, não ser inimigo de si mesmo. Caso aconteça, e essa bipolaridade finalmente se extinga, pode ser que este ano, seja mesmo possível ultrapassar os seus verdadeiros rivais. Porque tal como as diferenças entre o 4-4-2 e um 3-4-3 que Jorge Jesus tanto procura, a importância estará sempre, inevitavelmente, no equilíbrio.

Foto de Capa: Sporting CP

Fernando Costa

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