Algumas nuvens da penumbra leonina

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A vida leonina vai de mal a pior. E o mais problemático é que não se vislumbra um sol que rompa com toda esta penumbra. Algo que alimente a esperança dos adeptos e sócios.

Não, não foi só a derrota, já de si escandalosa, em Alverca, para a Taça de Portugal, que colocou toda a penumbra no reino do Leão. Já muito antes disso, o tempo começou a ficar bastante nubloso. Quanto muito, a derrota diante da formação ribatejana colocou ainda mais achas na fogueira, que é como quem diz, mais nuvens na penumbra.

Não será certamente este o texto que exporá exaustivamente os fatores – internos e externos ao Sporting – que contribuíram para o aparecimento e desenvolvimento da penumbra leonina. Cabe-me apenas destacar alguns fatores – ou nuvens negras… – e, de preferência, mais recentes, que possam ter contribuído para o status quo atual do Universo Sporting:

– Invasão à Academia de Alcochete em maio de 2018. A agressão ao plantel do Sporting e staff foi um duro golpe na identidade do clube. O cenário dantesco que se verificou naqueles balneários e Academia deixou marcas profundas na organização e imagem interna e externa. O ataque foi, sobretudo, realizado aos valores e ao seu símbolo. E deixa uma mensagem clara: quem manda no clube são as claques e os insultos das mesmas (advertência importante: não confundir claques ou os grupos organizados de adeptos com a atitude de alguns vândalos que por lá pululam). Esta situação prende-se com a nuvem seguinte.

– Assembleia Geral (AG) ordinária da passada quinta-feira (10 de outubro). Independentemente do que se disse e escreveu antes e após a AG, de estarmos ou não de acordo com esta Direção, o ambiente de guerrilha que se viveu ali mostrou algo que já vinha do ataque à Academia: quem manda no destino do clube são alguns arruaceiros e guerrilheiros que querem criar a instabilidade constante em que lá está e que não seja do seu credo. O “coro” de cânticos que choveu para Varandas tinha, portanto, esta leitura implícita;

A desilusão e frustração pairam em Alvalade
Fonte: UEFA

– Derrota em Alverca por duas bolas a zero. Na passada quinta-feira, assistimos a algo que já nos tinha apertado o coração outrora, quando o Sporting perdeu no mesmo campo para o campeonato nacional 2000/2001, diante da formação ribatejana. Mas, perante a derrota mais recente não há recuperação que nos valha: estamos afastados da Taça de Portugal e, portanto, arredados da possibilidade de renovarmos o título da época passada. Mas, no final do jogo, à semelhança das duas situações/nuvens anteriores, lá estavam no final do jogo os jogadores e staff rumo à zona das claques pedindo desculpa pelo sucedido. A repetição, portanto, do costume: quem manda são alguns insurretos que pululam no clube.

O futebol envolve, todos sabemos, mais a paixão do que a razão. Por isso, para o comum dos adeptos, discutir o Relatório e Contas ou a Reestruturação Financeira do clube é o mesmo que discutir sobre quem nasceu primeiro, se o ovo ou a galinha. Com a diferença, porém, desta discussão galinácea ser eventualmente mais produtiva e mais profícua a nível argumentativo. Em resumo, nos clubes o que é preciso é ganhar e só isto afastará definitivamente a penumbra que assombra o Leão. Mas para isso é necessário que alguns insurretos deixem trabalhar quem lá está e que apoiem, sim, o clube no rumo das vitórias.

P.S: Não sou, nunca fui, nem nunca serei Varandista. Acima de tudo está sempre o Sporting Clube de Portugal.

Foto de Capa: Sporting CP

Revisto por: Jorge Neves

Simão Mata
Simão Matahttp://www.bolanarede.pt
O Simão é psicólogo de profissão mas isso para aqui não importa nada. O que interessa é que vibra com as vitórias do Sporting Clube de Portugal e sofre perante as derrotas do seu clube. É um Sportinguista do Norte, mais concretamente da Maia, terra que o viu nascer e na qual habita. Considera que os clubes desportivos não estão nos estádios nem nos pavilhões, mas no palpitar frenético do coração dos adeptos e sócios.                                                                                                                                                 O Simão escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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