APAF e a polémica em Famalicão | Quão fácil é punir o Sporting CP?

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Após o polémico empate do Sporting CP em Famalicão, Frederico Varandas teceu duras críticas à arbitragem daquele encontro – de recordar que Coates teve um golo anulado no último minuto e de forma, no mínimo, duvidosa. Rúben Amorim foi expulso ainda no decorrer do jogo devido a protestos, sendo depois suspenso por duas semanas. João Mário, uma das referências da equipa, além de Miguel Braga, também mostraram o seu descontentamento.

Ora, o presidente leonino, tantas vezes criticado pelas suas intervenções, tem toda a razão quando diz que um golo daqueles nunca seria anulado ao SL Benfica ou ao FC Porto. Da mesma forma que jamais a APAF emitiria um comunicado daqueles caso fossem os rivais a reclamar de serem prejudicados. E quem diz uma entidade, diz os próprios intervenientes do jogo: quantas vezes os treinadores adversários reclamam após jogos contra o Sporting CP, enquanto que quando enfrentam FC Porto e principalmente SL Benfica, falam aos jornalistas com um semblante resignado, até mesmo quando são goleados? Não são teorias da conspiração, são factos.

Mais do que guerras internas, e muito embora eu próprio seja um forte crítico de Frederico Varandas, é preciso guerrear com o sistema que há décadas impede o Sporting CP de ser tão vencedor quanto os dois rivais. Sim, o termo mais apropriado é mesmo “guerrear”.

As recentes campanhas nas redes sociais, como a #OndeVaiUmVãoTodos, são bastante positivas, até porque unem os adeptos em torno de uma causa que é defender o clube, mas um clube com a grandeza e importância do Sporting CP na sociedade portuguesa não se pode ficar apenas por isso. Mais do que sentimentalismo, está em jogo o bom nome do clube, além do que é inevitavelmente o mais importante, principalmente nesta fase: a questão financeira.

No entanto, há que fazê-lo de forma inteligente e acima de tudo assertiva. Miguel Braga não é, de todo, a melhor pessoa para o cargo que ocupa. Pouca firmeza nas suas palavras, além do pouco alcance nas redes sociais, dado que algumas páginas de apoio ao Sporting CP conseguem espalhar mais certas mensagens que o próprio diretor de comunicação. Neste aspeto, precisaríamos de um Francisco J. Marques – temos de deixar de ser “anjinhos’”.

Sempre ouvi que o Sporting CP era um clube diferente. Um clube com valores, princípios e de boa gente, que não alinhava em certas coisas. Num país cheio de chicos espertos como o nosso, não há outra maneira de vencer sem ser entrando no lodo que é o futebol e o desporto em Portugal.

É só verificarmos como é que os rivais ganham títulos atrás de títulos, mesmo com tantas suspeitas, ninguém se importa com isso. Não defendo que devemos ser corruptos, mas é fundamental fazer barulho. Infelizmente, hoje o futebol ganha-se mais fora de campo que dentro. Quantas vezes o Sporting CP possuía plantéis melhores do que os dos rivais, como em alguns anos da malfadada década de 90, em 2015/16 ou em 2017/18, e mesmo assim nunca foi campeão nacional devido a ‘’motivos de força maior’’?

Todos os dias vemos iluminados que acham que o mundo do futebol é um mar de rosas, que as pessoas no futebol agem todas de boa fé e que quem reclama disso é que é tóxico. Assim caiu um presidente há dois anos que mexeu com quem (não) devia. Curiosamente, quem é arguido em dezenas de processos de corrupção e que tem o nome na lama há décadas, ainda lá está. Como diria José Maria Pedroto, um treinador histórico e decisivo na transformação do FC Porto de um clube de alcance regional para um clube de nível mundial (e que esteve para vir para o Sporting, mas como é apanágio do clube, foi só mais um erro histórico…): “Enquanto fomos bons rapazes fomos sempre comidos’”. Que sirva de reflexão!

Francisco Guerra
Francisco Guerrahttp://www.bolanarede.pt
É apaixonado por futebol, principalmente pelo Sporting CP, o seu único clube. Está a licenciar-se em Comunicação e Jornalismo, adora escrever sobre futebol no geral, além de outras modalidades como o wrestling, que acompanha desde pequeno. Também gosta de apreciar o futebol fora do espectro da paixão clubística, tendo como principais referências Cristiano Ronaldo e Diego Maradona.                                                                                                                                                 O Francisco escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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