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As redes necessitam dos crisântemos de abril

Romão Rodrigues · 2 min

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Voltemos ao início dos anos 70. Ao João Rocha, à famosa nave de Alvalade e aos jogadores históricos e genuinamente sportinguistas: com a listada verde e branca tornavam-se forças de natureza e permaneciam na contenda até ao último suspiro e gota de sangue; não perduravam facilitismos de qualquer estirpe, não existiam benesses no seio das quatro linhas nem se faziam fretes. Sentia-se, vivia-se e respirava-se Sporting Clube de Portugal. A invencibilidade é uma utopia negativa e a derrota diante de adversários, teoricamente, com menor pujança podia ocorrer “normalmente” como se verificou diante do Famalicão. Mas as bancadas, unanimemente, consciencializavam-se de que esforço, dedicação e devoção não eram princípios ausentes.

Vítor Damas. Todas as homenagens são escassas e a sua memória perpetua-se ao longo de todo o relvado. Não assisti às suas demonstrações de amor e de valentia. Os mais velhos encarregaram-se de adornar o que contemplavam e eu, até hoje, quando o assunto emerge, perplexo e embevecido me apresento e possuo a plena garantia de que nenhuma palavra aflora o exagero. A perfeição, apesar de quimera, adquire um caráter subjetivo. Na modesta opinião de um comum mortal e no trespasse de opinião de quem bebi esta ínfima parte da sabedoria, Damas era o peito ilustre lusitano, a perfeição em todo o seu esplendor. Um guarda redes à imagem do reino de Leão, dono de um rugido voraz e completamente avassalador, capaz de colocar qualquer defesa em continência e de provocar a marcha de qualquer avançado adversário. E não foi por mero acaso que se converteu num dos maiores símbolos do clube e da seleção nacional.

Renan tem sido o dono das redes leoninas
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

E agora? O que é feito das glórias que guardaram as redes e a vida do clube? Quem será a figura que se destacará no porto que impera a segurança depois de Rui Patrício? No tempo que urge, não há paradeiro para a voz de comando nem para rigorosamente nada dada a perda da bússola e do Norte.

Renan Ribeiro não cumpre os requisitos necessários para envergar a camisola sagrada. Num espetro classificativo, Renan é um extremo e a segurança máxima ocupa o polo adverso. Infelizmente, grande parte da legião leonina tece críticas duras e acertadas ao guardião porque a confiança extrapolada para os colegas de campo e balneário é nula, repito, nula. A sensação que me invade é a de que, nos lances nos quais sofre golo, mesmo sem ter praticamente hipótese de o evitar, podia e devia ter feito mais, de melhorar a agilidade na sua estirada, de incrementar a sua rapidez na designada “mancha” ou na saída dos postes e de, mesmo entre postes, não hesitar.

Que se inicie a revolução dos crisântemos! O caminho efetua-se de espingarda ao ombro e respetiva flor a brotar do sítio onde a bala irrompe. Contactos pessoais ditam que o golpe de estado está a mando de Luís Maximiano, mas paira a incerteza e ergue-se, de novo, a fumaça. Que haja um pouco de Salgueiro Maia no staff técnico e na cúpula dirigente!

Foto de Capa: Sporting CP

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Romão Rodrigues

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