As rescisões não foram o primeiro passo

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O Sporting foi abalado esta segunda feira por mais rescisões unilaterais de contrato por parte de alguns dos rapazes que vestiam as suas cores. Desta vez, foram William Carvalho, Gelson Martins, Bruno Fernandes e Bas Dost a apresentarem esses desejos, juntando-se a Rui Patrício e Daniel Podence que já o tinham manifestado.

Ora bem, em primeiro lugar, é bom lembrar que estes jogadores rescindiram com o Sporting Clube de Portugal e não com Bruno de Carvalho, ao contrário do que disse Frederico Varandas também nesta segunda feira. Isto é o ponto basilar, o mais importante, da discussão. Posto isto, existem vários pontos a refletir sobre todo este cenário das rescisões destes jogadores com o clube. Se for dada justa causa a estes pedidos de rescisão, estará a abrir-se um precedente gravíssimo. Isto porque qualquer clube poderá tentar agredir um jogador de um rival com o intuito de ele rescindir e contratá-lo mais à frente.

Se não for provada a ligação de elementos do Conselho Diretivo ao caso das agressões, como é que será dada justa causa a isto? Tendo em conta que muitos dos acontecimentos invocados nas cartas de rescisão são anteriores à invasão da Academia de Alcochete, não terá isto tudo sido orquestrado por quem tem interesse nas rescisões?

É bom analisar que os jogadores que até agora rescindiram, à exceção de Daniel Podence, eram titularíssimos da equipa principal e os portugueses estão todos no Mundial. É estranho que aqueles que menos jogam não se sintam irremediavelmente afetados pelos acontecimentos como este que estão a rescindir. Talvez este seja um ponto que seja relevante para a análise das pessoas e dos sócios do Sporting, em particular. É porque esses jogadores que não rescindiram até ao momento (têm até ao dia quinze para o fazerem) não tiveram a oportunidade de jogar de forma muito regular, nomeadamente nos vergonhosos últimos dois jogos disputados pelo clube no último campeonato. Talvez tivessem outro desempenho, mas já lá irei a esse ponto.

Menção honrosa para que merece ter a camisola do Sporting Clube de Portugal vestida
Fonte: Sporting Clube de Portugal

Depois, também é relevante para esta história toda o papel dos empresários. Esses intervenientes que continuam a mandar no futebol estão por trás destas rescisões unilaterais de contrato, como fica provado pelo facto das primeiras duas rescisões terem sido dos únicos jogadores agenciados por Jorge Mendes, de quem Luís Filipe Vieira disse um dia ser “parceiro do Benfica”. A história das propostas que apareceram, ou supostamente apareceram, pelos jogadores terá muita influência nesta situação. Hoje em dia, a maioria dos jogadores não sabe gerir a sua carreira e deixam-nas nas mãos dos empresários. Como em tudo na vida, existem profissionais com e sem valores. Assim sendo, não há novidade nenhuma em relação ao papel dos empresários.

Diogo Janeiro Oliveira
Diogo Janeiro Oliveira
Apaixonado por futebol, antes dos livros da escola primária já lia jornais desportivos. Seja nas tardes intermináveis a jogar, nas horas passadas no FIFA ou a ver jogos, o futebol está sempre presente. Snooker, futsal e andebol são outras paixões. Em Portugal torce pelo Sporting; lá fora é o Barcelona que lhe enche as medidas. Também sonha ver o Farense de volta à primeira…                                                                                                                                                 O Diogo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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