Basta do “Movimento Basta”

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Ze Pedro Mozos - Sob o Signo do Leao

Sei que esta opinião que aqui vou expressar não vai reunir consenso. Em primeiro lugar, porque se trata precisamente de uma opinião e não de algo factual. Em segundo lugar, porque tenho uma visão algo diferente da maioria dos sportinguistas com quem falei sobre este assunto.

Foram entregues, na passada Terça-Feira, na sede da FPF, as cerca de três mil assinaturas referentes ao movimento “Basta!”. Para quem não sabe, o movimento “Basta!” foi criado por adeptos do Sporting que pretendem fazer com que a arbitragem em Portugal pare de prejudicar o clube leonino, que tem visto os adversários a serem recorrentemente beneficiados.

A notícia podia (e devia) ficar por aqui. Mas aquilo que marcou a entrega destas assinaturas foi tudo menos as próprias assinaturas: à chegada, no hall de entrada, lançaram-se notas com a cara de Pinto da Costa estampada; alguns indivíduos que faziam parte da organização do movimento e que iam entregar as assinaturas entraram encapuçados, de cara tapada; à saída, depois de efectuada a entrega, houve o rebentamento de um petardo. Era esta a intenção inicial deste movimento ou as suas consequências tomaram proporções desmedidas? Com que credibilidade será levado daqui em diante? Deveria a direcção do clube tê-lo apoiado?

Não consigo responder directa nem objectivamente a estas perguntas, mas tentarei oferecer o meu ponto de vista. Concordo com o fundamento deste movimento na medida em que também sou da opinião de que o Sporting tem sido uma das equipas que tem sido mais prejudicadas pela arbitragem e de que está na altura de tomar medidas (só nesta época já anularam – e mal – cinco golos ao Sporting, um recorde a nível nacional). No entanto, acho que este movimento excedeu os limites daquilo que devem ser manifestações de indignação. Qualquer credibilidade que este movimento pudesse ter ficou minada logo à partida, quando, no primeiro protesto público, se lançaram notas com a cara de Pinto da Costa estampada e se exibiram cartazes com árbitros vestidos com o equipamento do Benfica. Graças a isso, esse movimento nunca foi levado a sério, dando a ideia de se tratar mas de uma birra do que de um protesto contra a arbitragem. Se é verdade que devia haver uma reflexão sobre aquilo que tem sido a arbitragem portuguesa nos últimos anos, também é certo que estes movimentos em nada contribuem para isso. O problema não está no conteúdo, com o qual – repito – concordo, mas sim na forma. Se deve haver uma discussão pública sobre o assunto não deve começar por movimentos com estes moldes, pois logo à partida criam um clima de crispação que em nada contribui para a realização de um debate equilibrado e inteligente sobre o assunto.

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A direcção apoiou este movimento, tornando-se assim cúmplice
Fonte: ZeroZero

Por essa mesma razão, creio que a direcção do Sporting Clube de Portugal não devia ter apoiado este movimento, dado que agora está associada ao jogo sujo de lançar notas de presidentes de outros clubes ou de fixar cartazes de árbitros equipados “à Benfica”. A direcção foi cúmplice destes actos, e isso não dignifica em nada a estrutura do clube leonino. Poderão dizer que o movimento não tinha estas intenções inicialmente e que a direcção não conseguia prever as proporções que este ia tomar. Se for verdade, então é só mais uma razão para não se dar apoio “às cegas” a este movimento, pelo menos sem se exigir um mínimo de civismo nas manifestações, para não manchar a imagem do clube.

Os actos de vandalismo a que se assistiu na passada terça-feira na sede da FPF foram só mais um exemplo daquilo que não se devia fazer se a intenção é levar a sério este movimento. Como sportinguista que sou, repudio estes actos. Não me revejo neles. Isto não é o Sporting. O Sporting é aquilo que se sente no Estádio José Alvalade XXI. O Sporting é aquele ambiente espetacular que a Curva Sul do estádio cria em cada jogo. O Sporting é a raça de vencer, a vontade de mudar. O Sporting é nunca desistir.

Não sou menos sportinguista por não apoiar este movimento; não sinto menos o clube por não apoiar este movimento; não deixo de achar que o Sporting tem sido prejudicado; não deixo de vibrar com as boas exibições; não sou um mau adepto por repudiar os actos de vandalismo que este movimento tem provocado; não deixo de viver o clube todos os dias; o Sporting não deixa de ser uma das minhas maiores paixões; não deixo de achar que, de facto, já basta de sermos prejudicados.

A única diferença é que eu acredito que pode haver medidas concretas que mudem o panorama da arbitragem portuguesa e que se pode discutir isto de uma forma civilizada. Confio em que, se nos fizermos ouvir, iremos contribuir para melhorar as actuações dos árbitros portugueses. Mais tarde ou mais cedo, as entidades responsáveis vão ter de deixar de ignorar as medidas que Bruno de Carvalho tem apresentado. Até lá, temos continuar a jogar um bom futebol e a apoiar o Sporting. A única diferença é que eu não acho que este seja o caminho certo.

José Pedro Mozos
José Pedro Mozos
O Zé Pedro nasceu um dia sob o signo do leão, assim como uma das suas maiores paixões: O Sporting. Desde aí que o seu percurso tem sido traçado a verde-e-branco. Vibrou com os grandes triunfos e sofreu com os desaires, mas nunca deixou de apoiar o clube leonino. Escrever para este site é só uma das muitas formas de expressar aquilo que sente pelo Sporting.                                                                                                                                                 O José não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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