Benfica 0-3 Sporting: 1,2,3, leão em primeiro outra vez

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O Sporting venceu hoje o “derby eterno” no Estádio da Luz, frente ao Benfica. Os “leões” golearam os arquirrivais por três golos sem resposta, num jogo em que foram tremendamente eficazes perante um adversário sem nexo e, acima de tudo, sem ideias.

O Benfica até entrou ligeiramente melhor na partida, mas o primeiro golpe leonino surgiu logo aos 9 minutos. Júlio César deslizou para agarrar um passe de rotura do ataque verde e branco, mas Teo vinha desenfreado e tocou com a perna para as redes encarnadas. Tal como na Supertaça, Teo teve sorte e bateu o guardião brasileiro. O Benfica continuou apático e isso foi gritante no segundo golo, a meio da primeira metade. Jefferson, com muito espaço, cruzou do lado esquerdo e Slimani estava sozinho no meio dos centrais do Benfica. O cabeceamento do argelino foi perfeito e estava feito o segundo dos leões, para gáudio de Bruno de Carvalho, que afinal esteve (bem) presente no banco de suplentes, ao lado de Jesus e Octávio Machado.

No ataque benfiquista, Jonas era dos poucos que ainda tentava remar contra a maré. Gonçalo Guedes praticamente não esteve em campo, Jiménez andou mais tempo deitado na relva do que a jogar futebol, e Gaitán esteve longe do seu nível. Mesmo os médios Samaris e André Almeida não podiam atacar, porque estavam sempre em desvantagem numérica perante Adrien, William e João Mário, que fez um jogo tremendo. Atacou, defendeu e foi o “joker” que ajudou a desequilibrar o meio campo da Luz. Depois da meia hora, surgiu a terceira facada no pacote de manteiga que foi a defesa do Benfica. Slimani pegou na bola a meio campo, conduziu-a até à entrada da área sem que Luisão e Jardel pressionassem e rematou para defesa de J.César. Na recarga, Bryan Ruiz não se fez rogado e aumentou a humilhação encarnada.

Ao intervalo, Rui Vitória precisava de revitalizar a equipa, mas a melhor ideia que teve foi colocar Fejsa em campo, recuando André Almeida para a lateral esquerda e retirando Eliseu de campo. O Benfica continuou a ser pouco mais que zero em campo, e quem esteve mais perto de marcar ainda foi o Sporting num lance em que Jefferson errou o alvo quando já estava na grande área da equipa da casa. O Sporting foi rei e senhor hoje na Luz, mesmo sem fazer uma exibição de encher o olho a nível de criação de jogo. Mas foi uma equipa bastante sólida, sem dar chances ao adversário. A defesa esteve absolutamente impecável (Naldo fez o melhor jogo com a camisola leonina, Paulo Oliveira continua imperial, Jefferson ainda fez uma assistência primorosa e até João Pereira conseguiu jogar bem), Adrien e William foram intransponíveis, João Mário foi o melhor em campo. Bryan, Slimani e Teo molharam todos a sopa e por isso também podem sair satisfeitos.

A desinspiração de Gaitán contrastou com a classe patenteada por João Mário. Fonte: Facebook do Sporting
A desinspiração de Gaitán contrastou com a classe patenteada por João Mário.
Fonte: Facebook do Sporting

Nos encarnados, existem poucos destaques positivos. Jonas esteve desinspirado, mas ainda assim conseguiu ser o melhor do seu conjunto, aliado a Andreas Samaris, que esteve sempre na luta a meio campo, apesar de ter tido algumas atitudes menos próprias. Luisão e Sílvio estão longe, bem longe do que já mostraram no futebol português, enquanto Eliseu e André Almeida continuam no seu nível habitual. Nem Nico Gaitán esteve nos seus dias, principalmente a partir do momento em que quis resolver tudo sozinho. Para culminar, teria sido tudo ainda mais épico se Júlio César não tivesse impedido o autogolo de Luisão num atraso mal calculado que seria a chacota de um país inteiro nos próximos dias.

No que toca à arbitragem, Carlos Xistra esteve mal a nível disciplinar. Na minha opinião, se tivesse sido mais rigoroso poderia ter expulso Slimani, Adrien, Jonas e Samaris. Todos se excederam em alguns momentos do jogo, tendo arriscado a expulsão com atitudes mais ríspidas perante os adversários, e quando já tinham um cartão amarelo. A nível técnico, penso que, logo no início, Luisão se queixa com razão de um puxão de Bryan Ruiz na área, no lance que pode ser indicado como o lance mais polémico da partida.

Com esta vitória, os leões aumentaram a vantagem sobre os encarnados para 8 pontos (o Benfica tem menos um jogo disputado), tornando-se o melhor ataque da prova, com 17 tentos apontados, ao fim de 8 jornadas. O Sporting aproveitou ainda o empate do FC Porto na receção ao SC Braga para ficar na liderança isolada da tabela classificativa, num fim de semana em cheio para os verdes e brancos. Quebraram o jejum de vitórias em casa do Benfica, e logo com a maior vitória no reduto do rival nos últimos 82 anos, para euforia dos mais de 3 mil adeptos do Sporting que estiveram inexcedíveis nas bancadas encarnadas! É caso para dizer que a nota artística voltou hoje, por momentos, ao Estádio da Luz.

A Figura:

João Mário – Jogo enorme do médio leonino. Esteve muito bem no flanco e ainda melhor quando fletia para o centro do campo, causando superioridade numérica perante os desamparados médios do Benfica. Destaque muito positivo também para Naldo e Bryan Ruiz esta tarde no Estádio da Luz.

O Fora de Jogo:

Luisão – Jogo absolutamente deplorável do capitão encarnado. Esteve nos segundo e terceiro golos do Sporting, tendo assistido aos movimentos de Slimani em ambos os lances, sem ter pressionado o avançado argelino. Para culminar, esteve quase a colocar a cereja no topo do bolo, com um atraso mal medido que ia entrando na baliza de Júlio César, já perto do término da partida.

Diogo Janeiro Oliveira
Diogo Janeiro Oliveira
Apaixonado por futebol, antes dos livros da escola primária já lia jornais desportivos. Seja nas tardes intermináveis a jogar, nas horas passadas no FIFA ou a ver jogos, o futebol está sempre presente. Snooker, futsal e andebol são outras paixões. Em Portugal torce pelo Sporting; lá fora é o Barcelona que lhe enche as medidas. Também sonha ver o Farense de volta à primeira…                                                                                                                                                 O Diogo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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