Carta Aberta a Marcel Keizer

- Advertisement -

Caro Marcel Keizer,

É um de muitos adeptos que te escreve. Por agora, resido na esperança de que esta dissertação possa ser lida e escutada no balneário que suportas. Talvez seja infrutífero, talvez. Mas a tentativa de algo é sempre o método que nos coloca com a mão no êxito ou com o pé no infortúnio.

A carta compôs, desde os primórdios, o estratagema que guerrilhou defronte a saudade e a ausência de algo mais intenso e não qualificado. É um facto, não um juízo. As gerações precedentes da maior rebelião tecnológica comprovam-no e é unânime. O objeto hábil na demanda da proximidade relacional, qualquer que ela fosse.

Entre pelejas de toda a estirpe e evasões da terra natal, a carta foi o mastro de um navio destinado, muitas vezes, ao naufrágio. Nada mais lúcido do que as fitas cinematográficas ou do que as histórias grafadas nos nossos antepassados para representarem situações semelhantes. As mulheres e respetivas famílias instauravam-se na agonia e no desespero que remexia as entranhas e as volteava vezes sem conta. Uma mescla de mártir e natureza intrépida.

Infelizmente, o deguste pessoal é, para já, insondável. Contudo, a matéria-prima auferida, escutada e lida colmata essa míngua: o discurso envolto no hermetismo presente naquele conjunto de milhões e milhões de átomos exorta toda a minha sagacidade, sublimando o que de mais cristalino existe naqueles retângulos, aparentemente simples.

Para 19/20, o técnico holandês pôde preparar a época leonina desde o seu início, o que lhe acrescenta responsabilidade
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Mister, onde está aquele Sporting que rugia com enxurradas de golos e entusiasmava a sua legião após mostras sucessivas (mas rapidamente volatilizadas) de mentalidade holandesa, extremamente ofensiva e completamente voraz? Aquele Sporting que, em situações de desvantagem e mesmo sem jogar bom futebol, orquestrava o motim através de uma batalha campal, com a dosagem exata de entrega e vontade de vencer?

Atualmente, os sportinguistas são múltiplas tentativas de Ricardo Reis. Deambulam nas exibições gradualmente débeis, na escassez da veia goleadora e no florescer abrupto da insegurança defensiva. Se calhar até nem há motivo para preocupação porque a placidez e o nirvana continuam nos píncaros! E claro, ecoam nas bancadas brados soturnos de desalento e gritos mudos de aflição. Eu cansei-me, estou afónico!

É a urdidura previsível. Um homem é chamado a lutar pelo pátria e pelos seus valores, separa-se do bem mais precioso e atraca a milhões de quilómetros; inicialmente, escreve à família e a põe ocorrente de tudo e mais alguma coisa, mas, com o urgir do tempo, esvai-se essa rotina… Ultimamente, o clube é o rosto do desânimo, dominado por uma matriz enfadonha e triste. Quando é que tenciona voltar a dar notícias?

E a magia que cativou durante décadas e décadas impera à ressurreição. Nós, adeptos, merecemos isso porque damos tudo pelo amor que nunca morre e pela raça que jamais se irá vergar perante alguém! É urgente sentir que a equipa combate até não restar suor ou sangue! Funda-se com o coração de Alvalade, verá que resulta! Vivemos de golos, não se esqueça!

Escreva com o amor inicial! Ou será que a chama cessou?

Foto de Capa: Sporting CP

Revisto por: Jorge Neves

Romão Rodrigues
Romão Rodrigueshttp://www.bolanarede.pt
Em primeira mão, a informação que considera útil: cruza pensamentos, cabeceia análises sobre futebol e tenta marcar opiniões sobre o universo que o rege. Depois, o que considera acessório: Romão Rodrigues, estudante universitário e apaixonado pelas Letras.                                                                                                                                                 O Romão escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Atlético de Madrid insiste em Morten Hjulmand: Eis o tempo de contrato oferecido ao jogador do Sporting

O Atlético de Madrid ofereceu um contrato a Morten Hjulmand válido até 2031. O dinamarquês tem o aval de Diego Simeone.

Casemiro empata Brasil x Japão de cabeça e volta a igualar jogo dos 16 avos de final do Mundial 2026

Casemiro empatou o jogo com um golo de cabeça. Brasil e Japão defrontam-se nos 16 avos de final do Mundial 2026.

Atenção, Portugal: Já é conhecido o árbitro do embate frente à Croácia para os 16 avos de final do Mundial 2026

O árbitro norueguês Espen Eskas dirige o jogo de Portugal nos 16 avos do Mundial 2026. A seleção nacional defronta a Croácia.

Kaishu Sano aproveita erros de Danilo e Casemiro e adianta Japão contra o Brasil no Mundial 2026

Kaishu Sano adiantou a seleção japonesa e provocou a surpresa. Brasil e Japão defrontam-se nos 16 avos de final do Mundial 2026.

PUB

Mais Artigos Populares

João Félix: «Conhecemos bem a Croácia. Sabemos o que temos de fazer»

João Félix anteviu o Portugal x Croácia dos 16 avos de final do Mundial, durante a conferência de imprensa da Seleção Nacional desta segunda-feira.

João Félix e a dupla com Cristiano Ronaldo na Liga Saudita: «A intensidade se calhar não é a mesma, mas o campeonato é competitivo»

João Félix refletiu sobre a parceria com Cristiano Ronaldo no Al Nassr, durante a conferência de imprensa da Seleção Nacional desta segunda-feira.

João Félix aborda momento de forma e fala sobre Jorge Jesus: «Deu confiança para tirar o melhor de mim»

João Félix falou sobre a importância de Jorge Jesus para o seu momento de forma positivo, durante a conferência de imprensa da Seleção Nacional desta segunda-feira.