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a norte de alvalade

Parece que desta vez Jefferson “largou-se” mesmo

Problemas de índole contratual terão provocado acesa discussão entre Jefferson e Bruno de Carvalho. Não tomarei partido nesta questão enquanto não se souberem pormenores, mas não deixo de dizer o que me parece o óbvio nestes casos:

– Este caso, envolvendo um dos jogadores que, pelo que produz, é dos mais importantes do plantel, seria sempre mau, nesta altura em particular é péssimo.

– Não sei quais foram as razões invocadas por Jefferson, mas enveredar por actos de indisciplina é a forma mais rápida de perder a razão que lhe possa assistir. Por mais fortes que estas sejam e por mais profundos que sejam os antagonismos com os dirigentes, os jogadores não podem e não devem esquecer que o clube é muito mais do que eles todos, jogadores e dirigentes.

– Grande parte deste género de conflitos laborais previne-se antes de se extremarem posições. Uma boa gestão de expectativas, particularmente no caso dos jogadores com mais mercado, como é o caso de Jefferson, é crucial.

– São já demasiadas ocorrências como estas, o que leva à imediata necessidade de se apurar as suas causas. Em primeiro lugar apurar se existe um padrão: ou o Sporting tem um azar desgraçado e contrata quase sempre jogadores indisciplinados, ou algo está a falhar na relação entre entidade patronal e funcionários. Como comentário adicional, acresce dizer que a ideia que muitas vezes circula entre os adeptos de que os jogadores devem ser geridos com mão de ferro é uma ideia que fica bem no… século passado.

O sistema está vivo e não dorme

O castigo atribuído a Bruno de Carvalho, e particularmente a forma célere com que foi aplicado, é a última prova de vida do famoso sistema. Sistema que, ao contrário do que se pretende ultimamente, não é uma santa aliança, antes se assemelhando a uma hidra com várias cabeças. Olhe-se para as várias estatísticas – castigos, expulsões, celeridade e sentido das decisões, etc – para o confirmar, constatando-se, quase sempre, que o Sporting  vem na cauda dos favorecidos. Ou o inverso.

Esta prova de vida é também:

– Uma declarada e vergonhosa afronta e uma falta de respeito para com uma das importantes instituições desportivas nacionais. Deve ser o primeiro caso de castigo sumário a um presidente sem instauração de um inquérito.

– É um forte contributo para a discussão interna sobre a virtude da estratégia que vem sendo seguida. Os resultados são os mesmos de sempre e são esses que é necessário mudar, sob pena de o clube ser permanentemente prejudicado.

– É uma prova de vida e de força. É pura especulação da minha parte mas não estranharia se o famoso sistema tivesse apanhado Bruno de Carvalho desprevenido à saída de uma curva. O incidente com o roupeiro do Gil Vicente, a ter existido, é no mínimo esquisito. Desde logo porque um presidente não discute com roupeiros sem alienar autoridade e prestigio. Quem sabe se o FCP não tem agora a oportunidade de retribuir a “hospitalidade” que lhe tem sido dispensada em Alvalade. É que nestas matérias eles não são aprendizes, mas sim profissionais encartados.

Gastar farelo e poupar na farinha

Este deveria ser o tema de hoje, o post estava já quase terminado. A ocorrência do caso Jefferson acabou por o deixar em repouso. Mas não posso deixar de manifestar a minha discordância e até perplexidade pela recente decisão sobre as viagens da equipa B.

Fundamentar esta decisão absurda de fazer viajar no próprio dia de jogo uma equipa de profissionais de futebol com base em argumentos financeiros é de todo incompreensível quando se constata o elevado número de jogadores totalmente desnecessários que têm entrado e saído para aquele escalão.

O Sporting não precisa nem pode gastar dinheiro em Rabias (750.000), Sacko’s (1 milhão), Slavchev’s (2.5 milhões), etc, que dariam para pagar mais do que um  orçamento anual, para depois por a equipa B a conhecer o país de autocarro em dias de jogos. Chama-se a isto gastar no farelo e poupar na farinha.

As consequências desta decisão são várias e não me ocorre nenhuma positiva. Desde logo as imediatas, como o desprestigio do clube que se diz  e é grande, mas que usa meios que até os amadores já evitam.

Quanto é que isto custa na hora de disputar a aquisição de um jogador com um qualquer clube concorrente?

Quanto pesa isto na capacidade competitiva da equipa no relvado e que consequências tem na prestação dos jogadores, em confronto já desigual, porque os adversários jogam em casa?

Que influência tem na evolução dos jogadores, já não falando no que isto representa para eles?

Foto de capa: sporting.pt

José Duarte
José Duarte
Adepto do Sporting Clube de Portugal e de desporto em geral, especialmente de futebol.                                                                                                                                                 O José não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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