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Chuva de flops

Romão Rodrigues · 2 min

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Nunca me interessei verdadeiramente pela escansão de resíduos. Não me orgulho, evidentemente. Mas suporto poucos quilogramas de paciência de modo a proceder conforme as regras dos 3 R´s. Sosseguem, redatores, “desnecessário” é um vocábulo descartado pelo facto de, em primeiro lugar, não considerar isso e, em segundo lugar, por ambientalistas e filiados do PAN me apontarem o arsenal à nuca. Contraí matrimónio com o globo devido à perseverança de inúmeros sermões. E que jeito estão a fazer…

Infelizmente, o Sporting Clube de Portugal, ao longo das derradeiras décadas, aperfeiçoou a técnica da compra supérflua. De Eskilsson, Katzirz e Rodolfo Rodríguez a Alan Ruíz e André Pinto, a vítima permaneceu, do primeiro ao último minuto: o clube. Errar uma vez é humano, duas vezes é questionável e, a partir daí, é inépcia. Quantos foram os profissionais que atracaram no clube, com salários chorudos e dignos de Parlamento, a não prestarem o devido serviço? Louvada seja a falta de noção em situações como esta!

Ora, sucedendo à técnica descrita, emerge o corolário aterrorizador: a incapacidade de reutilizar, o não aproveitamento das potencialidades e fragilidades que nos são impostas à vista. A memória não é um instrumento, por vezes, de cabal fiabilidade, mas poucos foram os que presentearam as suas carreiras (e o que restava delas) com um trilho mais colorido e vivaz. O clímax da confiança jamais se verificou no reino do leão.

O lateral ex-Fiorentina continua sem entusiasmar Alvalade
Fonte: Sporting CP

Em pleno século XXI existe algo pior do que Putin, Trump e Bolsonaro na chefia suprema dos seus países, Comissões de Inquérito na Assembleia da República a aflorar o irrisório, “funks” monocórdicos e reggaetons ensanguentando os tímpanos? Sim, existe: despender exorbitâncias em contratações defeituosas e nos seus respetivos salários. VIviano e Alan Ruiz, sem envergarem a listada verde branca, auferem dois milhões de euros anuais; Bruno Gaspar, Petrovic, Jefferson, André Pinto, Lumor, Gauld, Mattheus Oliveira custam dez milhões anuais. E não jogam! Porque se jogassem… Consciente de que a venda e o lucro constituem um breu, suplico pela rescisão dos respetivos contratos.

A folha salarial carece de redução. Era um R que se politizava, o único que, no meu campo de visão, se aplicaria e de onde se extraíam os benefícios naturais. Na íntegra, e numa perspetiva sonhadora e crente, aquele cofre, constantemente arrombado, renovar-se-ia com a módica quantia de 22 milhões de euros (!).

Ou, impulsionando a leviandade, dialogar com a FPF sobre a possibilidade de organizar uma nova competição que reunisse o universo dos ilustres, todas eles promissores e com certificado de qualidade. Embora competissem com dinossauros do flop nacional, o leão era o suprassumo.

Foto de Capa: Sporting CP

Romão Rodrigues

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