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Deuses Novos ou fé no Espírito Santo?

Vítor Miguel Gonçalves · 5 min

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Ponto prévio: não fui à AG de destituição de dia 23 de Junho. Não pago as minhas quotas de sócio do Sporting desde Abril e não o tenciono fazer nos próximos tempos; pelo menos até a Comissão de Gestão em funções explicar aos sócios se o dinheiro da quotização continuará a ir para as modalidades e não, por exemplo, para uma Sporting TV que depois está em directo do seu próprio estádio usando imagens de outra estação televisiva.

Também, e pela primeira vez em seis anos, não renovei a minha Gamebox; apesar de ser o Sporting a jogar no José de Alvalade, este “Novo Sporting” não será o meu Sporting, por muito que me custe dizê-lo e admiti-lo. Quando penso em novo associo a um banco em concreto, um dos seus gestores e outro personagem que de lá tirou milhões, e qualquer falência de BdC é childs play comparado com o que esse gestor ou qualquer filho de seu irmão fez ao leme desse banco, levando-me quase a rezar à Santíssima Trindade que nunca isso aconteça no meu Sporting.

Provavelmente, para 71% dos sportinguistas, tudo o que acabei de dizer levará a uma simples conclusão: “Tu não és Sportinguista, és um Brunista e vives com os olhos tapados”.

Compreendo quem siga esta linha de raciocínio, é perfeitamente legítimo que se pense dessa forma. Contudo, se as eleições fossem hoje (e se estivesse habilitado a votar), dificilmente iria votar em BdC, e a razão é simples: o Bruno de hoje não é o mesmo de 2013. Seja por cansaço psicológico – burnout segundo alguns – seja pela teimosia extrema ou por querer travar sozinho todas as batalhas do Mundo, investindo qual Don Quixote contra os moinhos de vento, BdC acabou por cometer erros graves de gestão. Elogiarei sempre o trabalho que desempenhou à frente do meu clube, mas acredito que neste momento a solução não poderá ser um regresso, porque será uma perpetuidade deste clima de guerra interna no Sporting, e que infelizmente só neste clube acontece.

O Pavilhão João Rocha foi um dos bons trabalhos de BdC
Fonte: Sporting CP

Um pequeno aparte: poucas são as coisas que invejo nos dois rivais do Sporting, mas gosto de pensar no que seria o Sporting se existisse uma união e um objectivo comum a todos os Sportinguistas como existe no SL Benfica e no FC Porto. Nesses rivais, já existiram ou ainda existem casos de corrupção desportiva e até judicial, em que as evidências foram/são demasiado fortes para que não se perceba que, em algum nível, esses clubes (ou pessoas relacionadas com o mesmo) cometeram crimes e assim ganharam uma vantagem dentro de campo derivada dessas mesmas acções criminais. Ainda assim, a quase totalidade dos adeptos, decerto mais de 71%, continuam a apoiar as direções e unidos para o bem comum, os seus clubes e respectivo sucesso desportivo.

Voltando ao que interessa, o Sporting e o seu futuro, é com enorme tristeza que vejo um excelente trabalho da anterior direcção ser apagado e ouvir alguns “notáveis” dizer barbaridades como o Sporting enfrentar o período mais negro da sua história. Será que toda esta gente é assim tão Sportinguista? Porque eu lembro-me e bem do que foi o mandato do Eng. Godinho Lopes e do estado em que ficou o clube aquando da sua demissão.

Passa o Sporting por dificuldades financeiras graves? Passa, mas que foram herdadas de uma dinastia de “notáveis” que quer o clube para si, pouco ou nada preocupados com quem ama verdadeiramente o clube e amando sim outro tipo de greens. Acedendo aos relatórios de contas dos últimos 10 a 15 anos é possível observar o que foi verdadeiramente uma gestão danosa e não há nenhuma Mesa da Assembleia Geral que possa fazer esquecer tudo isto. Os verdadeiros sócios não o esquecem, tenham isso como ponto assente.

Actualmente, o Sporting voltou a lutar por títulos – perdendo alguns deles por erros de gestão da direcção e das equipas técnicas – e é de novo a maior potência desportiva nacional, facilmente comprovado através dos títulos nas mais diversas modalidades e onde o Pavilhão João Rocha, construído no mandato de BdC, se revelou a nossa arma secreta.

Está o Sporting no ponto desportivo em que deveria estar? Não, não está. O futebol será sempre uma modalidade com muito maior peso que todas as outras e nesse aspecto o projecto falhou e as culpas devem ser imputadas a quem de direito. Para mim, Bruno de Carvalho tem parte da culpa no processo e acredito que sabe isso.

Porém, o ex-presidente do clube não é quem muitos (demasiados até) querem parecer ser e devem ser dados créditos pela reestruturação do clube que a sua direcção levou a cabo.

Esta época será decisiva para o futuro do clube e afigura-se uma época complicada, onde voltaremos a lutar por um lugar no pódio em detrimento de um título que já foge há demasiado tempo. Pior ainda, temo que os próximos anos voltem a ser negros, de uma espiral negativa em que o Sporting será dos Josés Maria ou de algum dos seus Sobrinhos.

A queda do número das Gamebox já é um exemplo das nuvens que existem no horizonte e acredito que esses mesmo números serão muito superior aqueles lançados por quem agora gere o Sporting indicou e, ou voltarão os convites e bilhetes de borla, ou o clube irá sentir um rombo pesado nas suas receitas de bilheteira, gerando ainda mais problemas nas economias do clube.

Fonte: Twitter Tu Vais Vencer

Hoje, e com a entrada de Carlos Vieira em cena, ganho um pouco mais de esperança para o futuro. Será tremendamente complicado para Vieira sair do rótulo “BdC”, e mais difícil será ainda combater esta Comissão de Gestão e o ataque óbvio que os restantes candidatos irão fazer ao seu passado no clube. Outra questão a ter em conta é a possibilidade de tanto CV como BdC ainda serem suspensos de sócios do clube por esta Comissão.

Se tudo continuar assim, creio que Carlos Vieira levará os meus votos. Confio no seu trabalho, Sportinguismo e capacidade de gestão financeira para continuar a tirar o Sporting “do buraco”. Vejo como potencial ponto negativo a incógnita que é a capacidade para gerir o clube no seu todo e não só na parte financeira, mas acredito que será capaz de rodear de elementos que serão mais-valias nestes seus “defeitos”.

Ao que interessa, o Sporting, apenas quero citar uma frase de George R.R. Martin: “I vow that you shall always have a place by my heart (…) and pledge to ask no service of you that might bring you into dishonor. I swear it by the old gods and the new. Arise”.

Triste fado o do meu Sporting, onde o seu pior rival está do outro lado… do espelho.

Foto de Capa: Sporting CP

artigo revisto por: Ana Ferreira

Vítor Miguel Gonçalves

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