Deuses Novos ou fé no Espírito Santo?

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Ponto prévio: não fui à AG de destituição de dia 23 de Junho. Não pago as minhas quotas de sócio do Sporting desde Abril e não o tenciono fazer nos próximos tempos; pelo menos até a Comissão de Gestão em funções explicar aos sócios se o dinheiro da quotização continuará a ir para as modalidades e não, por exemplo, para uma Sporting TV que depois está em directo do seu próprio estádio usando imagens de outra estação televisiva.

Também, e pela primeira vez em seis anos, não renovei a minha Gamebox; apesar de ser o Sporting a jogar no José de Alvalade, este “Novo Sporting” não será o meu Sporting, por muito que me custe dizê-lo e admiti-lo. Quando penso em novo associo a um banco em concreto, um dos seus gestores e outro personagem que de lá tirou milhões, e qualquer falência de BdC é childs play comparado com o que esse gestor ou qualquer filho de seu irmão fez ao leme desse banco, levando-me quase a rezar à Santíssima Trindade que nunca isso aconteça no meu Sporting.

Provavelmente, para 71% dos sportinguistas, tudo o que acabei de dizer levará a uma simples conclusão: “Tu não és Sportinguista, és um Brunista e vives com os olhos tapados”.

Compreendo quem siga esta linha de raciocínio, é perfeitamente legítimo que se pense dessa forma. Contudo, se as eleições fossem hoje (e se estivesse habilitado a votar), dificilmente iria votar em BdC, e a razão é simples: o Bruno de hoje não é o mesmo de 2013. Seja por cansaço psicológico – burnout segundo alguns – seja pela teimosia extrema ou por querer travar sozinho todas as batalhas do Mundo, investindo qual Don Quixote contra os moinhos de vento, BdC acabou por cometer erros graves de gestão. Elogiarei sempre o trabalho que desempenhou à frente do meu clube, mas acredito que neste momento a solução não poderá ser um regresso, porque será uma perpetuidade deste clima de guerra interna no Sporting, e que infelizmente só neste clube acontece.

O Pavilhão João Rocha foi um dos bons trabalhos de BdC
Fonte: Sporting CP

Um pequeno aparte: poucas são as coisas que invejo nos dois rivais do Sporting, mas gosto de pensar no que seria o Sporting se existisse uma união e um objectivo comum a todos os Sportinguistas como existe no SL Benfica e no FC Porto. Nesses rivais, já existiram ou ainda existem casos de corrupção desportiva e até judicial, em que as evidências foram/são demasiado fortes para que não se perceba que, em algum nível, esses clubes (ou pessoas relacionadas com o mesmo) cometeram crimes e assim ganharam uma vantagem dentro de campo derivada dessas mesmas acções criminais. Ainda assim, a quase totalidade dos adeptos, decerto mais de 71%, continuam a apoiar as direções e unidos para o bem comum, os seus clubes e respectivo sucesso desportivo.

Voltando ao que interessa, o Sporting e o seu futuro, é com enorme tristeza que vejo um excelente trabalho da anterior direcção ser apagado e ouvir alguns “notáveis” dizer barbaridades como o Sporting enfrentar o período mais negro da sua história. Será que toda esta gente é assim tão Sportinguista? Porque eu lembro-me e bem do que foi o mandato do Eng. Godinho Lopes e do estado em que ficou o clube aquando da sua demissão.

Vítor Miguel Gonçalves
Vítor Miguel Gonçalveshttp://www.bolanarede.pt
Para Vítor, os domingos da sua infância eram passados no velhinho Alvalade, com jogos das camadas jovens de manhã, modalidades na nave e futebol sénior ao final da tarde.

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