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E o mate?

Rúben Lourenço Nunes · 2 min

E o mate?
Aos fiéis só peço que nunca fiquem em casa Fonte: Sporting CP

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Jorge Jesus disse que o Sporting CP já tinha feito xeque aos seus rivais, ficando apenas a faltar o mate. A referência ao xadrez veio de um estratega nato, de alguém que valoriza os mind games e que sabe exatamente, como e quando, fazer uso deles. Acontece que para jogar xadrez são precisos dois, e Rui Vitória sentou-se do outro lado do tabuleiro, mais relaxado do que das últimas três vezes, imbuído numa forte nuvem de confiança pelos resultados obtidos nos últimos encontros.

Na primeira parte, o SL Benfica mostrou que estava no dérbi para ganhar e taticamente foi extremamente competente, anulando por completo o jogo interior verde e branco e pressionando o portador da bola.

Claro que a segunda parte foi bastante distinta e nem valerá a pena argumentar acerca da superioridade leonina e das muitas ocasiões desperdiçadas, por aqueles que têm sido os melhores jogadores do Sporting CP esta época. Após o apito final, o público dividiu-se entre aplausos e alguns assobios envergonhados, que depressa acabaram abafados pelos gritos de apoio aos jogadores leoninos.

Foi um mau jogo de xadrez. A estratégia de Jesus estava lá toda, mas Rui usou os cavalos para defender o rei, sacrificou alguns peões (Jonas e Renato) que pouco deram ao jogo, e no fim levou a vitória, arrancada a ferros e com muita polémica à mistura. Jesus perdeu-se nas apostas, perdeu-se naquela que sempre foi uma teimosia sua: os jogadores que “ele contrata” têm de jogar. Isso é ponto assente.

Como tal, Bruno César e Teo foram utilizados, e, correndo o risco de ser deselegante, não aprecio as qualidades futebolísticas de nenhum dos dois. O primeiro tem uma boa meia distância, que não lhe serve de muito, quando joga nos flancos. Não é particularmente rápido nem tem o jogo de rins necessários para confundir os defesas.

Teo Gutiérrez continua a não convencer Fonte: Sporting CP
Teo Gutiérrez continua a não convencer
Fonte: Sporting CP

O segundo, bem, é ainda mais flagrante. Um jogador evoluído tecnicamente, veloz, finalizador, mas que chegou ao Sporting CP e rapidamente fomos dar com ele a dizer que não tinha a certeza sobre se queria ficar. Não tem alegria, é displicente, e chega a fazer roer as unhas aos mais calmos. Montero era muito mais!

Podíamos discutir também a ausência de Gelson ou até mesmo a entrada de Schelotto. Até posso fazer um esforço para tentar compreender: Jesus queria entrar pelo lado de Eliseu, desgastado e facilmente ultrapassável. Reforçou o lado direito com esse intuito, mas talvez fosse já tarde de mais.

Posto isto, é preciso devolver a confiança a Bryan Ruiz, um “senhor” que temos o prazer de ver desfilar pelos relvados portugueses. Urge levantar a cabeça, corrigir erros mas, acima de tudo, ter a consciência tranquila, porque, da bancada, fiquei com a certeza de que os nossos jogadores fizeram de tudo para levar de vencida uma equipa, que no sábado foi pequena.

 Foto de Capa: Sporting CP

Rúben Lourenço Nunes

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