“Fator Jesus” durou uma época em Alvalade

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Os números impedem-nos, por vezes, de divagar sem rei nem roque, ao sabor das convicções mais ou menos enraizadas de cada um. A sua frieza, temos que o admitir, é como o algodão: não engana.

Quando analisamos “à lupa” a diferença entre o número de golos marcados e sofridos da equipa do Sporting CP nas duas épocas antes da entrada de Jorge Jesus (2013-14 e 2014-15) e nas duas épocas sob o seu comando (2015-16 e 2016-17), o que concluímos?

Na época 2013-14, a equipa de Alvalade ficou em segundo lugar com 67 pontos, ficando o Benfica em primeiro com 74. O número de golos marcados e sofridos da equipa de Leonardo Jardim (o técnico dos leões nessa altura) foram 54 contra 20 sofridos. O registo da equipa melhora consideravelmente na época seguinte, já com Marco Silva no comando.

Apesar da posição no campeonato ter sido um terceiro lugar, a equipa melhorou no rácio golos sofridos / golos marcados: 67 golos marcados no campeonato nacional contra 29 sofridos. Ou seja, a equipa aumentou em 13 os golos marcados relativamente à época transata mas, é facto, aumentou também o número de golos sofridos, que foram mais nove.

A defesa do tetracampeonato, conquistado em 2016/2017, arrancou com um teste exigente, fora de casa, perante um adversário que tem ganho bastante destaque nos últimos anos. Frente ao renovado SC Braga, orientado por Abel Ferreira e com muitas novidades, o SL Benfica deu conta do recado, com uma excelente exibição de Jonas, que marcou e assistiu, e os apontamentos finais de Salvio e Seferovic, que também fizeram o gosto ao pé.
Infelizmente, esta temporada não correu de feição para o conjunto de Rui Vitória, que não conseguiu revalidar o título, mas a vitória no primeiro jogo frente a um dos quatro grandes do futebol português marcou o bom arranque numa das temporadas mais desafiantes dos últimos anos.

Peseiro tem mostrado garra ao comando do Leão. Mas como será a eficácia da equipa esta temporada?
Fonte: Sporting CP

Com a chegada de Jorge Jesus a Alvalade (época 2015/16) a equipa do Sporting bate, de facto, um recorde relativamente ao que tinha registado até então: chega, nessa época, aos 79 golos marcados contra 21 sofridos, ou seja, marca mais 12 golos do que a época anterior e diminui o número de golos sofridos em oito. É obra! Que JJ revolucionou a forma de jogar do Sporting, disso não existem dúvidas. Mas estes números dão-nos alguma lucidez sobre a eficácia do seu futebol.

No entanto, tudo isto foi sol de pouca dura: em 2016-17, a equipa perde 11 golos marcados relativamente à época anterior, ainda que tenha diminuído o número de golos sofridos para menos dois em relação a 2015-16; a época 2017-18 conhece ainda um declive maior, diminuindo o número de golos marcados para cinco e concedendo mais 12 golos sofridos. É caso para dizer que o impacto do “fator Jesus” durou só uma época em Alvalade.

Recaem, por isso, grandes expectativas sobre a equipa do Sporting agora liderada por José Peseiro. E, por muito que se escreva, fale ou opine, o que faz uma boa época numa equipa é sempre o resultado entre marcar o maior número de golos possíveis na baliza contrária e impedir que a equipa os sofra na sua. A ver vamos como é que o Sporting 2018-19 se vai comportar neste domínio.

Foto de Capa: Sporting CP

Simão Mata
Simão Matahttp://www.bolanarede.pt
O Simão é psicólogo de profissão mas isso para aqui não importa nada. O que interessa é que vibra com as vitórias do Sporting Clube de Portugal e sofre perante as derrotas do seu clube. É um Sportinguista do Norte, mais concretamente da Maia, terra que o viu nascer e na qual habita. Considera que os clubes desportivos não estão nos estádios nem nos pavilhões, mas no palpitar frenético do coração dos adeptos e sócios.                                                                                                                                                 O Simão escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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