Última horaRevelação: Grande desejo de Joan Laporta é contratar ex-Sporting para o Barcelona
Publicidade

Formação vencedora ou formação de vencedores?

Nuno Almeida · 3 min

Formação vencedora ou formação de vencedores?
Foto: Sporting CP

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

A questão é antiga e a resposta perfeita seria formar vencedores habituados a vencer desde a formação.

A verdade é que apenas uma pequena percentagem das crianças, que começam a praticar futebol nas escolas dos clubes formadores, conseguirão fazer carreira profissional. E desses, ainda se torna menor o grupo dos que chegam a equipas séniores que lutam por títulos nacionais e internacionais.

O Sporting tem uma das melhores academias do mundo a formar jovens aspirantes a uma carreira no futebol, e na maior parte das épocas desportivas é dos clubes que mais jovens da formação integra na equipa sénior. Ainda assim, apenas dois ou três conseguem fixar-se nas opções regulares do treinador. Ou seja, mesmo sendo um dos clubes que mais aposta nos jovens, consegue apenas dar oportunidade a uma ínfima percentagem de atletas de uma geração, tendo que encontrar soluções para todos os outros, como, por exemplo, empréstimos, dispensas, havendo mesmo os que desistem do sonho e seguem outros caminhos profissionais.

O que quero dizer com isto é que mesmo uma equipa que seja campeã na formação pode não se refletir numa carreira de sucesso para a maioria desses campeões. E se há alguém que percebe melhor essa realidade é o Sr. Aurélio Pereira, que há uns tempos afirmou ou relembrou que Luís Figo e Cristiano Ronaldo não foram campeões em Juvenis ou em Juniores, e mesmo assim chegaram a Bolas de Ouro. Ou seja, a ideia que fica é que, apesar de ser sempre melhor ganhar, a falta de títulos na formação pode não significar que o trabalho tenha sido mal feito, até porque a boa formação não incide apenas na vertente técnico-táctica do futebol, procura também formar homens, tentando passar valores que os ajudem a ser melhores em termos sociais e profissionais independentemente da carreira que decidam seguir no futuro.

Bem sei que os adeptos e sócios do Sporting apenas se preocupam que o seu clube encontre e forme os melhores jogadores, mas se eu pensar como seria se tivesse os meus filhos nessa situação, preferiria que a sua formação os preparasse para ganhar, mas essencialmente para conseguir superar as derrotas, porque quando se ganha é fácil. Difícil é mostrar a crianças que se perderem não acaba o mundo ali, e que no futuro haverá muitas outras coisas para conquistar. E se não for no futebol, será onde eles descobrirem que são os melhores para as suas capacidades. Formar é também ajudá-los a encontrar o seu caminho, o que os fará mais felizes e realizados.

Sporting
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Esta competitividade desenfreada que hoje existe, e se passa às crianças desde tenra idade, forma homens dos que não conseguem respeitar que outro possa vestir uma camisola de cores diferentes à sua, e que mesmo vendo uma criança a chorar de tão assustada, não conseguem parar de gritar e dizer as mais indecorosas barbaridades. E essas crianças vão crescer a achar que aquela é a forma correcta de agir e reagir.

Hoje em dia a pressão de ganhar obriga as crianças a não ter infância. Deixam de ter direito a divertir-se a jogar futebol. Ele/Ela tem de ser a melhor. E isso acontece porque, como também disse o Sr. Aurélio Pereira, cada pai que vive esta realidade passa a achar-se um “Jorge Mendes” que tem em casa um “Cristiano Ronaldo”. Depois, expectativas demasiado altas podem provocar enormes desilusões difíceis de aceitar para os pais, mas principalmente para os filhos que acham que não vão conseguir ser o orgulho dos pais, ou que não vai conseguir ter sucesso no futuro.

Ou seja, a formação vencedora é a que prepara as crianças para serem vencedores no ramo de actividade que decidam exercer as suas melhores capacidades, seja ela futebol ou não. E que saibam vencer, mas principalmente dar a volta às derrotas que a vida se vai encarregar de lhes proporcionar.

Nuno Almeida

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Resto do Mundo

Harry Kane deixou o trabalho falar até o sucesso fazer barulho

Foi dispensado por ser “gordinho”, percorreu as divisões inferiores por empréstimo e passou grande parte da carreira a ser alvo de chacota e a ouvir que lhe faltavam títulos. Aos 33 anos, Harry Kane chegou ao topo do futebol mundial. A Bola de Ouro não podia assentar melhor nas mãos de um gentleman. “Work hard in silence. Let success be your noise.” Poucas horas depois de conquistar a Bola de Ouro, Harry Kane escolheu esta frase para assinalar o momento nas redes sociais. 

Tiago Campos · 7 min de leitura
Ler a crónica
Opinião

A arte do futebol sem bola

Há jogadores que decidem jogos com um golo, guarda-redes que os salvam com uma defesa impossível e defesas que garantem vitórias com um corte no último segundo. São momentos que ficam na memória, mas que raramente contam toda a história de um jogo, até porque, antes de a bola chegar à área, há um setor onde muitas das decisões fundamentais são tomadas. O futebol mudou ao longo dos anos, com métricas e escolas de treinadores que olham para o meio-campo como parte essencial do sistema. Os sistemas táticos mais comuns como 4-3-3 e o 4-2-3-1 continuam presentes, mas as posições são cada vez menos rígidas, os jogadores adaptam-se mais facilmente a vários papéis e torna-se tudo mais fluído. Esta nova geração de treinadores tem explorado precisamente esta flexibilidade.

Francisca Marafona Graça · 3 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.