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Frente a Frente: Gudelj vs Doumbia

Romão Rodrigues · 2 min

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Num espectro de duas dezenas de anos, nomes como Paulo Sousa, Aldo Duscher, Vidigal, Oceano e Miguel Veloso ocuparam a posição que resguardava a defesa e que construía frutiferamente cada ataque. Sacrificavam-se nos duelos a meio campo, combatendo de modo aguerrido e devoto, em detrimento do protagonismo confinado a estrelas maiores. Heróis invisíveis é o termo apropriado e preciso.

Findada a época transata e fuga de William Carvalho para Sevilha, que se manteve fidelizado com a listada verde e branca, o Sporting Clube de Portugal ingressa no mercado com a finalidade de colmatar tamanha perda. Avizinhavam-se tempos nostálgicos!

O empréstimo de Stefano Sturaro, por parte da “Vecchia Signora”, provocou, no reduto leonino, ânimo e alguma euforia. Porém, o italiano, movido ao estilo de Frank Rijkaard, não somou qualquer minuto, tanto no seio das quatro linhas como em Lisboa. Entretanto, Battaglia lesionava-se gravemente e era carta fora do baralho para 2018/2019.

Deste modo, Nemanja Gudelj era o eleito para a missão árdua e espinhosa, apesar de não ser um «seis» original. A comunicação social afirmava ser um “bombista” e a expectativa gerava-se em Alvalade. Contudo, o clima de êxtase esvai-se fugazmente: o sérvio, apesar de não possuir sentido posicional e de recorrer frequentemente à falta, cumpre defensivamente, desarmando a maior parte dos duelos no qual está inserido, é moderadamente veloz na procura da bola e possante nos confrontos individuais e no jogo aéreo; não obstante, apresenta debilidades ofensivas gritantes pelo facto de não ter a capacidade de teleguiar um passe de rotura ou uma variação de flanco, impedindo a construção de ataques mais eficazes e demolidores.

Além disto, a incapacidade para driblar um adversário, a lentidão no transporte de bola e a incompetência na hora de alvejar a baliza, amedrontam qualquer apreciador do desporto rei. Afinal, o defeito pertencia à comunicação social! Até à data, o sérvio somou um total de 2703 minutos sem qualquer golo marcado, vencendo a 12ª edição da Taça da Liga.

O sérvio tem sido um dos intocáveis de Keizer
Fonte: Sporting CP

A não persuasão dos adeptos leoninos e a constante inanição do meio campo verde e branco conduziu, novamente, à demanda de um seis puro. Idrissa Doumbia, que atuava nos russos do Akhmat Grozny, foi um dos reforços de inverno, estreando-se diante da formação sadina e, apesar do empate, deixou melhores garantias. Mais ágil e veloz, imperial no sentido posicional, agressividade e classe numa amálgama que o tornam superior a Gudelj no contacto com o adversário e no roubo de bola sem falta. Ofensivamente temerário, atrevido na condução de bola, mas sem o ímpeto para alvejar, fora da área, as balizas adversárias e sem o fulgor necessário para incitar à desmarcação de um companheiro de equipa, pecando na construção da verticalidade leonina.

Veredicto: Nemanja Gudelj não é capaz de convencer o público de Alvalade e, a meu ver, não possui a qualidade necessária para singrar como patrão do meio campo leonino. Por sua vez, hipoteticamente (visto que o fetiche de Marcel Keizer permanece inalterável), o facto de o costa-marfinense jogar com regularidade poderá surtir o efeito esperado, depositando confiança na irreverência da juventude de modo a reduzir e evitar alguns dos problemas bem visíveis. Mister, “quem não arrisca, não petisca”!

Foto de Capa: Sporting CP

artigo revisto por: Ana Ferreira

Romão Rodrigues

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