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“Gosto muito de você, leãozinho”

Romão Rodrigues · 2 min

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Caro leitor, as linhas que se avizinham narram uma história de amor platónico. Amor à primeira vista, mesclado com fascínio e perplexidade. Raios de luz incandescentes sobre a visão frágil que possuo. Encanto hierático!

Guimarães, algures em 2017. Fase final do campeonato de juniores de então. Sporting Clube de Portugal volvia ao terreno (sempre fatigante) do Vitória Sport Club. No cômputo, o corolário denotou a única objeção no trilho calcorreado até ao garante do título (derrota por 1-0). Porém, a análise meticulosa do jogo proporcionou a emergência da sumptuosidade futebolística representada por Daniel Bragança.

Ao meu lado, localizavam-se dois olheiros espanhóis. Apesar de não decifrar o castelhano na íntegra, a perícia característica das minhas deduções e da minha audição outorgou a assimilação de toda a informação que estava a ser discutida. Ali, germinou o “ciúme” salubre pelo facto de, mesmo que não fosse vontade minha, era imputado a “partilhar” tal divindade com os demais semelhantes.

O jovem médio é uma das maiores esperanças para o futuro leonino
Fonte: Sporting CP

A unanimidade percorreu o espaço confinado ao público presente. Toda a gente permaneceu, do primeiro ao último minuto, embebida na qualidade vivaz e jovial de um (já) senhor das quatro linhas. A visão de jogo dimensionava a atmosfera no patamar mais elevado, a inteligência expandia as fronteiras da realidade, o passe primava o rigor e a minúcia, o remate descrevia rotas atlântico-pacíficas. Vassalagem jamais prestada ao adversário, devoção e ânsia de vencer estampadas no rosto impávido e sereno. Transpiração vincada, odor fétido simbolizado no esforço colossal realizado.

No regresso a casa, não obstante o fracasso exibido pelo coletivo, o cenário de espanto não se alterou. A curiosidade apoderou-se da minha índole e, com frequência, era espectador (quase sempre) assíduo do internacional sub-20 até à evasão recente para Faro. Quer na equipa de juniores, quer na equipa dos sub-23, o médio defensivo corroborou a classe que lhe pertence, nacional e internacionalmente: em ambas as formações, assumiu o estatuto de pedra basilar, muralha edificada no meio campo leonino, corporificando e tonificando todo um quarteto defensivo, exprimindo, simultaneamente, a génese assaltante e aniquiladora do “inimigo”, a criação atacante em todo o seu esplendor.

Caetano Veloso, efígie da música luso-brasileira, ortografou a ilustre melodia do leãozinho. No espectro existencial, a adequação é perfeita e, por isso, “gosto muito de te ver, leãozinho/caminhando sob o sol”: contudo, a maturidade conquistada ao longo de tenra idade, transforma-o no Rei da Selva com a juba devidamente aprumada. A Daniel Bragança é suplicada a presença no plantel principal. Produto oficial da Academia de Alcochete. Garantia eterna. Sonho concretizado. Mais o meu que o do supracitado, obviamente, “para desentristecer, leãozinho/ o meu coração tão só/ basta eu encontrar você no caminho”.

Foto de Capa: Sporting CP

Romão Rodrigues

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