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Haverá “timing” ideal para as referências saírem?

Nuno Almeida · 4 min

Os leões estão a um passo de alcançar a tão desejada Liga dos Campeões <br> Fonte: abancadanascente.blogspot.com

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A pré-época de futebol começou para o Sporting, com o objectivo de preparar a equipa para o play-off da Champions League.

Os primeiros testes, apesar de mostrarem muitas arestas por limar, mostram já alguma qualidade na troca de bola, na pressão à perda da mesma, e algum entrosamento entre jogadores de grande qualidade que temos no nosso plantel. Tudo isto me faz ter muita confiança para a próxima época, que aumenta ainda mais se pensarmos que falta chegar a nossa espinha dorsal, os nossos capitães acompanhados da mais recente pérola da academia Sporting.

No meio deste optimismo surge a ansiedade por perceber quem, dos internacionais, ficará no plantel. Saia um, dois ou três, a equipa ficará sempre mais fraca uma vez que se tratam dos três capitães da equipa juntamente com o nosso maior desequilibrador. São jogadores que cresceram dentro do Sporting, que carregam os valores do clube, e podem transmitir aos mais novos e aos de fora o que significa representar este clube, e o que os adeptos esperam deles.

Existem interessados para a contratação dos três capitães do Sporting CP Fonte: Cortina Verde
Existem interessados para a contratação dos três capitães do Sporting CP
Fonte: Cortina Verde

Por mim ficariam os quatro. Mas isso sou eu que desejo apenas ter os melhores jogadores na minha equipa. E com melhores não quero dizer os que custaram dez, quinze, ou vinte milhões, quero dizer os que sentem o clube e lutam por ele até ao fim.

Esta minha vontade não deixa, no entanto, de ser egoísta, uma vez que, apesar destes jogadores já se encontrarem no melhor clube do mundo, existem outros que têm mais poder financeiro (sim, porque a qualidade de um clube não se mede pelo dinheiro que tem – o que é relativo se depois analisarmos o tamanho da sua dívida – mas pelos valores que defende e pelos quais se rege) e que lhes podem proporcionar um maior conforto para o resto da sua vida. Entendo por isso que alguns destes jogadores, todos eles por diferentes razões, tenham a ambição de melhorar as suas vidas profissionais, aparecendo à cabeça Adrien por ser o que tem menor margem de manobra pela idade que tem, podendo considerar ser a altura ideal para abraçar outro projecto, ainda que menos ambicioso, mas mais vantajoso.

Quanto ao “timing” para venda, li há uns dias que o Sporting quereria manter os jogadores até ao final do play-off da Champions League, e que só depois os libertaria. Ora isto pode trazer vantagens desportivas para o clube, mas dificilmente as terá para os jogadores que venham a sair. É que, ao jogarem o play-off pelo Sporting deixam de poder contar como trunfos nas competições europeias que o seu futuro clube venha a disputar. Isto cria dois cenários.

Como primeiro cenário, o Sporting consegue vender o jogador pelo preço que pretende a um dos maiores clubes europeus (ou que dispute as competições europeias), sem que este se preocupe em ter um activo que possa jogar apenas internamente. Ora este cenário não me parece fácil de concretizar uma vez que um grande clube só pagará bem por um jogador que possa ser uma mais valia em todas as competições onde participe.

Não os podendo vender aos grandes clubes, terá que vender aos de segunda linha, com um pouco menor capacidade financeira, e menos atractivos para os jogadores. Neste cenário, o Sporting não poderia ser intransigente quanto ao valor da cláusula a pagar, e poderia perder dinheiro.

Gelson Martins é o mais novo dos que estão de férias, mas o que terá mais interessados na sua contratação Fonte: www.espnfc.com
Gelson Martins é o mais novo dos que estão de férias, mas o que terá mais interessados na sua contratação
Fonte: www.espnfc.com

Isto leva a um dilema. Ou a direcção arrisca manter os jogadores por mais tempo para tentar alcançar a fase de grupos da liga dos campeões, com os milhões que isso acarreta, ou arrisca a vendê-los antes, possibilitando uma lista mais abrangente de clubes com capacidade de pagar as cláusulas.

Ambos os cenários terão vantagens e desvantagens para o clube, não esquecendo, no entanto, também as ambições e pretensões dos jogadores que, trocando o seu clube de coração, será sempre por um dos colossos Europeus. Eu preferiria sempre manter os jogadores, até porque me preocupo mais com o aspecto desportivo. Para os que preferem discutir quem vendeu o jogador mais caro do futebol, aí terão outras opiniões. Em favor de os jogadores poderem querer sair está a possibilidade de poderem jogar em campeonatos em que não esteja tudo pré-estabelecido à partida, dando mais emoção e motivação ao jogo.

Por mim, destes que ainda não integraram os trabalhos, saia quem sair, fará falta. No entanto não os condeno por quererem melhores condições financeiras para si e para os seus. Aos que saírem quero apenas agradecer o facto de terem lutado pelo meu clube, serem do meu clube, e exclusivamente aos capitães, agradeço por nos terem proporcionado o orgulho e gosto de termos a jogar na nossa equipa três campeões da Europa.

Fonte de capa: abancadanascente.blogspot.com

Nuno Almeida

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