Keizer e o banco de suplentes: uma relação confusa

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Durante uma partida de futebol são vários os momentos de jogo que decorrem, sendo que existem alturas para atacar, outras para defender ou até mesmo para manter a posse de bola com o objetivo de comandar o rumo da partida de forma a obter um resultado favorável. Mas, quando um resultado não interessa a uma determinada equipa, o treinador da mesma é obrigado a “mexer” com o jogo, alterando por isso os tais momentos. Nesse contexto, o banco de suplentes é uma ferramenta essencial para os treinadores, porque por um lado, podem ser convocados jogadores com características diferentes dos que alinham no onze inicial, surpreendendo o adversário, mas o banco é útil também na parte física dos jogadores, “refrescando” assim a equipa em zonas onde, devido ao desgaste de um jogo de futebol, os jogadores não apresentam o rendimento necessário, desequilibrando a equipa.

Analisando os quatro primeiros jogos para o campeonato da equipa leonina, é fácil concluir que Marcel Keizer não tirou o melhor proveito do seu banco de suplentes, pois todas as substituições que efetuou foram para lá do minuto 70. Isso permite que as equipas adversárias se adaptem ao esquema tático implementado pelo treinador para o jogo, o que cria dificuldades em conseguir “fechar” o resultado, deixando a própria equipa mais instável porque com uma vantagem de um golo, basta um erro defensivo – que acontece a qualquer jogador, independentemente da qualidade – para a obtenção de um ponto em vez dos preciosos três pontos.

No último jogo em Alvalade, contra a equipa do Rio Ave, a turma leonina teve muito mérito em consumar a reviravolta no marcador com dois golos resultantes das dinâmicas que existem entre os jogadores. Contudo, o cansaço foi-se acumulando e Marcel Keizer não conseguiu perceber que era necessário dar novo fôlego ao setor atacante, fundamental na primeira fase defensiva de qualquer equipa. Simplesmente deixou o tempo correr, com a esperança de não sofrer mais nenhum golo, em vez de efetuar substituições com o intuito de marcar o terceiro golo e fechar o resultado. Em vez disso, retirou Luciano Vietto, o que fez todo o sentido pois o jogador estava esgotado fisicamente, mas em vez de colocar outro elemento atacante preferiu subir Acuña – que teve um jogo bastante exigente do ponto de vista físico – e lançou no jogo Cristián Borja, um elemento que não oferece a qualidade necessária ao setor ofensivo.

A inoperância do holandês durante as partidas exasperava as bancadas de Alvalade
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Tal substituição só se percebe se o objetivo fosse defender o resultado, mas com uma vantagem de apenas um golo, a equipa adversária teria sempre motivação para alcançar, pelo menos, o empate. Como tal, irá haver ainda mais sobrecarga na defensiva leonina e Sebastián Coates foi a maior vítima desse mesmo desgaste, proporcionado pela incompetência do treinador em manipular os momentos do jogo. Se o Sporting fosse a jogo sem qualquer elemento para o ataque, a decisão de Keizer era tolerável, mas com Rafael Camacho e Gonzalo Plata no banco, a substituição não fez qualquer sentido.

Todavia, as lacunas do treinador leonino, em relação ao banco de suplentes, não se ficam por aqui, porque para além de tardias, Marcel Keizer nem sempre efetuava as três substituições a que tem direito e tal facto só demonstra que não se preocupa com a carga física dos jogadores, porque se as substituições servem para “mexer” com o jogo quando os jogos correm mal, a verdade é que também servem para quando os jogos correm bem, de forma a manter o ritmo da partida.

Em jeito de conclusão, a má utilização do banco de suplentes foi um dos motivos que levou ao despedimento de Marcel Keizer e todos os sportinguistas devem esperar que Leonel Pontes tenha mais atenção neste aspeto, porque esta época adivinha-se longa e muito desgastante. Tendo em conta os reforços de “última hora” que chegaram e os jogadores que já estavam no plantel, o Sporting irá ter um bom banco de suplentes que terá de ser usado da melhor maneira, de forma a que o clube leonino consiga obter resultados positivos até maio.

Foto de Capa: Sporting CP

Revisto por: Jorge Neves

João Flora
João Florahttp://www.bolanarede.pt
O João é estudante de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. O Sporting é o seu clube do coração e apesar de não ir a tantos jogos como gostava, acompanha sempre tudo o que envolve o mundo leonino. O João também se mantém informado não só sobre o futebol internacional, considerando o futebol Inglês o melhor, mas também como as modalidades leoninas.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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