O dia em que o Sporting foi maior que o maior da Europa

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O Sporting venceu o PSG na Champions League. Há frases que não precisam de grandes floreados para serem especiais.

Ser tão grande como os maiores da Europa, um dos objetivos a que o Sporting se propõe, não basta para expressar aquilo que os leões fizeram em Alvalade diante de uma equipa que, há menos de um ano, goleava o Inter Milão para conquistar a primeira Champions League da sua história. Por mais beliscos que se possam dar, é mesmo verdade: o Sporting venceu o PSG.

A história fica ainda mais surpreendente ou bonita, porque os dois conceitos se confundem facilmente, quando se olha à extensão da lista de ausentes no lado do Sporting. Em todos os setores, dos centrais ao meio-campo ou ao tridente que suporta um avançado que não tem suplente, havia baixas de peso a colmatar. O PSG também as tinha, é certo, mas em menor quantidade e preponderância.

De resto, é relativamente comum quando um resultado tal acontece tentar olhar para o adversário para encontrar justificações para uma vitória que causa surpresa. Há lesões, há golos anulados, há ineficácia, há qualquer outra condicionante que, por momentos, se parece sobrepor ao mérito de quem parte atrás e que se consegue superiorizar. É claro que as há. Se partíssemos do princípio de que tudo correria bem ao PSG, era óbvio que o Sporting, por mais perfeito que fosse o jogo, cairia perante a diferença de qualidade individual.

Nuno Mendes Geny Catamo Sporting PSG
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

O ponto de partida admite sempre erros ou fragilidades até porque estas são impossíveis de camuflar. Disse Luis Enrique depois do jogo que «O futebol é um desporto de m****». É verdade, Luis. Mas no outro lado da moeda, também é o mesmo futebol que desperta as mais radiantes emoções que o corpo de qualquer ser humano consegue suportar. E ambos são legítimos ao fim de 90 minutos. Desta vez, foi o Sporting a sorrir.

Há méritos evidentes que precisam de ser dados aos leões, a Rui Borges e aos seus jogadores. Mesmo com tamanhas ausências, o Sporting conseguiu ser defensivamente sólido e tinha um plano estruturado para atacar. O 2-1 não foi obra do acaso ou mera sorte. Foi uma recompensa ao trabalho feito dentro de campo para limitar as armas do PSG.

Defensivamente, foram poucos os lances de real perigo que o PSG criou. Houve os golos anulados, mas até nesses há mérito a ser dado à linha defensiva leonina que se mostrou coordenada ao longo do jogo. O Sporting procurou espalhar-se em campo, mas, simultaneamente, ser capaz de agrupar o bloco.

Rui Silva Sporting
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Não foi preciso estacionar um autocarro à frente da baliza de Rui Silva para defender bem, bastou colocá-lo a duas mudanças e ir andando para a frente e para trás, consoante a bola ia andando nos pés dos jogadores do PSG. Quando este estava colocado mais atrás, houve exibições importantes a aparecer.

Rui Silva não fez um jogo da evidência daquele com que resgatou um ponto em Turim. Não há highlights que contemplem a serenidade com que viu bolas cruzar a área e com que foi segurando a equipa quando todos os últimos recursos falhavam. Transparece tranquilidade o que, num guarda-redes de equipa grande, é fundamental. À sua frente, houve uma exibição de antalogia de Matheus Reis, um central improvisado que se fartou de defender bem. Na defesa da área onde, teoricamente, não é tão forte, deu um recital. Soube deixar Ousmane Dembélé voar para outros lados sem desmontar a linha defensiva, mas também soube soltar-se quando havia chance de vencer o duelo. Tremendo jogo fez o central, lateral ou qualquer outra definição que se aplique ao brasileiro.

Com bola, o Sporting tinha um plano bem estruturado e explicado com toda a honestidade por Rui Borges ao Bola na Rede, não descartando os méritos, mas também não esquecendo os pontos a melhorar. O PSG leva sempre muita gente a pressionar lá à frente, com dois avançados a sangrar dos olhos na grande área desesperados por roubar a bola e ferir o adversário. Perante tamanha exigência, o Sporting soube ajustar.

Luis Suárez Sporting Marquinhos PSG
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Luis Suárez era a chave nas saídas de bola do Sporting. Quer diretamente, quer depois de meia dúzia de passes na sua grande área, os leões procuravam o avançado colombiano para receber a bola e saltar linhas de pressão adversárias. De resto, à esquerda, era muitas vezes João Simões quem lateralizava para permitir ao dominó andar e enquadrar melhor o colombiano. Ricardo Mangas podia projetar, Maxi Araújo girava por dentro e colocava dúvidas a Willian Pacho e Luis Suárez podia jogar com mais liberdade, baixando para receber.

De resto, foi uma exibição de luxo de Luis Suárez. Conseguiu quase sempre receber e dar seguimento aos lances. Quando muito se fala do excesso de toques dado na bola, o colombiano – constantemente visado neste sentido – deu uma aula nesse sentido. Soube jogar ao primeiro toque, mas também esperar e guardar a bola para a colocar no jogador melhor posicionado para a receber. Uma aula de boas decisões e ações técnicas.

Faltou outro enquadramento. Francisco Trincão, por exemplo, viveu uma primeira parte de alguma indefinição, afastando-se do choque e não conseguindo rodar perante um qualquer encaixe agressivo na pressão. Melhorou na segunda parte – foi fundamental no golo da vitória, por exemplo – ao procurar zonas menos povoadas para receber e a antecipar-se aos defesas. Geny Catamo também fez um jogo positivo, mas Nuno Mendes conseguiu secar a exibição do moçambicano e antecipar-se em vários lances de perigo.

Sporting PSG Adeptos
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Ainda assim, na segunda parte chegaram as oportunidades à baliza do PSG. Em três, o Sporting converteu duas e fez da eficácia – tantas e tantas vezes madrasta – a sua força. Há dias em dá para ser melhor do que os melhores do mundo.

BnR na Conferência de Imprensa

Bola na Rede: Já falou na necessidade óbvia e natural de adequar a estratégia para o jogo. Como procurou o equilíbrio entre as saídas mais longas e mais curtas e, nas saídas mais curtas, qual a importância de superar os dois homens do PSG praticamente plantados na grande área?

Rui Borges: Foi algo que pedimos. A nossa primeira ligação tinha de ser sempre mais longa. Por longa não digo no espaço, no pé. O PSG deve ser a equipa mais forte na reação à perda e na transição defensiva. É muito intenso, com uma capacidade física acima do normal. Nós não iríamos ter muito espaço para pensar e não poderíamos dar muitos toques. Por isso há bocado disse que falei com o Luis [Suárez]. Disse ao Luis: “A equipa precisa de ti hoje, és muito importante na nossa estratégia”. E nós conseguimos ligar com o Luis na primeira parte, muitas, imensas vezes. E o Luis fez um trabalho espetacular a conseguir ligar. Faltou-nos o passo à frente. Perdemos bolas porque transportávamos e, fisicamente, o PSG é extraordinário. Individualmente é extraordinário nesse sentido. Tivemos essa dificuldade porque como eles são tão intensos na primeira pressão e na reação, a primeira ligação tinha de ser mais longa, sempre para segundas linhas para encontrar uma linha atrasada e aí entrar em fase de criação ou em fase de ataque rápido ou contra-ataque. Conseguimos muitas vezes na primeira parte ligar com o Luis. Conseguimos ligar longo, curto, mas depois faltou um bocadinho de capacidade porque também faltou um bocadinho de oxigénio. Estávamos ligados ao momento defensivo e, quando queremos decidir, parece às vezes que o oxigénio falha. Sentimos um bocadinho isso e faltou essa capacidade. Se tivéssemos um bocadinho mais essa capacidade, acredito que íamos conseguir expor o PSG a grandes problemas. Conseguimos muitas vezes ligar fundo e não conseguimos dar seguimento a isso. É importante e fez parte da estratégia porque é uma equipa muito pressionante. Ligar curto ia ser impossível e mais. Por ser uma equipa tão forte nessa pressão, tem muitos golos em transição porque ganha muitas bolas em pressão alta e perto da área adversária, então tem muitos golos nesse momento. Sabíamos que, para não nos expormos, tínhamos de ir buscar bolas longas, entrar curto, bater a primeira linha de pressão deles e conseguir instalar no meio-campo ofensivo. Não tivemos essa capacidade, mas por outro lado, perdíamos bolas mais longe e tínhamos tempo para reorganizar. Foi isso que aconteceu no jogo. A equipa esteve capaz de fazer isso, faltou capacidade de entrar no segundo momento na fase de ligação. Mas do outro lado está uma grande equipa.

Diogo Ribeiro
Diogo Ribeirohttp://www.bolanarede.pt
O Diogo tem formação em Ciências da Comunicação, Jornalismo e 4-4-2 losango. Acredita que nem tudo gira à volta do futebol, mas que o mundo fica muito mais bonito quando a bola começa a girar.

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