O Flamengo de JJ e o amargo de boca de um sportinguista

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Esta semana, o futebol mundial ficou marcado por dois acontecimentos: o Special One, José Mourinho, assumiu o comando técnico dos Spurs e o “nosso” Jorge Jesus tem o Brasil aos seus pés porque o seu Flamengo está prestes a ser campeão brasileiro e a ganhar a Taça dos Libertadores. Vou focar-me neste segundo aspeto pois ele tem relações profundas, nem sempre muito óbvias, com o Sporting Clube de Portugal.

O sucesso de Jesus em terras brasileiras tem aquecido os debates futebolísticos nacionais acerca do seu eventual regresso a terras lusas. Muitos veem nele um treinador consagrado a nível nacional, essencialmente pelo que fez ao serviço do Benfica, faltando-lhe apenas a consagração internacional que, apesar dos seus êxitos no Flamengo, ainda não está propriamente firmada. Falta neste Jesus uma verdadeira experiência europeia, na qual o futebol rápido e desconcertante coloque à prova as suas nuances táticas.

Falta, por assim dizer, treinar um Barcelona, um Real Madrid, um Atlético de Madrid, um Inter. E, estando ao leme de um desses – como “Mou” já esteve e ganhou – quando JJ passar nesse teste, terá, aí sim, o mundo a seus pés. Até agora, tem apenas o Brasil e os adeptos do Mengão que, por muitos que sejam, não representam os adeptos do desporto rei no seu todo. Esta é a diferença entre Mourinho e Jorge Jesus: o primeiro não tem de provar nada ao futebol e o segundo tem ainda créditos a dar no futebol europeu.

A passagem inglória de JJ pelo Sporting fica marcada pela “morte na praia” em 2015/16
Fonte: Sporting CP

Mas esta análise está longe de ser aquela que qualquer sportinguista apaixonado faz quando vê, lá fora, JJ brilhar. É que falar do êxito do Flamengo implica, para qualquer Leão que se preze, falar com um sabor amargo na boca. Ele poderia, na sua primeira época ao leme dos Leões, ter dado o título que nos foge anos a fio. O facto de ter vindo do Benfica alimentou mais essa sede de vingança e catapultou a expectativa de adeptos e sócios para a necessidade de uma verdadeira remontada desportiva no clube. Se tivesse sido campeão nesse primeiro ano, tudo poderia ser diferente: poderíamos ter ganho o campeonato seguinte, depois o outro, e ido mais longe nas competições europeias.

Enfim, se Jorge Jesus tivesse dado ao Sporting aquilo que está prestes a dar agora ao Flamengo, para mim, como sportinguista, já tinha firmado todos os créditos como treinador e a análise que fiz acima, de que tem ainda algo a provar no plano europeu, seria um mero devaneio. Depois de ter ganho o campeonato com o Sporting e de me ter apertado verdadeiramente o coração com esse feito, podia depois ir treinar o Alverca, o Sacavenense ou o Maia Lidador, pois para mim era ele, e só ele, o Special One. Como não foi possível ser campeão pelo Sporting, fica sempre aquele amargo de boca quando falamos no Flamengo, nos adeptos que andam atrás dele e na revolução que gerou no futebol brasileiro… E, caramba, parece que é sempre a nós que isto acontece.

Foto de Capa: Bola na Rede

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Simão Mata
Simão Matahttp://www.bolanarede.pt
O Simão é psicólogo de profissão mas isso para aqui não importa nada. O que interessa é que vibra com as vitórias do Sporting Clube de Portugal e sofre perante as derrotas do seu clube. É um Sportinguista do Norte, mais concretamente da Maia, terra que o viu nascer e na qual habita. Considera que os clubes desportivos não estão nos estádios nem nos pavilhões, mas no palpitar frenético do coração dos adeptos e sócios.                                                                                                                                                 O Simão escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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