O Jardim dos Esquecidos

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Verde e Branco à Risca

Existem dois casos de futebolistas nos quadros do Sporting nos quais denoto alguns vestígios de injustiça. Considero que, tendo em conta as actuais lacunas da equipa leonina, estes dois atletas deveriam e mereciam estar mais activos. Falo-vos de Nuno Reis e Zakaria Labyad.

Como é óbvio, trata-se de dois casos completamente diferentes. Nuno Reis é um “dinossauro” das selecções jovens; nesse prisma já provou tudo o que tinha a provar. Passou com competência e sucesso pelo Cercle Brugge e pelo Olhanense (emprestado pelo Sporting), e demonstra uma maturidade e responsabilidade muito acima da média, tendo em conta a sua idade. A sua maturidade levou-o a envergar a braçadeira de capitão em vários escalões de formação leoninos, inclusive nas selecções nacionais jovens. Como atleta, é forte, possante, alto (características importantes num defesa central), joga bem de cabeça, é bastante seguro e impetuoso e faz a posição de lateral direito com facilidade. Feitas as contas, este jogador, tendo voltado de um empréstimo esta época, deveria, a meu ver, ter sido integrado na equipa principal, ao invés de Rúben Semedo (embora considere que este possa vir a ter um futuro promissor).

Nuno Reis festeja golo na Taça de Honra frente ao Benfica / Fonte: Rádio Renascença Online
Nuno Reis festeja golo na Taça de Honra frente ao Benfica
Fonte: Rádio Renascença Online

Tal não aconteceu: Nuno Reis foi integrado na equipa B, depois de ter jogado as épocas anteriores ao mais alto nível (em divisões principais). Para mim, estamos perante uma injustiça para um jogador que sempre foi exemplar, e que, com a fraca forma dos centrais da equipa A, já merecia há muito tempo uma oportunidade de se mostrar a Jardim e aos adeptos. Fala-se na possibilidade de vir a ser integrado no lote dos convocados para Guimarães, devido à expulsão de Marcos Rojo na Luz e ao castigo interno aplicado a Rúben Semedo, que provou não merecer a oportunidade que o treinador da principal equipa lhe proporcionou. Sinceramente espero que isso venha a acontecer; seria um prémio mais do que justo e merecido para um atleta exemplar (e quem acompanha o seu percurso sabe-o perfeitamente).

Quanto ao marroquino Labyad, a conversa terá necessariamente de ser um pouco distinta. Este jogador ignorou o seu clube formador para assinar pelo Sporting, um clube que seria o ideal para completar a sua formação enquanto atleta e homem. O jogador veio rotulado de futuro craque, e teria sido cobiçado por alguns “tubarões” europeus. Porém, teve o maior azar que podia ter tido: foi integrado na pior altura da história verde-e-branca, com carradas de treinadores à mistura, uma direcção incompetente, vários colegas de qualidade duvidosa e resultados desastrosos. Apesar de tudo, Labyad sempre mostrou ter o factor X; todos sabemos que bola gosta de estar nos pés dele, porque, sejamos sinceros, ele sabe tratá-la bem. Leonardo Jardim estava consciente de tudo isso, visto que o chamou para integrar os trabalhos da equipa principal, dando-lhe até algum destaque.

Labyad festeja golo contra Olhanense na época transacta / Fonte:  SuperSporting.net
Labyad festeja golo contra Olhanense na época transacta
Fonte: SuperSporting.net

Tudo apontava para que este fosse o ano da explosão de Labyad – seria o cérebro do meio-campo do Sporting. Até que, de um momento para o outro, foi relegado para a equipa secundária, sem jogar um único minuto. Todos sabemos que ele aufere um ordenado incomportável para os nossos cofres e que tem de baixar o ordenado ou sair. A questão é a seguinte: ele não tem de baixar um ordenado que está presente no contrato que assinou, o erro não é dele. O erro é de quem conduziu essas negociações. Ninguém pode condenar o jogador por não querer baixar o salário. Mas uma coisa é certa: o Sporting não o conseguiu vender nem emprestar, e ele continua “encostado” nos B’s sem mexer uma palha. Porquê? Labyad tem as qualidades que faltam a André Martins e a Vítor! Não encaixaria que nem uma luva à frente de William e ao lado de Adrien? Já que lhe estão a pagar o ordenado milionário acordado pelo clube, porque não o integram? Porque não tiram vantagens do pagamento mensal ao jogador? Estou convencido de que iria dar bastante jeito a Leonardo Jardim, e pelo menos não estariam a pagar a um homem para andar a mostrar o bólide e a fazer compras por Lisboa, durante todo o dia.

Caso parecido é o de Jeffrén, com a pequena diferença de que eu jogo melhor futebol do que ele.

Vá lá, mister, dê lá uma chance ao puto Nuno por respeito ao seu percurso e qualidade… e repense um pouco melhor o caso de Labyad: não acredito que alguém seja capaz de dizer que o rapaz não seria útil, e, quem sabe, fulcral, para a equipa principal.

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