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O miolo do problema

Romão Rodrigues · 3 min

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A crónica foi grafada após o jogo diante do SC Braga, no passado domingo. Apelidem-na de desabafo, reação a quente ou recital para encher os ouvidos dos sportinguistas mais irracionais do que eu próprio, se isso realmente for possível. Isto podia ser bem mais simples. Podia tratar-se de uma politiquice ou qualquer outra situação quotidiana. Qualquer coisa que não interferisse com o bem-estar comum. Quando as cores defendidas estão sob os olhos do furacão, torna-se complicado destrinçar o visível do utópico, a pradaria do inferno ou a saúde da enfermidade. Infelizmente, para mim, futebol não é mera crendice quando, conjugando todos os fatores, tinha tudo para o ser.

O momento alto da partida foi a presença de Bruno Fernandes na tribuna. Se com ele os objetivos crónicos e quase impostos no início de cada época não conseguiam ser cumpridos, sem ele a inaptidão para tal ganha uma nova forma e um novo sentido. Num só jogo, o adepto conferiu a inexistência de passes telecomandados, de rasgos de génio e do poder ofensivo que, durante alguns jogos da presente época, ainda se verificou. O meio campo naufragou e foi deglutido nas emboscadas do adversário vezes e vezes sem conta. A batuta seguiu para Manchester e a orquestra está sob desafino constante. A música é uma miragem…

A pergunta que assola a legião verde e branca é: sem Bruno Fernandes, há vida ou morte imediata? Espírito aguerrido e não conformista ou redenção perante a triste realidade?

Sinceramente, à semelhança do leitor, era uma pergunta para a qual eu adoraria obter resposta, qualquer que fosse. A imprevisibilidade é previsível e a instabilidade é estável. Este é o panorama que vigora! Alicerçados nesse argumento, com índice de fiabilidade por determinar, o sportinguista compõe o típico adepto que reside na sombra de um milagre e da hecatombe que os adversários possam sofrer. Regressão atrás de regressão, caminhamos no sentido de 2012/2013 e do lodo desportivo-financeiro vincado na página mais negra da história do clube. “Contra factos, não há argumentos”!

Bruno Fernandes marcou profundamente o universo leonino
Fonte: Diogo Cardoso/BnR

Bruno Fernandes tinha a capacidade (a maioria das vezes) de extrair o clube da lama de resultados encaixados e, de um momento para o outro, demonstrar a frieza e a voracidade de decidir e sentenciar uma partida que se observava com mau olhado. Encaixe de 55M!? Negócio em cima do joelho. Disfarçar o buraco com o remendo de Wendel ou Matheus Nunes? Alternativas disponíveis. E a partir daí? Pelo que é cognoscível, todos os jogadores patinam na terra batida e escorregadia que lhes serve de chão e nenhum é verdadeiramente capaz de usar calçado capaz de o fixar ao solo pegajoso.

Arredados das competições internas, adivinhando-se, de seguida, o arredamento da externa (UEFA Europa League), a solução passa por … (agora é o momento para opiniões, as minhas estão esgotadas). Quer dizer, se calhar proponho algo já proposto anteriormente, mesmo que não se aplique diretamente na lacuna deixada pelo internacional português: a retirada imediata de Hugo Viana, Beto e toda essa gama dirigente que finge perceber de futebol e não estar preocupada ou, pelo menos, curiosa perante tamanho insucesso desportivo. É caso para se estranhar, no mínimo!

Aos croquetes, “varandistas” e afins: para afirmações como “dar tempo ao tempo”, “não existem resultados imediatos” ou “a estrutura não teve tempo suficiente para montar a sua estratégia”, eu respondo com “não é a estrutura ideal, não existe solidez desde o primeiro momento e o tempo para alguns cargos está esgotado”; aos “brunistas” e a afirmações como “e ainda dizem que a culpa é de Bruno de Carvalho”, “se ele cá estivesse, isto não acontecia” ou “ele é o nosso presidente”, eu respondo com “no futebol, não há intocáveis. Existem ciclos. O dele acabou. Agora, assistam ao jornal da noite da Sporting TV”. (Já não tenho pachorra para a guerrilha mesquinha, lamento).

Sem o melhor jogador dos últimos 20 anos, o leão encontra-se a poucos passos de ficar sem a juba. O CORONAVÍRUS instalou-se na Europa e já infetou algumas pessoas. Eu pedia que um “BRUNOFERNANDESVÍRUS” ou coisa parecida infetasse a equipa leonina e lhe conferisse outra dinâmica e atitude. Quarentena exclusiva a Alvalade!

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Romão Rodrigues

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