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O nó do cachecol

André Eusébio · 2 min

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Núcleo Semanal
A primeira coisa que se aprende, em miúdo, quando se vai ver um jogo de futebol, é a fazer o nó do cachecol. Lembro-me perfeitamente do meu primeiro nó: feito na sala do meu antigo apartamento, em Sintra, corria o ano de 1998. Sendo um jogo à noite, estava frio na rua, pelo que o meu pai optou por me fazer um dos nós clássicos: o nó apertado.

Este é aquele nó que se usa quando está frio. Uma volta por fora, a ponta passa por dentro e depois é só apertar bem junto à garganta. Tipicamente usado por crianças e por adeptos que querem proteger a sua voz. Se calhar poucos pensam nisto, mas existem vários tipos de nós no cachecol: o nó ultra, feito com as duas pontas do cachecol, bem apertado para não se desfazer enquanto se salta; o nó vip, apertado apenas de um lado para cair comprido pelo corpo; o da bancada central, colocado por cima dos ombros, sem nó; e aquele nó que não é realmente um nó, mas que atabalhoadamente garante que o seu cachecol não cai do pescoço.

Há cerca de um ano distinguiam-se em Alvalade vários tipos de nós. Todos o sabíamos. Não porque passássemos o tempo a avaliar o nó de cada um, mas porque todos eles se manifestavam da sua forma. O nó ultra não juntava as pontas; o nó vip guerreava sobre para que lado deveria pender; o da bancada central teimava em não se fazer nó; e aquele que não sabia bem o que era, assim continuava, indefinido e sem contribuir para os nós.

Hoje tudo está diferente. Tenho visto claros sinais de que, no Sporting, a união tem feito a força, mas quanto mais penso nisso, mais acho que esse pensamento está errado. No Sporting, a força é que fez a união. Bruno de Carvalho chegou à Presidência e teve a coragem (e a força) para juntar as pontas dos ultras, calar os vips, agregar os velhos do restelo das bancadas centrais e dissipar as dúvidas dos indefinidos, levando-os a contribuir.

E esta união, feita pela força, e que acaba por fazer a sua força, está a dar resultados. Afinal todos os nós, por mais diferentes que sejam, fazem parte de um cachecol verde-e-branco. Bruno de Carvalho mostrou isso. Portanto é hora de cada um colocar o cachecol ao pescoço, fazer o seu próprio nó e marchar para Alvalade. O meu é de ultra e lá estará no domingo, ao lado de todos os outros nós. Tão diferentes, mas tão Sportinguistas.

André Eusébio

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