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O primeiro grande desafio de Marco Silva

Vítor Miguel Gonçalves · 2 min

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porta

Antes de começar este texto, devo alertar para o facto de que o mesmo será bastante curto, não por preguiça ou por não ter vontade de escrever, mas porque tenho de filtrar emoções, sentimentos e até palavras menos próprias que me assolam neste momento.

Não sou pessoa de ver o copo meio vazio, prefiro sempre ver o lado positivo de cada situação, procurar algo a que me possa agarrar para acreditar que vale a pena o esforço e a dedicação que se coloca em tudo o que fazemos diariamente. Ainda assim, após ver o jogo de ontem na Madeira, sinto que aos poucos o entusiasmo e a injecção de adrenalina que a chegada de Bruno de Carvalho trouxe ao Sporting estão aos poucos em declínio, situação esta que está indissociavelmente ligada à falta de títulos da equipa principal.

No meu último texto, falei sobre a importância capital que teria o jogo realizado ontem na Choupana, frisando que o jogo frente ao Porto seria importante e para vencer; realcei, também, no entanto, que a verdadeira competição da época seria a Taça de Portugal e a não conquista da mesma significaria uma época fracassada.

Contudo,  o jogo de domingo foi o que toda a gente viu: uma equipa sem identidade, sem chama, com falta de garra e acima de tudo com pouca vontade de orgulhar a camisola que vestiam em campo. Foi um desastre a toda a linha e uma exibição saída da mente de Franky Vercauteren indesculpável e revoltante.

Depois desta decepção, acreditei realmente que o jogo de ontem seria de redenção; uma exibição como a que onze leões tiveram na passada quinta-feira em Alvalade frente ao poderoso Wolfsburgo, transformando o segundo classificado da Bundesliga num clube banal. Não poderia estar mais errado…

Ontem voltei a ver uma equipa amorfa. Em certos momentos, pareciam puros mercenários, mimados e com tiques de vedetismo e sem respeito por uma equipa organizada e difícil como o Nacional, de Manuel Machado. Não digo que o Sporting não fez por merecer o empate; o que afirmo é que o Sporting tinha a obrigação de vencer o jogo, algo para o qual nunca mostrou realmente vontade.

Carlos Mané conseguiu amenizar os estragos de mais uma exibição displicente Fonte: FPF
Carlos Mané conseguiu amenizar os estragos de mais uma exibição displicente
Fonte: FPF

Falar em intranquilidade, em erros individuais ou em má arbitragem é neste momento fait divers, uma vez que o essencial será perguntar onde está a equipa que jogou frente ao Wolfsburgo ou frente ao Schalke e Chelsea em Alvalade, ou frente ao Porto no jogo da Taça de Portugal. Muito do sucesso de uma equipa passa pela motivação, pelo psicológico – algo em que, por exemplo, Mourinho é fenomenal. Neste momento creio que Marco Silva, um dos melhores treinadores que passaram pelo clube nos últimos anos, precisa de ser um motivador para além de um treinador, e BdC deverá ser um agregador em vez de um desestabilizador.

Que estes dois últimos jogos sirvam como lição,  que alguém bata com a mão na mesa e diga “chega”, para terminar esta espiral negativa que me faz lembrar em parte a semana de Maio de 2005.

Enough is enough.

Foto de capa: Facebook Oficial do Sporting Clube de Portugal

Vítor Miguel Gonçalves

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