O que é ser “diferente”?

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Visto que o tema do momento é a Taça de Portugal, vou contar como esta competição começou nesta época para o Sporting, recuando ao mês de Outubro.

Desde pequeno que ouço dizer que “o Sporting é um clube diferente”. Provavelmente também o meu pai e o seu pai o ouviram. As palavas foram-se entranhando em nós e, com o tempo, enquanto nos formávamos como Sportinguistas, fomos percebendo. Ao vivermos o clube, as razões tornaram-se óbvias. Para os outros, continuam a ser dúbias. Mas creio que neste dia, em Alvalade, voltámos a mostrar ao Mundo o que é ser diferente.

64 minutos de jogo. O Sporting vence tranquilamente o Alba, equipa da divisão distrital de Aveiro, por esclarecedores 5-0. Depois de uma bola ser colocada fora de campo, o speaker anuncia: substituição na equipa do Alba – sai Zé Bastos, entra Tica.

Nas bancadas centrais, algo muda. Os Sportinguistas levantam-se, um por um, e aplaudem. Na Curva Sul, as claques cessam os seus cânticos para aplaudir Zé Bastos. Mas afinal, quem é Zé Bastos? Um ex-jogador do Sporting? Um sócio importante do clube? Será, sequer, Sportinguista? Ninguém sabe. Zé Bastos era apenas uma pessoa que acabava de ter uma das experiências mais memoráveis da sua vida. Um jogador de futebol amador que enfrentou profissionais de forma corajosa, dando o seu melhor. E por isso, mereceu um aplauso de pé.

Golo do Alba foi um grande momento no jogo Fonte: TVI
Golo do Alba foi um grande momento no jogo
Fonte: TVI

Este momento de desportivismo repetiu-se. Uma, duas, três vezes. Todos os jogadores substituídos foram ovacionados. O golo do Alba foi aplaudido por todo o estádio. São 20.000 Sportinguistas a parabenizar um golo adversário. É verdade que se o jogo estivesse renhido não o teriam feito? É. Obviamente, continuamos a ser adeptos que querem ver a sua equipa ganhar. Mas ao invés dos aplausos, poderíamos ter optado por uma atitude arrogante e gozar com os adversários, gritando uns “olés”, ou não? Não é o que se faz nos outros estádios?

Dei por mim a pensar: se eu fosse jogador do Alba e, ao mesmo tempo, fosse adepto do Porto ou do Benfica, naquele dia teria saído de Alvalade um grande Sportinguista. Quando se tem contacto com este clube, com as suas pessoas e a sua forma de olhar para o desporto, é impossível não o achar fantástico. É impossível não ter um orgulho gigante em ser do Sporting. Por quê? Porque o Sporting é assim: diferente.

P.S: episódios destes multiplicaram-se pela época. Hélton foi aplaudido de pé quando saiu de maca e ainda no passado sábado, Vitor Vinha, lateral do Gil Vicente, foi aplaudido quando saía lesionado do campo de Alvalade. Um orgulho.

Diogo Bernardo
Diogo Bernardohttp://www.bolanarede.pt
O Diogo é verde até ao tutano e adora futebol. Gosta de ver e analisar jogos, mas, muito mais do que isso, gosta do seu Sporting. Fala sempre no seu clube do coração, bem e mal das outras equipas e sempre mal da arbitragem.                                                                                                                                                 O Diogo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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