Onde fica Caxias?

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De há uns tempos para cá temos seguido, através da comunicação social, a saga de um fugitivo da lei que insiste em desafiar as autoridades com frases provocadoras. E não sei se é alguma moda psico-sociológica mas a verdade é que se está a tornar um hábito desafiar as autoridades deste país.

Não sei se é devido ao facto de os prevaricadores acharem que são mais espertos que a justiça, se acham os elementos de segurança incompetentes, ou simplesmente estes últimos não impõem  respeito por passarem a imagem de que, com um maço de cigarros, algumas senhas de refeição, um saquinho de “branca”, ou uma ou duas notas se pode comprar a liberdade.

Aconteceu com este provocador, e acontece com muitos agentes do futebol português, em que há jogadores que agridem e reincidem, que têm a conivência da comunicação social, e onde os próprios treinadores tornam violência  numa história de embalar em que o suposto agressor nunca poderia ser considerado culpado porque é um bom rapaz, quase como um filho (também deve bater palminhas aos filhos quando estes erram), e que aprendeu a falar a língua de Camões como ninguém (as primeiras palavras terão sido “foi na bola“, ou a declamação de “Os Lusíadas“). Passar-se por ridículo é o preço que se paga de bom grado por tentar desculpar o indesculpável, sabendo que não será dada qualquer relevância ao caso.

Treinador dos encarnados
Treinador das águias desculpa o seu jogador de uma agressão pelos bons exemplos do dia-a-dia
Fonte: SL Benfica

Esta moda continua com o estado de impunidade que algumas claques gozam através do alto patrocínio de presidentes de clubes,  e mais uma vez, como não poderia deixar de ser, da comunicação social. Porque há uns que não podem sequer desejar que a vida de algumas pessoas se extinga, mas outros podem mesmo pôr termo à vida de alguém, sendo aclamados durante anos sem que seja  dada qualquer relevância ao caso, senão quando os mesmos são visados com o mesmo tipo de tratamento (Não estou a defender nenhuma das partes, apesar de mesmo assim considerar mais grave o acto de matar ao de desejar o falecimento de alguém).

Eles fazem-no porque sabem que o podem fazer,  sem que alguém, algum dia, os questione. Porque não há melhor aluno que estes meninos de coro guiados pela cartilha de quem não deseja que se fale dos outros pela frente, e por trás transmite directrizes de bem falar sobre tudo e todos, passando a imagem de santo e imaculado. O mesmo que anda a coleccionar dividas exorbitantes em bancos, escusando-se a pagá-las para que depois alguém lhas venha perdoar,  sendo que neste caminho várias famílias vêm a sua vida arruinada por uma meia dúzia de falhas de pagamento de trezentos euros a essas mesmas instituições bancarias, ou ficarem sem as suas poupanças devido a bancos que fecham portas ou são vendidos por valores bem inferiores às da tal dívida que ninguém deseja cobrar.

Foto de Capa: Getty Images

Nuno Almeida
Nuno Almeidahttp://www.bolanarede.pt
Nascido no seio de uma família adepta de um clube rival, criou ligação ao Sporting através de amigos. Ainda que de um meio rural, onde era muito difícil ver jogos ao vivo do clube de coração, e em tempos de menos pujança futebolística, a vontade de ser Sporting foi crescendo, passando a defender com garras e dentes o Sporting Clube de Portugal.

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