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Os possíveis regressos e as declarações de Podence

Pedro Miguel Martins · 4 min

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Nos últimos tempos, os Sportinguistas depararam-se, através das mais diversas fontes de informação, com a possibilidade de vários regressos a Alvalade de ex-jogadores leoninos. Nomes como Adrien Silva, Rúben Semedo, João Mário, Cédric Soares, Wilson Eduardo, Ricardo Esgaio, têm sido lançados para cima da mesa como hipóteses para reforçar o plantel leonino da próxima época.

Até Daniel Podence (!) parece ter sido sugerido, ainda que muito timidamente, para um eventual retorno ao Sporting CP. No entanto, as últimas declarações que o jovem avançado do Wolverhampton FC teceu quando questionado sobre a eventualidade de regressar ao Sporting CP não passaram por despercebidas entre os adeptos leoninos e pelas piores razões. Atrevo-me a dizer que Podence cortou em definitivo qualquer laço que ainda existisse com o Universo Sportinguista.

Pessoalmente, e à semelhança de muitos Sportinguistas, não guardo qualquer rancor a este jogador. Na verdade, “eles vêm e vão, mas o Sporting fica”. O jogador fez a sua escolha ou deixou que escolhessem por ele e os adeptos fizeram questão de manifestar que não o querem de volta.

Já Podence parece continuar a guardar rancor e um “odiozinho” ao Clube que o formou e revelou e parece fazer questão de o demonstrar ao público. Parece aproveitar cada oportunidade para “atirar umas achas para a fogueira”. Custava-lhe muito, enquanto futebolista profissional, já que não respeita a Instituição que o criou, pelo menos, ter uma atitude minimamente responsável e até inteligente? Custa muito ser cordial ou até “politicamente correcto”? Algo do género: “Agradeço ao Sporting os 13 anos que lá passei, não quero falar do episódio de Alcochete e sobre o futuro também não posso falar”.

Como disse, enquanto adepto leonino não guardo rancor a este jogador. Tenho, sim, pena. Porque, antes da sua rescisão, Podence era dos jogadores mais acarinhados pela massa adepta e muito raras foram as vezes em que vi críticas dirigidas a si em concreto. Talvez por ser um “miúdo” talentoso formado pela nossa Academia, não sei. O que sei é que as sucessivas atitudes que Podence foi tendo para com os Sportinguistas, ao ponto de lhes atribuir a culpa por uma acção criminosa levada a cabo por 50 indivíduos, não caíram nada bem.

Feito este “pequeno grande” parêntesis sobre as declarações de Daniel Podence, o que dizer sobre os eventuais regressos de ex-jogadores do Sporting CP? Após uma época calamitosa, em que o planeamento amador do plantel mais serviu terceiros do que o próprio Clube, parece que a estratégia da administração Varandas/Veiga passará, agora pelos regressos de jogadores como Adrien Silva e João Mário que integraram o plantel de 2015/2016, aquele que melhor futebol praticou na última década. Tudo numa tentativa de cativar os sócios sportinguistas, tocando no seu sentimento de saudade relativamente a esses tempos de grande futebol praticado em Alvalade e, conforme foi noticiado, para “incrementar a mística leonina”.

Nani regresso Sporting
Nani nunca deveria ter saído do Sporting CP
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Há que encarar a realidade como ela e sem rodeios, quer gostemos ou não dos jogadores em causa. Estamos a falar de jogadores que tiveram o seu pico precisamente em 2015/2016 sob um comando técnico muito particular e que daí em diante entraram em declínio crescente. Por outro lado, e refiro-me em concreto a Adrien Silva, estamos a falar de um ex-capitão da equipa do Sporting CP que manifestou sempre publicamente vontade em sair de Alvalade. Com o adiamento do Euro para 2021, compreendo que o Sporting CP possa ser um clube que garanta tempo de jogo regular a estes jogadores de maneira a tornarem-se escolhas para a Selecção Nacional.

Todavia, e tendo até em conta o background de dificuldades financeiras que nos tem sido vendido pela actual Direcção, o Sporting CP não pode ser visto como uma “barriga de aluguer” destes jogadores com vista ao Euro 2021. O interesse do Sporting CP está acima.

Mais do que nunca, no cenário pós-COVID-19, a aposta tem de ser feita, e a longo prazo, na nossa Academia. Basta observar os casos de sucesso como o do AFC Ajax entre outros clubes europeus que apostam nas suas escolas, para chegar a essa conclusão. A formação leonina tem de deixar de ser um chavão de todos os candidatos à presidência do Sporting CP para passar a ser um elemento central da vida do Clube. E tem de ser condigna do seu passado histórico, apta a fornecer a equipa principal com jogadores de qualidade, colmatando-se as lacunas com uma ou outra contratação de referência.

Falando de regressos, quanto ao “incremento da mística leonina” na estrutura do futebol, se isso fosse de facto a preocupação da Administração Varandas então nunca teria mandado embora Nani da forma como o fez em Fevereiro do ano passado. Por tudo o que ele representou e ainda representa em Alvalade, Nani merecia e merece ser feliz no Sporting CP. Nunca irei esquecer que na sua última passagem por Alvalade, num clube dividido quer na massa associativa quer na própria estrutura, Nani carreou para o plantel a tal mística leonina e era adorado por colegas e adeptos, contribuindo para a sua união. Dentro do campo, podia não ter o vigor e a energia que noutros tempos tivera, mas estes eram compensados pela sua raça e pela sua arte.

Se tiver de regressar algum ex-jogador do Sporting CP, que seja Nani. E que venha pela porta grande como merece. Pois, ao futebol leonino faz falta um verdadeiro líder com mentalidade de campeão que possa servir de exemplo aos seus colegas e de ídolo aos mais novas na Academia onde cresceu.

Foto de Capa: Sporting CP

Pedro Miguel Martins

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