Plata que podia ser ouro

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O Jogador

Gonzalo Plata. 18 anos. Equatoriano. Extremo direito/esquerdo. Um milhão de euros. Gonzalo Plata é, talvez, uma das jogadas mais certeiras do atual departamento de scouting e prospeção do futebol masculino do Sporting. Resgatado ao Independiente del Valle no passado mês de janeiro, brilhou no recente Mundial U20, tendo-se estreado entretanto pela seleção principal do Equador. Esteve presente na pré-época leonina (na altura comandada por Marcel Keizer), mostrando-se uma solução útil para a frente atacante do Sporting.

O Contexto

Plata estreia-se oficialmente pelo plantel principal no Bessa, à quinta jornada do campeonato. Entrou diretamente no onze inicial, consequência das lesões de Luciano Vietto e de Luiz Phellype. Os Leões passavam já por um período tumultuoso que culminou com a entrada de Leonel Pontes para o comando técnico (de forma interina), substituindo Marcel Keizer, que rescindira contratualmente na semana anterior. O Sporting iniciou a época com o pé esquerdo, com uma derrota humilhante na Supertaça e apenas duas vitórias nas quatros jornadas inaugurais do campeonato.

O Jogo

Escolhido para ocupar o flanco direito do ataque do Sporting, Plata teve uma estreia infeliz. Embora o Sporting tenha iniciado a partida a pressionar alto e a inviabilizar a primeira fase de construção do Boavista, o golo sofrido de livre aos sete minutos atirou a equipa para uma espiral desmoralizadora, que apenas se ia invertendo esporadicamente pelo esforço e vontade de mostrar serviço de Yannick Bolasie. E, Plata não foi exceção. Foi substituído aos 88 minutos de jogo, sem ter efetuado qualquer remate à baliza, apenas com um cruzamento realizado e 15 posses de bola perdidas, números bastante negativos para quem ocupa aquela posição em campo.

Analisando agora a forma como o “dossier Plata” foi gerida, é relativamente fácil apontar erros crassos à estrutura de futebol do Sporting, começando logo pela forma como a sua estreia não foi preparada. Plata está presente na pré-época dos leões, mas não efetua qualquer minuto oficial de jogo nas cinco partidas anteriores à do Bessa (uma da Supertaça, quatro da Liga). Pior: o Sporting acaba o mercado de transferências de julho/agosto a vender Raphinha, o seu extremo mais desequilibrador e a contratar Jesé, Bolasie e Fernando, que necessitavam de tempo para aprender e assimilar as rotinas do futebol dos leões. Os leões poder-se-iam ter prevenido com soluções (ainda que temporárias) como Plata ou outros jovens com potencial, que vão dando cartas na equipa de sub-23, mas não o fez, nem mostrou interesse em fazê-lo.

Plata nunca mais foi opção depois da titularidade no Bessa
Fonte: Sporting CP

Plata é, assim, “lançado aos leões” (neste caso, às panteras) devido à vaga de lesões que afetou dois titulares. E o jogo correu-lhe, efetivamente, mal, como já se esperava.

Para além disso, não há como ilibar Leonel Pontes de culpas. O jovem iniciou o jogo com uma sequência de perdas de posse por dribles falhados e precisava de ter tido uma palavra forte de confiança por parte da equipa técnica. Ao invés, foi-se perdendo em campo, eclipsando-se como grande parte da equipa. Um jovem extremo como Plata, de 18 anos, precisa de estímulo redobrado em relação aos colegas. Gonzalo tem velocidade, é exímio no 1 vs 1 e apresenta uma superior capacidade de finalização – impunha-se outro tipo de incentivo vindo do banco para que o rendimento do jovem leão não caísse a pique, como acabou por se dar.

Se não fosse já suficiente a forma infeliz como se estreou, Plata não voltou sequer a ter uma oportunidade ao serviço do Sporting. Esteve apenas no banco na derrota frente ao Rio Ave, a contar para a Taça da Liga, sendo atirado para a bancada nos restantes jogos.

Juntando os factos acima mencionados, torna-se complicado entender como é que o Sporting, um Clube reconhecido mundialmente pela sua aposta nos jovens, gere de forma tão principiante um ativo com potencial bem acima da média. Uma equipa, em visível sub-rendimento, que ocupa à sétima jornada uma posição bastante abaixo das expetativas na Liga, podia ter logrado com “sangue novo” de jovens como Plata. Demasiada incompetência para um crónico candidato ao título.

Foto de Capa: Sporting CP

Artigo revisto por Joana Mendes

Gonçalo Palminha
Gonçalo Palminhahttp://www.bolanarede.pt
Recentemente licenciado em Ed. Física e Desporto, nadou no Sporting CP dos dois aos quinze anos, tendo ainda passado fugazmente pelo Atletismo, até se cingir apenas às bancadas do estádio e pavilhão deste enorme clube. Não há progresso sem crítica e discussão. O Gonçalo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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