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Que futuro para a equipa B?

Cláudia Figueiredo · 3 min

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sporting cp cabeçalho 1Quando na época 2012/13 se criaram as equipas B, era claro – ou pelo menos assim se pensava – que o objetivo passava por dar estabilidade aos jovens jogadores que saíam das equipas de formação e que tinham, pela primeira vez na sua vida, contacto com o mundo do futebol profissional. A criação destas equipas de segunda linha abria a possibilidade de competir numa liga profissional, a Segunda Liga Portuguesa, sem descurar a estabilidade emocional de jovens que viam os seus colegas de um passado recente a serem “obrigados” a andar de clube em clube, de empréstimo em empréstimo, até que conseguissem ganhar maturidade competitiva suficiente para se imporem e que justificasse a aposta neles por parte de algum clube que lhes desse um contrato estável.

O Sporting foi uma das equipas que apostaram na criação de uma equipa B. Desde logo, havia a necessidade de construir um projeto deste tipo, fruto da grande aposta na formação que é conhecida de todos e que, todos os anos, faz com que muitos atletas sejam lançados no mundo do futebol profissional. No entanto, e cada vez mais, o Sporting tem seguido a tendência geral que se tem vindo a estender a outros clubes na mesma situação, que acabam a contratar ativos para esta equipa, deturpando os objetivos para a qual foi criada.

As equipas “bês” devem ser uma continuação da formação, onde o nível de exigência sobe mas onde o principal objetivo é a procura por minutos de jogo frente a adversários mais exigentes. Esta fase de transição é essencial para o crescimento de um jogador e, por isso mesmo, deve ser natural a aceitação de resultados menos positivos, sem hipotecar os objetivos da época. Assim, é essencial perceber quais são os objetivos da equipa B do Sporting Clube de Portugal. É claro que todos nós gostaríamos de ver esta equipa ser campeã do escalão inferior, mas não me parece que essa seja a prioridade máxima. No limite, parece-me que o objetivo tem de passar por não descer de divisão, até porque isso levaria a equipa para um patamar competitivo inferior, o que não iria trazer nenhuma mais-valia. Depois de atingido esse primeiro objetivo, claramente devemos querer ficar o mais acima possível.

No fim-de-semana passado, as equipas “bês” de Sporting e do Porto encontraram-se em jogo da 18.ª jornada da Liga Ledman Pro. Resumindo o jogo, podemos afirmar que o Porto foi superior ao Sporting em muitos momentos, algo que deu aos azuis e brancos a vitória por 2-1. No entanto, o que importa aqui analisar é a tendência geral de que falei no início deste texto. O Porto entrou em campo com sete jogadores não formados no clube e, das três substituições feitas, apenas um (!) jogador tinha passado pelas camadas jovens do FC Porto. Ora bem, é verdade que o clube da Invicta foi o campeão da Segunda Liga na temporada passada, mas parece-me que existe uma preferência por contratar jogadores com o objetivo de queimar etapas e ganhar a curto prazo.

Ronaldo Tavares foi um dos talentos que transitou da formação para a equipa B do Sporting CP Fonte: Sporting CP
Ronaldo Tavares foi um dos talentos que transitou da formação para a equipa B do Sporting CP
Fonte: Sporting CP

Na equipa do Sporting, o cenário é ainda mais negro. Nesse mesmo jogo, o clube de Alvalade apresentou no onze inicial apenas quatro jogadores da formação, isto é, que passaram dois anos ou mais nas camadas jovens do clube. No total, o plantel da equipa B de futebol conta com 18 jogadores contratados contra 17 da formação, sem contar com nomes como Azbe Jug ou Bruno Paulista, que foram contratados para a equipa A mas que rodam com frequência na B.

Obviamente que aquilo que está em causa não é a contratação de jogadores para esta equipa. É, sim, o hábito excessivo em que isso se tornou. Somos um dos clubes mundiais que mais apostam na formação e é quase absurdo que isto se torne rotina quando temos tantos jovens que podem subir de forma gradual, alternando entre os juniores e a equipa B. Por isso mesmo, acho urgente pensar nos objetivos da equipa B: afinal, queremos este conjunto para ganhar a curto prazo ou para completar o crescimento de jogadores e servir a equipa principal a longo prazo?

 Foto de Capa: Sporting CP

Cláudia Figueiredo

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