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Soares furou a Palhinha de Jesus

António Gonçalves · 2 min

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Na época passada, Tiquinho Soares marcou dez golos em trinta partidas numa equipa como o Nacional, que fez um campeonato bastante irregular. Este ano já tinha marcado sete golos em metade dos jogos pelo Vitória de Guimarães e decidido nos de maior dificuldade, como no derby do Minho e frente ao Sporting.

O que mais tinha Tiquinho a provar? Principalmente quando encaixava perfeitamente num plantel totalmente mal planeado, com jogadores que teriam bastantes dificuldades em jogar em planteis mais fracos do que o Sporting Clube de Portugal. Depois de Lima, Derlei, entre outros avançados, como é que foi possível o Sporting deixar escapar mais um jogador para um rival? Além de deixar fugir Soares para o Porto, o brasileiro resolveu mostrar aquilo que já alguns falavam ser, um verdadeiro finalizador.

Jesus decidiu quebrar o paradigma e apresentar uma equipa descabida, relegando Alan Ruiz para o banco e colocando Matheus Pereira como titular, que só tinha jogado um minuto para o campeonato. Apostou, penosamente, em Marvin Zeegelaar, depois de ter tentado dispensar o jogador no mercado de inverno.

Marvin Zeegelaar voltou a fazer uma péssima exibição pelos "leões" Fonte: Sporting CP
Marvin Zeegelaar voltou a fazer uma péssima exibição pelos “leões”
Fonte: Sporting CP

Já tudo foi analisado, não é preciso acrescentar que Bruno César é, neste momento, o único defesa esquerdo capaz desta equipa; que Alan Ruiz começa a estar entrosado e que o jogo não correu bem a Palhinha, bastante desconcentrado no primeiro golo e infeliz no segundo. Tivesse Hugo Miguel apitado aquela falta e já ninguém falaria no guião.

O único guião que tem de ser lido é este: o Sporting só venceu um jogo com dificuldade acrescida: foi em Agosto, precisamente contra o FC Porto. Após esse jogo, perdeu sempre. Dortmund, Real Madrid, Légia, Benfica, Braga e, agora, Porto. O Sporting não teve jogadores sem guiões, teve sim um treinador ineficiente, sem capacidade para gerir um plantel que tinha soluções dentro do próprio clube e, mesmo assim, quando elas foram expostas, foram mal aproveitadas.

Geraldes é o herdeiro de João Mário, Podence é um jogador veloz com uma técnica apurada. Se houvesse factor surpresa nas opções, estes estariam tão motivados que a sua entrada neste jogo não só empurrava a equipa como corrigia todo aquele efeito improdutivo criado pelo treinador e, no final, provavelmente, ninguém se lembraria de um guião ou de uma “Palhinha” furada que deixa fugir o ar e retira o fôlego àquilo que alimenta os adeptos: vitórias e títulos.

Foto de capa: FC Porto

António Gonçalves

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