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Sporting 1-1 Paços: faltou mudar o chip

Tomás da Cunha · 4 min

Sporting 1-1 Paços: faltou mudar o chip

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Não é novidade que um jogo de campeonato entre jogos europeus traz sempre dificuldades acrescidas, mas a recepção do Sporting ao Paços de Ferreira fez questão de o voltar a comprovar. Os leões, claramente sem os índices físicos e motivacionais da partida com o CSKA, até fizeram o suficiente para vencer (seria o melhor arranque desde 1990/91), mas o resultado final (1-1) castiga a pior exibição da temporada. Quem aproveitou foi a equipa de Jorge Simão, que, mesmo demonstrando pouca ambição, foi inteligente e soube jogar com o desacerto da turma verde e branca. Só faltam 44 pontos para a meta traçada pelo técnico pacense.

Em Alvalade, mas com os olhos postos na Rússia. Isso ficou claro desde cedo, com o Sporting a entrar de forma desconcentrada e a permitir que o Paços surpreendesse. Com pouco critério na posse de bola (Aquilani, no lugar de Adrien, foi o mais esclarecido), a equipa de Jesus foi incomodada pela velocidade dos extremos Roniel e Farias e demorou bastante tempo a entrar no encontro. A primeira parte foi muito mal jogada, com erros de parte a parte e poucos lances junto das balizas. Só se viu alguma qualidade no final do primeiro tempo, o melhor período dos leões, muito por culpa da subida de rendimento de Carrillo. O extremo, que até então tinha estado algo escondido do jogo, mostrou um pouco da magia que tinha apresentado frente ao CSKA e permitiu que o Sporting se colocasse em vantagem. O 1-0 em Alvalade resultou de uma excelente combinação na esquerda, com João Mário a descobrir Bryan Ruiz na grande área e o costa-riquenho a cruzar para o remate imparável do peruano. Cada vez mais decisivo na equipa de Jesus.

O golo do Sporting não fez o Paços desmontar a estratégia que trazia para este jogo. Apesar da desvantagem, a equipa de Jorge Simão continuou a jogar no erro do adversário, procurando transições rápidas pelos corredores laterais. Do outro lado, Jorge Jesus, insatisfeito com a prestação de Montero, lançou Gelson para o início da segunda parte e o extremo leonino voltou a deixar sinais positivos. Irrequieto e imprevisível, o jovem, que acabou a partida como lateral direito, entrou com vontade de mostrar serviço e agitou o encontro de imediato. Com a substituição, que sugere que Mané terá ficado para trás na hierarquia, pensar-se-ia que seria Bryan Ruiz a passar para o corredor central, mas foi Carrillo quem jogou no apoio directo a Slimani. Nesta fase, o Sporting parecia ter a partida controlada e dispôs de algumas ocasiões para ampliar o marcador, mas o jogo mudou de um momento para o outro. Já depois de Rui Patrício ter negado o golo a Andrézinho, que apareceu isolado, Cícero caiu na grande área e João Pereira recebeu ordem de expulsão. Pelé, um dos melhores do Paços, restabeleceu a igualdade na conversão da grande penalidade. Mesmo reduzido a 10, o Sporting carregou em busca da vitória, mas, à excepção de um remate perigoso de Gelson, não teve arte para conquistar os três pontos.

Carrillo voltou a ser o melhor dos leões
Carrillo voltou a ser o melhor dos leões
Fonte: Facebook do Sporting

A equipa de Jorge Jesus não soube “mudar o chip” depois do jogo europeu e acabou por ter um resultado indesejado. Este foi um encontro em que, pela primeira vez na época, se notaram de forma evidente as limitações técnicas dos centrais. Paulo Oliveira fez um jogo para esquecer, tendo falhas de abordagem constantes e cometendo muitos erros na saída de bola. Naldo, ainda assim, esteve um pouco melhor, mas o regresso de Ewerton será sempre uma boa notícia. A pouca qualidade defensiva dos laterais é outro problema que poderá trazer dissabores. João Pereira não tem nível para ser titular (independentemente da expulsão) e a chegada de um lateral daria maior tranquilidade. Do meio campo para a frente, Carrillo voltou a ser o melhor dos leões, numa partida em que, apesar da assistência, Bryan Ruiz voltou a demonstrar excessiva lentidão de processos.

O Paços de Ferreira, apesar das habituais e desnecessárias perdas de tempo, deslocou-se a Alvalade com a lição bem estudada. A equipa de Jorge Simão, disposta em 4-2-3-1, mostrou processos simples mas que acabaram por ser eficazes. Marco Baixinho e Fábio Cardoso, dupla interessante do nosso campeonato, saem com nota positiva do duelo com Slimani. Pelé conseguiu impor-se no meio campo, recuperando inúmeras bolas e transportando os castores para o ataque, ao passo que Christian, jogador mais tecnicista dos pacenses, esteve demasiado preso a tarefas defensivas e acabou por não mostrar a sua qualidade. O ataque viveu das iniciativas de Roniel, ex-Porto B, e Farias, novidade no lugar do promissor Diogo Jota, que estava castigado.

A Figura:

Marco Baixinho – Mais uma prova de que há qualidade nos escalões inferiores. Vindo do Mafra, onde foi treinado por Jorge Simão, o central já se assumiu como o patrão da defesa do Paços e realizou uma exibição imaculada. Rápido e com uma excelente leitura de jogo, realizou vários cortes providenciais e foi um dos maiores responsáveis pelo empate conquistado pelos castores. Um jogador a seguir ao longo da época.

O fora-de-jogo:

Fredy Montero – É o fora-de-jogo porque nem entrou no jogo. O colombiano teve uma prestação muito aquém do esperado e a saída ao intervalo não surpreendeu. Não aproveitou a oportunidade dada por Jesus e é não é desta forma que vai conseguir intrometer-se entre Teo e Slimani.

Foto de Capa: Bola na Rede

Tomás da Cunha

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