Sporting 3-0 Estoril: Que bela crise, esta

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Rostos fechados, clima de instabilidade, crise no seu período mais áureo. Os jornalistas procuram sangue e o Sporting alcança, nos seus últimos doze jogos, a nona vitória. Para completar a estatística, dois empates e uma derrota – frente ao Chelsea, em Londres – foram os restantes resultados desta série negra da qual não se sabe muito bem se o Sporting sobreviverá.

Ironias à parte, Bruno de Carvalho, horas antes do encontro e em declarações à Sporting TV, fez questão de sublinhar que Marco Silva continuará à frente da equipa. Perante as palavras de José Eduardo exigia-se uma reacção da direcção do Sporting, ainda que esta mesma reacção não tenha esclarecido o teor lançado pelo comentador da RTP. Polémicas à parte, o que se quer é o futebol jogado. De preferência bom, como se verificou hoje em Alvalade.

A equipa de Marco Silva – sabe bem apelidá-la desta forma – fez uma exibição convincente e segura e ganhou com toda a justiça frente a um adversário a que não costuma ganhar nos últimos tempos. No onze apareceram, pela primeira vez, Carrillo, Mané e Nani em simultâneo e os três médios ofensivos coincidiram muito bem. Sobra Nani há pouco a dizer, Carrillo está cada vez mais jogador de futebol e mesmo aspirante a jogador de futebol e Mané, o menos bom dos três, também exibiu algumas qualidades interessantes, embora precise de dar o salto que Carrillo já deu. Na primeira parte as oportunidades não abundaram mas ao intervalo justificava-se a vantagem por 1-0 do Sporting. Adrien fez um golaço e podia ter feito outro mais simples, depois de isolado por Nani. Carrillo também proporcionou uma belíssima defesa ao guarda-redes do Estoril. Do lado contrário, nem Patrício nem os próprios centrais tiveram muito trabalho.

No segundo tempo o jogo não mudou muito. O Estoril de José Couceiro não quis renunciar à sua (positiva) forma de jogar e insistiu sempre na saída desde trás, mas proporcionou assim ao Sporting um dos momentos em que é mais forte: a pressão alta. Noutro jogo, em Guimarães, o Vitória foi inteligente ao adoptar um jogo mais directo que forçava a luta pelas segundas bolas e, sobretudo isto, impedia o Sporting de praticar a pressão alta em que está confortável. Hoje, o Estoril teve sempre muitas dificuldades para sair e jogo praticamente todo o encontro no seu meio-campo, com ou sem bola. Pelo lado contrário, o Sporting mostrou-se dinâmico, na linha do que já havia feito com Nani em campo. Muito mais jogo interior do que sem o nº77 leonino, Slimani a melhorar como já se havia comentado por aqui, bolas entre linhas e muitos desequilíbrios a partir daí. O segundo golo surgiu com naturalidade numa boa descida de Slimani, que criou e finalizou o lance, assistido por Jefferson. O resto do jogo não teve muita história, o Estoril nunca conseguiu esboçar uma real reacção às dificuldades que sentia e o Sporting controlou sempre o encontro, mesmo sem ter de aumentar muito o ritmo.

Individualmente, notas positivas para Jefferson, muito profundo e assertivo no cruzamento (está nos dois golos); para William e Adrien, finalmente a conseguir controlar na plenitude o meio-campo; para Carrillo e Nani que continuam a ser a principal fonte de desequilíbrios da equipa e também para Slimani que, mais do que o golo,  mostra uma evolução clara naquilo que é o seu papel na manobra ofensiva da equipa. Pelo lado contrário, notas negativas para o Estoril que foi uma sombra do que pode ser e para Artur Soares Dias que deixou um penalty por marcar na primeira parte e amarelou Nani depois do extremo do Sporting sofrer falta. Com alguma astúcia Nani acabou por forçar o segundo amarelo e, assim, permitir a si próprio estar presente no jogo frente ao Braga, cumprindo suspensão no jogo da Taça de Portugal, frente ao Famalicão.

A Figura 

Adrien – O médio português esteve inspirado, talvez pela confiança adquirida depois de um golão na primeira parte. Numa altura em que o seu rendimento vinha a cair claramente, esta exibição pode chegar em boa altura. Resta saber se lhe conseguirá dar continuidade ou não. João Mário está à espreita.

O Fora de Jogo

José Couceiro – A estratégia da equipa do Estoril revelou-se extremamente ineficaz e, se por um lado é de elogiar a persistência nas suas convicções e no futebol positivo, por outro não é aconselhável insistir no erro. Foi isso que fez o treinador na noite de hoje.

Foto de capa: FPF

João Almeida Rosa
João Almeida Rosa
Adepto das palavras e apreciador de bom Futebol, o João deixou os relvados, sintéticos e pelados do país com uma certeza: o futebol joga-se com os pés mas ganham os mais inteligentes.                                                                                                                                                 O João não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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