Sportinguistas com direitos iguais. O voto electrónico resolve?

- Advertisement -

Muito se tem falado das vantagens e desvantagens do voto electrónico nas eleições que futuramente venham a acontecer no reino do leão. E eu próprio sinto-me dividido quanto a essa temática.

Nasci na Beira Interior, onde vivi até idade adulta. E apesar de atualmente ser fácil vir a Lisboa, até aos anos 80 essa viagem demorava quase um dia inteiro a fazer-se por estradas nacionais, entre serras e pinhais.

Conhecendo essa realidade, percebo que muitos sócios vejam com bons olhos o facto de não terem que se deslocar à capital numa viagem que, ainda assim, pode demorar três, quatro ou cinco horas só para participar numa votação de poucos minutos, tendo depois que retomar a viagem de volta. É cansativo e nem todos terão a disponibilidade de tempo, ou mesmo financeira para o fazer.

Para esses, a descentralização do voto seria uma ótima noticia e aproximaria o clube do sócio, permitindo a que este participasse de uma forma mais ativa na vida do clube e nas decisões sobre o futuro do mesmo. Ainda assim, muitos dirão que esses momentos acontecem apenas de quatro em quatro anos (na melhor das hipóteses), e não obriga a tão grande sacrifício, ainda mais quando se trata do clube do coração.

Achas que o voto eletrónico pode aproximar o clube e os seus sócios?
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Como falei antes, tendo eu vivido no interior durante muitos anos, entendo que o voto electrónico seria uma ótima medida se o mesmo fosse usado com o intuito certo, ou seja, em prol dos sócios (todos) e consequentemente do clube. No entanto, mete-me algum medo que isso não aconteça, quando percebemos que quem quer aprovar essa medida são os mesmos que só consideram os estatutos em vigor quando estes ajudam aos seus interesses pessoais. Quando isso não acontece, os estatutos não devem ser considerados por não serem os mais indicados para o bem do clube (segundo eles). Já para não falar daquele imbróglio de listas de sócios em PEN´s, de sócios com mais votos a serem chamados à parte para votar… acho que já entenderam.

Nos tempos em que vivemos, sabendo nós o que se pode fazer com um computador e dados informáticos, como podemos saber que os resultados de votação electrónica são efectivamente os escolhidos pelos sócios? A este argumento, podem contra-argumentar dizendo que uma eleição normal também é possível ser desvirtuada, e quanto a isso não tenho nada a dizer, por ser verdade. Ainda assim, controlar uma votação em papel é mais fácil por depender de capacidades básicas como observação, saber contar e perceber as movimentações físicas que uma folha pode ter feito. Já na votação virtual tens de saber programar e quem trapaceia pode até estar no Djibouti a alterar os números sem que ninguém se aperceba. A este argumento podem vir os experts com “firewalls“, “anti-vírus”, mas para isso funcionar é preciso que quem está dentro queira que funcionem. Mesmo assim não é garantido.

A verdade é que qualquer um dos métodos é falível. Aliás, qualquer método controlado pelo ser humano o é, no entanto, e chamem-me antiquado, ainda acredito mais no voto em papel.

O melhor é mesmo aguardar pelas conclusões e pressupostos em que esse voto electrónico se irá basear. Quem sabe se o modelo escolhido virá mesmo dar direitos iguais a todos os Sportinguistas, de uma forma honesta e verdadeira. Mais do que aquele de haver sócios que valem 25 votos e outros apenas um. Apesar de ser justo que quem é sócio pagante em anos seguidos tenha mais vantagens que os outros (acho que há muitas outras formas de valorizar os sócios mais antigos e cumpridores). Mas quanto a isso parece que há uns que se tornam sócios à última da hora para terem direitos, outros que pagam cotas em atraso há vários anos para terem os mesmos direitos de quem andou a pagar certinho todos os anos. Não deveriam esses ter também menos direitos? Ok, já percebemos. Os estatutos só servem para certas situações. Não está cá mais quem falou.

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Nuno Almeida
Nuno Almeidahttp://www.bolanarede.pt
Nascido no seio de uma família adepta de um clube rival, criou ligação ao Sporting através de amigos. Ainda que de um meio rural, onde era muito difícil ver jogos ao vivo do clube de coração, e em tempos de menos pujança futebolística, a vontade de ser Sporting foi crescendo, passando a defender com garras e dentes o Sporting Clube de Portugal.

Subscreve!

Artigos Populares

Imprensa espanhola compara: «Cristiano despede-se da sua seleção pela porta de trás enquanto a Argentina prepara uma cerimónia para o adeus da sua...

O jornal MARCA criticou o adeus de Cristiano Ronaldo à Seleção Nacional, confrontando a sua atitude com a despedida de Lionel Messi.

Piers Morgan dá garantia acerca do caso Cristiano Ronaldo: «Não foi por isso que ele saiu…»

Piers Morgan deu garantia acerca da saída de Cristiano Ronaldo do estágio da Seleção Nacional. Apresentador reagiu nas redes sociais.

Carlos Queiroz rescinde contrato e deixa o comando da Seleção do Gana: «As condições necessárias não estavam reunidas»

Carlos Queiroz e a Federação de Futebol do Gana acertaram a rescisão de contrato por mútuo acordo do cargo de selecionador dos Black Stars.

Augusto Inácio em exclusivo: «Parece-me que Cristiano Ronaldo nunca mais vai voltar à Seleção Nacional como jogador»

Augusto Inácio falou em exclusivo com o Bola na Rede e comentou a tensão vivida em torno da Seleção Nacional e de Cristiano Ronaldo.

PUB

Mais Artigos Populares

Argentina goleia Bolívia com Gianluca Prestianni a titular

A Argentina goleou a Bolívia por 4-0 num jogo particular. Gianluca Prestianni, do Benfica, foi titular na partida.

Portugal: Eis as 2 baixas para o jogo com a Dinamarca para a Liga das Nações

Francisco Conceição (lesão) e Cristiano Ronaldo (deixou o estágio) são baixas do Dinamarca x Portugal, da Liga das Nações.

Dinamarca x Portugal: Já se sabe quem assume a camisola 7 após saída de Cristiano Ronaldo

Cristiano Ronaldo deixou o estágio da seleção nacional e ficou livre a camisola 7 para o jogo com a Dinamarca. Rafael Leão vai assumir.