Sporting 2-0 Nacional: Sr. Presidente, livre-se de vender este jogador!

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sexto violino

E se William Carvalho passasse a jogar a defesa central? E Nani a ponta-de-lança? Ou ainda Adrien a trinco, como Paulo Bento tantas vezes insistiu? Decerto não renderiam nem metade do que rendem nas suas posições naturais. Ora, se isto é unânime com todos os jogadores, por que razão merece Fredy Montero um tratamento diferente? É óbvio que o colombiano não é nem nunca foi um jogador de área, um matador. A sua veia goleadora inicial quando cá chegou, tão fantástica como singular, induziu muitos Sportinguistas em erro.

A verdade é que quem esperar que Montero marque 30 golos num campeonato, como um qualquer Jardel ou Falcao, ficará obviamente desapontado, uma vez que El Avioncito nunca foi esse jogador. Mas quem lhe pedir para actuar nas costas do ponta-de-lança, jogando entre linhas, ora vindo atrás buscar jogo ora entrando na área para tentar o golo, distribuindo e tentando passes de ruptura, verá nele um dos melhores futebolistas a jogar em Portugal.

E, este ano, há uma curiosidade: Montero, o tal que nunca marca, leva mais golos do que Slimani, o matador – 14 tentos em 1957 minutos contra 13 em 2062 do argelino. Não quero, contudo, ser mal interpretado: acho que há lugar para ambos no onze do Sporting. É até possível que actualmente tenhamos o grupo de avançados mais equilibrado e concretizador desde o título de 2002. Porém, é necessário que se perceba que, assim como Slimani não pode desempenhar o papel de típico “avançado vagabundo” a cair nos corredores, também não se pode pedir a Montero que jogue como única referência atacante. Os seus pés de veludo não merecem ser “engolidos” por centrais duros e esfomeados. Montero afasta-se deles, não em fuga, mas para poder criar jogo para os restantes companheiros. Mesmo quando não marca, o colombiano joga e faz jogar. É o presente e o futuro do Sporting. Será um crime se for vendido!

Quanto ao jogo em si, não houve, uma vez mais, grandes motivos de interesse. Um Sporting já sem objectivos no campeonato e a contar os dias para a final da Taça venceu um Nacional bem organizado mas a quem faltou mais engenho no último terço do terreno. Como já vem sendo habitual, os leões entraram sonolentos e voltaram a dar uma parte de avanço a um adversário pressionante e incomodativo, motivado pelo facto de o 6º lugar ter passado a dar acesso à Europa. Numa defesa onde Jéfferson e Ewerton estiveram algo intranquilos, foram Rui Patrício (noite calma com uma excelente defesa a remate de Tiago Rodrigues aos 28’, no melhor período do Nacional) e, sobretudo, Paulo Oliveira (excelente segunda parte, com vários cortes importantes a serenidade habitual) quem mais contribuiu para, por uma vez, o clube de Alvalade acabar uma partida sem golos sofridos.

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Montero voltou a bisar. É atrás do avançado que o colombiano rende mais
Fonte: Facebook oficial do Sporting CP

No meio-campo, destaque para mais uma exibição agradável de André Martins (qualidade e critério com a bola no pé, procurando sempre a solução mais simples e parecendo até mais expedito do que aquilo que Adrien costuma mostrar; outro exemplo de um jogador que rende mais se actuar na sua posição natural…) e para o facto de Rosell (pouco acrescentou e foi rendido por Adrien no descanso) continuar a quase nunca conseguir jogar mais do que 45 minutos de cada vez, no máximo. Já Capel esteve muito apagado, embora com a entrega habitual (saiu ao intervalo depois de duas perdas de bola que originaram outros tantos contra-ataques perigosos) e Mané apareceu algumas vezes solto, ainda que a bola não lhe chegasse.

Marco Silva apresentou menos um homem na zona intermédia com o objectivo de conseguir maior volume ofensivo, mas foi apenas com a entrada de Carrillo, ao intervalo, que os leões começaram a criar perigo. Jogando uma ou duas velocidades acima dos colegas, o peruano colocou algumas bolas venenosas na área, uma das quais resultou no primeiro golo de Montero (boa jogada, embora Gottardi seja mal batido). Louve-se, a partir daí, a atitude do Nacional, que adiantou jogadores em busca de algo do jogo. Contudo, esse comportamento arrojado criou mais espaço para o ataque do Sporting explorar – particularmente Carrillo, Mané e Montero, mas também com alguns lances de envolvimento de Cédric. Tanaka esteve mais apagado, sendo rendido por João Mário na hora de defender.

Até final, nota apenas para uma das melhores jogadas do encontro, quando Montero, no meio-campo e de costas para a baliza adversária, dominou uma bola alta e difícil e lançou Mané na esquerda, com o jovem a galgar terreno e a abrir espaço, após defesa incompleta do guarda-redes, a novo golo do próprio Montero. Vitória do Sporting, que assim segura o 3º posto, embora os visitados tenham passado por alguns apertos quando venciam apenas pela diferença mínima. O Nacional ganhou vários lances aéreos em bolas paradas, e não se percebe como é que uma equipa que está a defender uma vantagem oferece tanto espaço nas costas para o adversário explorar. Tem sido uma constante ao longo da época e, talvez por isso, o Sporting já esteja afastado há muito da luta pelo título…

A Figura

Fredy Montero – Não tendo feito uma exibição sublime, foi um dos elementos mais esclarecidos e somou novo “bis”. Com Tanaka na frente, pôde baixar no terreno sem que com isso a equipa ficasse “órfã” no ataque. É este o esquema que o Sporting tem de usar contra a esmagadora maioria das equipas, e é difícil entender como Marco Silva só se apercebeu disso no fim da época e quase por acaso, quando começou a rodar a equipa… Nota também para Carrillo, que entrou ao intervalo e revolucionou o jogo. Foi o único a trazer velocidade e repentismo, mesmo antes do golo.

O Fora-de-Jogo

Defesa do Sporting – Hoje foi um dos raros jogos em que a baliza leonina ficou a zeros, mas não por falta de oportunidades para o Nacional. E não é que os madeirenses tenham tido muitas. A verdade, porém, é que qualquer bola que chegue perto da baliza verde-e-branca é uma aflição. Tanto espaço nas costas, mesmo a ganhar, tantos buracos no meio e falhas de posicionamento… Contra adversários melhores, estas falhas, que deste modo passam quase em claro, teriam custado golos. Hoje tremeram Jéfferson e Ewerton e valeu Paulo Oliveira.

 

Foto de capa: site oficial do Sporting CP

João V. Sousa
João V. Sousahttp://www.bolanarede.pt
O João Sousa anseia pelo dia em que os sportinguistas materializem o orgulho que têm no ecletismo do clube numa afluência massiva às modalidades. Porque, segundo ele, elas são uma parte importantíssima da identidade do clube. Deseja ardentemente a construção de um pavilhão e defende a aposta nos futebolistas da casa, enquadrados por 2 ou 3 jogadores de nível internacional que permitam lutar por títulos. Bate-se por um Sporting sério, organizado e vencedor.                                                                                                                                                 O João não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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