Vit. Setúbal 1-2 Sporting: Entre o processo e o resultado…

- Advertisement -

escolhi

O processo é o meio pelo qual chegamos ao resultado. O conjunto de princípios que nos aproximam, ou não, dos resultados. O processo é a nossa forma de percorrer. O caminho.  O resultado é apenas o fim. Mas é tudo ao mesmo tempo, porque no futebol – como em qualquer outra modalidade – o que conta é o fim. Mas a que escala devemos olhar? Há mais razões de sobressalto num jogo com processo e sem resultado ou sem processo e com resultado? Dir-me-ão os mais precipitados que, se houve resultado, está tudo bem. Resultado é o fim. Mas, a menos que se trate de uma final ou do último jogo da temporada, há mais resultados para conquistar. E quem apresenta o processo está mais perto de conseguir os próximos resultados do que o contrário. Pela regra básica que nos diz que quem joga bem está mais perto de vencer do que quem joga mal.

Por isso disse a uns amigos sportinguistas, no final do jogo,  que preferi o empate com o Paços a esta vitória sobre o Setúbal.

Disse-o porque considero que dificilmente o Sporting perderá o terceiro lugar ou chegará ao segundo – o que me leva a relativizar a importância do resultado naquele contexto. Mas disse, sobretudo, porque frente ao Paços vi princípios que já há algum tempo tinham desaparecido do conjunto de Alvalade: pressão alta, extremos por dentro, intensidade na procura, etc. Vi, no fundo, um processo capaz de nos conduzir a mais resultados. Hoje, o Sporting voltou a ser uma equipa descaracterizada. De elementos demasiado distantes, de jogo exterior forçado até à exaustão, de bola longa enquanto resultado da falta de linhas de passe próximas. Vi um processo aleatório que gerará, no meu entender, resultados aleatórios. 

O Vit. Setúbal é um conjunto muito inferior ao Sporting. O recente histórico desfavorável dos leões em Setúbal não pode ajudar a menorizar a diferença entre as equipas. Posto isto, não é normal ver nos primeiros 10/15 minutos de encontro a equipa de Alvalade com tantas dificuldades em impor-se no jogo devido a uma pressão forte da equipa da casa. Menos normal se torna, na segunda parte, ver o conjunto leonino a recuar linhas assim que vê a sua vantagem no marcador reduzida a um golo. Se chegou aos golos com bola e linhas subidas, porquê abdicar dos princípios que fizeram surgir a vantagem? Porquê renunciar ao que nos faz ganhar? É esta falta de processo – ou aleatoriedade de processo, se preferirem – que me preocupa.

Hoje, tudo foi demasiado cinzento embora ainda assim um pouco mais luminoso do que no adversário. Por outras palavras, o Sporting não jogou bem mas mesmo assim justificou a vitória mais do que o Setúbal. Pelo meio, Olegário Benquerença fez uma segunda parte mi-se-rá-vel ao expulsar anedoticamente Ewerton e com uma mão cheia de intervenções erradas que retiraram ao Sporting a possibilidade de terminar mais cedo o encontro. Ainda assim, há um mundo de distância entre este Sporting e aquele que, a certa altura, entusiasmou a massa associativa. O mesmo que merecia ter passado a fase de grupos da Liga dos Campeões, que eliminou o Porto da Taça de Portugal ou que em nada ficava a dever – antes pelo contrário! – ao Benfica. E é esse que peço de volta ao Marco Silva. Porque gostava do processo? Não! Pelos resultados que gerava e poderia vir a gerar; que não há mais resultadista do que eu.

A Figura

Suk – Num jogo de poucos destaques, o avançado asiático do Vitória apontou um golaço e provou que foi uma excelente aquisição por parte da equipa sadina. Forte fisicamente, tem potencial para crescer e vir a jogar num colectivo que lhe proporcione algo mais do que esta equipa o faz.

O Fora de Jogo

Olegário Benquerença – Se ainda não viste o lance que origina o segundo amarelo de Ewerton, vai ver. Quando vires, entendes que não preciso de justificar esta escolha.

Foto de capa: FPF

João Almeida Rosa
João Almeida Rosa
Adepto das palavras e apreciador de bom Futebol, o João deixou os relvados, sintéticos e pelados do país com uma certeza: o futebol joga-se com os pés mas ganham os mais inteligentes.                                                                                                                                                 O João não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

João Félix e o empate com a Colômbia: «Qualificámo-nos; era o mais importante»

João Félix abordou o empate de Portugal com a Colômbia. O avançado sublinha a total preparação para o resto do Mundial.

Como explicar o trambolhão de Portugal no último dia dos grupos? – Diário do Mundial 2026 #17

Portugal empatou com a Colômbia numa exibição cinzenta e vai encontrar a Croácia, que venceu o Gana. Já terminou a fase de grupos do Mundial 2026.

Eis o quadro final do 16 avos de final do Mundial 2026 e o percurso de todas as seleções até à final

O Mundial 2026 viu a fase de grupos terminar. Já são conhecidos todos os encontros e o chaveamento final dos 16 avos de final.

Atualização final: eis as 16 seleções eliminadas na fase de grupos do Mundial 2026

Escócia, Uzbequistão, Coreia do Sul e Irão estão eliminados do Mundial 2026. Seleções têm confirmado o afastamento da competição.

PUB

Mais Artigos Populares

Rafael Leão: «Criámos oportunidades claras de golo na primeira parte. Na segunda parte defendemos todos juntos»

Rafael Leão realizou a análise ao encontro entre Portugal e Colômbia, jogo relativo à terceira jornada fase de grupos do Mundial 2026.

Richard Ríos: «Trabalhámos pela vitória até ao último segundo, mas o futebol é assim»

Richard Ríos realizou a análise ao encontro entre Portugal e Colômbia, jogo relativo à terceira jornada fase de grupos do Mundial 2026.

Roberto Martínez: «O Mundial traz a realidade de que os jogos não correm como esperamos. Cristiano Ronaldo está bem fisicamente»

Roberto Martínez realizou a análise ao encontro entre Portugal e Colômbia, jogo relativo à terceira jornada fase de grupos do Mundial 2026.