Vitória FC 0-3 Sporting CP: A desforra do leão no Bonfim

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Num terreno onde a equipa de Jorge Jesus já foi infeliz esta época, considerando os primeiros quinze minutos da partida talvez não fosse clarividente o desfecho que o embate entre os Sadinos e os Leões iria impor. Questões tácticas sem surpresas, com ambas as equipas a priorizarem os esquemas habituais, e, aliás, bastante similares na estruturação ofensiva; parêntesis feito no lado do Sporting ao regresso à titularidade de Gelson Martins após a sua lesão e o reforço do regresso de Adrien. Passemos ao jogo.

Voltando a abordar o primeiro quarto de hora da partida, pareceu existir um Sporting expectante, que permitiu ao Setúbal desenvolver alguma actividade ofensiva e promover a posse. Foi, inclusive, à equipa da casa que pertenceram os primeiros lances de ataque do jogo, evidenciando-se algum nervosismo leonino. Para já, um aspecto que determinaria a produção Sadina que ocorrera durante o jogo: na organização ofensiva a equipa Sadina moldava no típico 4x4x2, com Bonilha, na transição, a colar nas costas de Edinho. A densidade posicional entre os blocos central e atacante foi um desafio para a defesa leonina, já que, no seu meio-campo, Adrien Silva não brindou como costuma brindar – tanto no passe como na segunda fase de pressão.

Como em qualquer jogo, o golo muda a orientação. O primeiro do Sporting chegou num lance que, porventura infeliz, revela a insistência e a astúcia de Gelson Martins, que aproveitou a passividade da defesa do Vitória para abrir o activo. Apesar do golo, o restante tempo da primeira parte continua a registar algum equilíbrio, com ambas as equipas a fomentarem a construção ofensiva. E apesar de, neste capítulo, o Sporting ter sido mais acutilante, é pertinente ressalvar a inteligência de José Couceiro ao atribuir a difícil tarefa a Mikel Agu de preenchimento da linha central. Com esta manobra do centro campista, o jogo leonino pelo corredor central diminui – daí a menor preponderância de movimentos de Alan Ruiz, que não teve bola nestas circunstâncias como é comum. O intervalo chegava com o Sporting na frente do marcador e com os seus dois laterais amarelados, implicando, no caso de Zeegelaar, a sua ausência do dérbi.

Ao contrário do primeiro golo, o segundo, facturado por William Carvalho, foi já suficiente para fazer ressentir a equipa da casa. Foi a partir deste momento que o Sporting pôde assumir na totalidade o controlo do jogo, entendendo-se por isto a responsabilidade de gerir o ritmo que se pretende dar à partida. Diga-se que o Vitória de Setúbal foi incapaz de manter a capacidade de pressão e que, inclusivamente, perderia parte do espaço na primeira fase de construção com a posterior entrada de Bryan Ruiz – golpe fatal para uma equipa que, ao contrário de outras, divide o seu processo entre o ataque rápido e a saída em organização. O terceiro golo foi, por isso, o golpe final de um jogo que deu mais Sporting na maioria do seu tempo.

Antes de finalizar, permitam-me este reparo: apesar de o circunstancialismo táctico lhe ter retirado eficácia, o passe de Alan Ruiz para a finalização – a 28ª -, de Bas Dost foi suficiente para abrilhantar a sua exibição. Como costumo dizer, até parece fácil, mas não está ao alcance do pé de qualquer um. Em suma, fica para a história um jogo vencido com naturalidade, com uma exibição segura e tranquila da equipa de Jorge Jesus, que voltou a provar que sabe jogar bom futebol na maior parte do tempo. Tudo deixa adivinhar um final de campeonato positivo e, claro, uma grande exibição na jornada que se segue!

Ricardo Gonçalves
Ricardo Gonçalves
Como uma célebre música diria, "eu tenho dois amores", com o desporto e a comunicação a ocuparem 50/50 do seu coração. Entusiasta confesso daquilo que é a alegria do futebol, promete transmitir-vos através de palavras as emoções que se sentem durante os 90 minutos (e além disso). Escreve sem acordo ortográfico

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