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Vitória FC 0-3 Sporting CP: A desforra do leão no Bonfim

Ricardo Gonçalves · 3 min

Vitória FC 0-3 Sporting CP: A desforra do leão no Bonfim
Foto: Vitória FC

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Num terreno onde a equipa de Jorge Jesus já foi infeliz esta época, considerando os primeiros quinze minutos da partida talvez não fosse clarividente o desfecho que o embate entre os Sadinos e os Leões iria impor. Questões tácticas sem surpresas, com ambas as equipas a priorizarem os esquemas habituais, e, aliás, bastante similares na estruturação ofensiva; parêntesis feito no lado do Sporting ao regresso à titularidade de Gelson Martins após a sua lesão e o reforço do regresso de Adrien. Passemos ao jogo.

Voltando a abordar o primeiro quarto de hora da partida, pareceu existir um Sporting expectante, que permitiu ao Setúbal desenvolver alguma actividade ofensiva e promover a posse. Foi, inclusive, à equipa da casa que pertenceram os primeiros lances de ataque do jogo, evidenciando-se algum nervosismo leonino. Para já, um aspecto que determinaria a produção Sadina que ocorrera durante o jogo: na organização ofensiva a equipa Sadina moldava no típico 4x4x2, com Bonilha, na transição, a colar nas costas de Edinho. A densidade posicional entre os blocos central e atacante foi um desafio para a defesa leonina, já que, no seu meio-campo, Adrien Silva não brindou como costuma brindar – tanto no passe como na segunda fase de pressão.

Como em qualquer jogo, o golo muda a orientação. O primeiro do Sporting chegou num lance que, porventura infeliz, revela a insistência e a astúcia de Gelson Martins, que aproveitou a passividade da defesa do Vitória para abrir o activo. Apesar do golo, o restante tempo da primeira parte continua a registar algum equilíbrio, com ambas as equipas a fomentarem a construção ofensiva. E apesar de, neste capítulo, o Sporting ter sido mais acutilante, é pertinente ressalvar a inteligência de José Couceiro ao atribuir a difícil tarefa a Mikel Agu de preenchimento da linha central. Com esta manobra do centro campista, o jogo leonino pelo corredor central diminui – daí a menor preponderância de movimentos de Alan Ruiz, que não teve bola nestas circunstâncias como é comum. O intervalo chegava com o Sporting na frente do marcador e com os seus dois laterais amarelados, implicando, no caso de Zeegelaar, a sua ausência do dérbi.

Ao contrário do primeiro golo, o segundo, facturado por William Carvalho, foi já suficiente para fazer ressentir a equipa da casa. Foi a partir deste momento que o Sporting pôde assumir na totalidade o controlo do jogo, entendendo-se por isto a responsabilidade de gerir o ritmo que se pretende dar à partida. Diga-se que o Vitória de Setúbal foi incapaz de manter a capacidade de pressão e que, inclusivamente, perderia parte do espaço na primeira fase de construção com a posterior entrada de Bryan Ruiz – golpe fatal para uma equipa que, ao contrário de outras, divide o seu processo entre o ataque rápido e a saída em organização. O terceiro golo foi, por isso, o golpe final de um jogo que deu mais Sporting na maioria do seu tempo.

Antes de finalizar, permitam-me este reparo: apesar de o circunstancialismo táctico lhe ter retirado eficácia, o passe de Alan Ruiz para a finalização – a 28ª -, de Bas Dost foi suficiente para abrilhantar a sua exibição. Como costumo dizer, até parece fácil, mas não está ao alcance do pé de qualquer um. Em suma, fica para a história um jogo vencido com naturalidade, com uma exibição segura e tranquila da equipa de Jorge Jesus, que voltou a provar que sabe jogar bom futebol na maior parte do tempo. Tudo deixa adivinhar um final de campeonato positivo e, claro, uma grande exibição na jornada que se segue!

A FIGURA

Fonte: Sporting CP
Fonte: Sporting CP

William Carvalho – Tanta vez criticado por falhar uns quantos passes num só jogo, William Carvalho é daqueles jogadores dicotómicos na avaliação. Pessoalmente: não concordo. Parece-me, por isso, justo dar-lhe destaque num jogo em que marcou e voltou a assumir-se como um pêndulo entre a segurança e a construção. De certo que um dia todos perceberão que jogar nessa posição exige tanto trabalho que só está à vista quando não se tem a bola.

O FORA DE JOGO

Fonte: Vitória FC
Fonte: Vitória FC

Bruno Varela – É sempre arriscado, e por vezes injusto, avaliar a prestação de um guarda-redes. Mas hoje, o brilhante guardião do Vitória de Setúbal não esteve à altura em dois lances fulcrais da partida. Num, podia ter evitado o desfecho; noutro, podia ter feito melhor. E às vezes não se ajuda a equipa fazendo apenas defesas do outro mundo.

Foto de capa: Vitória Futebol Clube

Ricardo Gonçalves

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