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Vitória SC 2-2 Sporting CP: o relato dos guarda-redes que fabricam golos

Romão Rodrigues · 4 min

Mathieu
Foto: Carlos Silva/Bola na Rede

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LEÃO ESBARRA NA PORTA DO CASTELO E É ESVENTRADO DUAS VEZES

Numa situação normal, o reduto do “Berço da Nação” perspetivava, para além da batalha campal com bola, a peleja travada entre as massas adeptas do Vitória Sport Clube e Sporting Clube de Portugal. Contudo, a pandemia só possibilitou a primeira mencionada.

Contra a corrente de jogo e a força do mérito, Acuña, num passe pejado de visão de jogo, descobriu Sporar e, quando se pensava que Douglas iria intersetá-la, acontece o golpe de teatro: atira-a contra o ponta-de-lança e este atira para a contagem. 0-1!

O clique parecia estar dado: a intensidade e o ritmo de jogo aumentaram progressivamente, a disputa de bola experimentou um espírito mais aguerrido e o perigo começava a pairar sobre o Afonso Henriques. Porém, o sufoco pela constante pressão exercida sobre a bola dava pouco espaço à criatividade.

Se esta jornada estava a ser fértil em falhanços de guarda-redes, Luís Maximiano quis dar o seu contributo: numa reposição de bola e posterior devolução de Eduardo Quaresma, o guarda-redes leonino entregou a bola a Joseph; este descortinou João Carlos Teixeira e, completamente isolado, sinalizou o golo do empate. 1-1!

A segunda metade iniciou-se com vontade de parte a parte. Com cerca de seis minutos corridos, Jovane lança em Sporar em profundidade e este, perante Douglas, é mais rápido, ludibria-o e aponta o segundo da conta pessoal 1-2! O Sporting desfazia a igualdade e aumentava os índices de confiança.

Com uma dose de querer enorme, João Carlos Teixeira, um dos mais inconformados, dançou sobre os adversários, rematou e a bola ressaltou em Battaglia: surpreendentemente, surge aos pés de Marcus Edwards que a envia para o fundo das redes. 2-2! O jogo estava relançado!

O último momento de destaque recaiu sobre a expulsão de Joseph: mérito para o Vitória de Guimarães, equipa que soube pautar o jogo a seu bel prazer e arrefecê-lo; demérito leonino, que pecou na eficácia e não soube aproveitar as oportunidades criadas.

A FIGURA

Jovane
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Jovane Cabral – Foi o motor leonino. A capacidade que possuiu para conduzir o ataque na maioria das situações conferiu algum ânimo ao adepto leonino. A velocidade, a sempre disponível capacidade física e a profundidade que ofereceu em qualquer parte do campo destacou-o. Como nota de reparo, o último passe e o eterno problema da finalização. Se isso não faltasse, Jovane saía em glória da partida.

O FORA DE JOGO

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Max e Douglas – aquela que constitui, muitas vezes, a metáfora de uma muralha intransponível, hoje ruiu sobre si. Douglas e Luís Maximiano estavam em pleno dia “não” e comprometeram um desfecho que podia vislumbrar-se diferente. A pandemia confinou a população e eles confinaram as suas capacidades. Verdadeiros atores do espetáculo dos horrores.

ANÁLISE TÁTICA – VITÓRIA SC

Durante os primeiros vinte minutos, a formação vimaranense cercou e dominou o meio campo leonino: apostou no músculo e na superioridade dos seus homens e delineou o início de pressão alta junto do setor mais recuado leonino. Contudo, o quarteto defensivo transparecia alguma instabilidade. Marcus Edwards foi o eleito para comandar as investidas dos minhotos, enquanto se desenhavam triangulações com Joseph e João Carlos Teixeira. A segunda metade acentuou a debilidade na retenção da profundidade por parte do setor defensivo: consequentemente, a manobra ofensiva apresentava sinais de inibição e desconforto até ao segundo tento, facto que pôs em sentido o adversário. A expulsão de Joseph resultou na perda de ímpeto do meio campo, na incapacidade de circulação de bola e no desvanecimento do processo criativo.

ONZE INICIAL E PONTUAÇÕES

Douglas (5)

Victor García (5)

Frederico Venâncio (4)

Bondarenko (5)

Florent Hanin (5)

Pêpê Rodrigues (5)

João Carlos Teixeira (7)

Joseph Amoah (4)

Marcus Edwards (7)

Léo Bonatini (5)

Davidson (6)

 

SUBS UTILIZADOS

Bruno Duarte (5)

Lucas Evangelista (4)

Suliman (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP

Início tímido caracterizado pela entrega de posse de bola ao adversário, alguma pressão alta e inúmeras disputas de bola perdidas face à falta de ímpeto no meio campo. O setor mais recuado oscilava entre mostras de acalmia e barafunda (golo do Vitória Sport Clube como exemplo ilustrativo). Alternadamente, ora os centrais leoninos bombardeavam as costas da defesa vimaranense, ora o ataque era perpetrado sobre o flanco direito e conduzido por Jovane Cabral, que explorou de modo exaustivo as costas de Florent Hanin e a sua incompatibilidade com Frederico Venâncio. Na segunda metade, Rúben Amorim afinou pormenores defensivos e não alterou a missiva das bolas em profundidade. A conquista de faltas perto da área adversária era sinónimo da maior tranquilidade no jogo e na capacidade de retenção do esférico. Contudo, o golo sofrido provocou inquietação na tomada de decisão. Após a saída de Vietto, o ataque leonino perdeu algum critério e a inexperiência de Plata, a falta de eficácia de Camacho e a perda de força de Jovane. Pouco discernimento na fase pós-expulsão de Joseph.

ONZE INICIAL E PONTUAÇÕES

Luís Maximiano (5)

Eduardo Quaresma (7)

Sebastián Coates (6)

Jérémy Mathieu (7)

Marcos Acuña (6)

Rodrigo Battaglia (5)

Matheus Nunes (6)

Rafael Camacho (6)

Andraz Sporar (8)

Jovane Cabral (8)

Luciano Vietto (6)

SUBS UTILIZADOS

Idrissa Doumbia (4)

Gonzalo Plata (4)

Artigo revisto por Joana Mendes

Romão Rodrigues

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