Casa Pia AC 2-0 Boavista FC: Gansos bicaram pantera e voaram para os grupos

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O Casa Pia AC está pela primeira vez na fase de grupos da Taça da Liga e logo depois de eliminar o oitavo classificado da última edição da Liga Portuguesa! Sob o olhar esverdeado do pinhal que cobre a lateral oposta à bancada central, os recém-promovidos à Segunda Liga não precisaram de ir ao convento da vila que lhes serve de casa até outubro – mês em que se perspetiva que as obras no Estádio Pina Manique estejam concluídas – para levar de vencida uma equipa do Boavista FC que não conseguiu contrariar a organização da equipa comandada por Luís Loureiro.

A uma semana da estreia nos respetivos campeonatos, Casa Pia e Boavista entravam para esta fase da competição com os olhos postos nos grupos dos quais podiam fazer parte se conseguissem levar de vencido o seu oponente. Do lado dos da “casa”, apenas duas mexidas em relação ao 11 que bateu o Vilafranquense no último domingo: o capitão Carlitos deu lugar a Abel Pereira e Martim Maia, jogador que chegou esta época emprestado pelo Rio Ave FC, substituiu o criativo Mateus. Já o Boavista entrou em campo com o meio-campo quase reformulado, em comparação com o último jogo frente ao CD Tondela, com Fábio Espinho e Obiora a ocuparem os lugares entre a linha defensiva e atacante, juntamente com Rafael Costa; na defesa, Dulanto substituiu o veterano Ricardo Costa.

A tarde soalheira colaborou com as centenas de adeptos que se deslocaram ao Parque Desportivo Municipal de Mafra, cenário idílico que acolheu uma moldura humana respeitável e que se fazia ouvir de um lado ao outro do relvado, acudindo ao repto deixado pelos timoneiros dos dois clubes nas conferências de antevisão a este embate.

O encontro, que se iniciou numa toada morna, viu uma equipa do Boavista tentar assumir a posse desde cedo, mas com bastantes dificuldades a desmontar a organização defensiva do Casa Pia. Yusupha ia sendo o jogador mais atrevido dos axadrezados, procurando repetidamente ganhar as costas à defesa casapiana e foi numa dessas ocasiões que atirou por cima da baliza de Rafael Marques, à passagem do minuto dez. O Casa Pia equilibrou e ia procurando manter a bola o mais longe possível da sua baliza, utilizando, para isso, as novas regras do pontapé de baliza, posicionado os dois centrais em largura na linha do guarda-redes e subindo em bloco o resto da equipa, batendo longo para o espaço central vago entre a defesa do Boavista obrigada a estar baixa e o meio-campo que era obrigado a subir para dar cobertura aos dois centrais que ficavam na grande área adversária.

Casa bem composta em Mafra
Fonte: Bola na Rede

A troca de extremos do Boavista, a meio do primeiro tempo, não surtiu efeito e os gansos iam-se sentindo cada vez mais confortáveis com bola. Em processo defensivo, 4-4-2 clássico; em organização ofensiva, formavam uma linha de três na retaguarda, com David Rosa a ocupar o espaço vago deixado por Martim Maia, que fletia para o interior, onde viria a fazer a diferença.

As oportunidades iam-se sucedendo para ambos os lados mas o intervalo chegou antes do placard se alterar.

A segunda parte trouxe, no entanto, o que a primeira tinha deixado a desejar: o golo. Segundos após o apito para o início do segundo tempo, Martim Maia chamou a si a convicção de que podia ser herói no primeiro jogo a titular e, ajudado por um pequeno sopro do vento que se fazia sentir no estádio, contrariou a lógica e inaugurou o marcador em Mafra.

As panteras não se fizeram rogadas e, atiçadas pelos seus adeptos, foram para cima da muralha preta e branca, que se ia desdobrando à velocidade da luz em perigosos contra-ataques e foi numa dessas situações que o Casa Pia chegou ao segundo golo: saída rápida de pressão e bola lançada para Jean que, acabado de entrar, correu com a bola vários metros e serviu com mestria o irrequieto Kenidy, que só teve de desviar o esférico de Bracali.

O resultado manteve-se até ao derradeiro apito e o Casa Pia tombou o gigante Adamastor, honrando a cruz que os seus jogadores traziam ao lado do coração de guerreiros.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

Casa Pia AC: Rafael, Simão, P. Machado, A. Pereira, J. Coito, Kikas (Jean 57’), Roncatto (Carlitos 87’), Wilson Kenidy, J. Ribeiro (Joel 63’), D. Rosa e Martim

Boavista FC: Bracali, Obiora, Talocha, G. Sauer, F. Espinho (Mateus 52’), Yusupha, Dulanto, Edu Machado, Rafael Costa (52’), Neris e Heri (Paulinho 68’)

Miguel Ferreira de Araújo
Miguel Ferreira de Araújohttp://www.bolanarede.pt
Um conjunto de felizes acasos, qual John Cusack, proporcionaram-lhe conciliar a Comunicação e o Jornalismo. Junte-se-lhes o Desporto e estão reunidas as condições para este licenciado em Estudos Portugueses e mestre em Ciências da Comunicação ser um profissional realizado.                                                                                                                                                 O Miguel escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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