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A Rainha pouco democrática

Diogo Pires Gonçalves · 2 min

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A Taça de Portugal 2019/20 cumpriu a sua 3ª eliminatória e aguarda agora sorteio para definir os duelos que se seguem. Já com as equipas da Primeira Liga em ação, assistimos a surpresas e ao surgimento dos tão acarinhados “tomba-gigantes”.

À margem dos feitos históricos que clubes de pequena dimensão alcançam, está o outro lado de uma prova gasta, cansada e, no limite, desvirtuada. Falo, claro está, do sistema de “repescagem”. A ideia surge para combater aquilo que, no meu entender, já era um erro desde o início.

De acordo com o regulamento da prova rainha, participam na competição todos os clubes integrantes dos campeonatos nacionais, isto é, Primeira e Segunda Liga e Campeonato de Portugal. Além destes, também os vencedores das Taças Distritais e segundos classificados dos Campeonatos Distritais podem participar, desde que confirmem atempadamente o seu interesse.

Aqui começam as deficiências da prova; se o objetivo é levar a Taça a sítios onde nunca foi e estender a magia e a festa a todo o país, porque não alargar a participação a mais equipas? Desta forma garantir-se-ia um número elevado de participantes desde o início e suficiente para que não fosse necessário proceder a repescagens ou eliminatórias com equipas isentas.

Outra das melhorias residiria na introdução das equipas da Primeira e Segunda Liga desde a primeira eliminatória. À luz do regulamento atual, estes emblemas só entram em competição a partir da terceira eliminatória.

A par do Club Sintra Football, o FC Alverca foi uma das sensações da jornada ao eliminar o detentor do título
Fonte: FC Alverca

Reunindo todos os clubes dos campeonatos profissionais e vencedores das Taças Distritais, o número de participantes rondaria os 128 necessários para que a prova decorresse sem percalços. Com este número assegurado de início seriam necessárias cinco eliminatórias, duas meias-finais e a grande final para encontrar o vencedor; sem repescagens, sem clubes isentos.

Afinal, que mal vinha ao mundo, ao colocar de início FC Porto, SL Benfica ou Sporting CP a defrontar SC São João de Ver, SC Bustelo ou GD Coruchense? Isso sim, seria levar a Taça a todo o lado. Isso seria uma prova disputada em igualdade de circunstâncias. É que entrar a meio da prova e vencê-la com metade dos jogos disputados tem muito que se lhe diga.

Outro dos pormenores ridículos, e que permitem anormalidades na prova, é a repescagem. Os clubes envolvidos em nada são culpados, apenas fazem o que o regulamento permite. Senão, veja-se: na 1ª eliminatória, o CF Canelas 2010 eliminou o Valadares Gaia FC, mas voltaram a encontrar-se na 3ª eliminatória, com nova vitória dos canários. Também na 1ª eliminatória, o AC Marinhense foi eliminado nas grandes penalidades pelo CD Fátima, mas reeditaram o encontro na 3ª eliminatória e desta vez o Atlético levou a melhor. O eliminado virou apurado…

A dúvida que se põe é se a palavra “eliminação” tem outro significado no dicionário da FPF que não seja expulsar ou suprimir… Ainda assim, com todas estas condicionantes, os clubes de menor dimensão não mostram qualquer inibição em eliminar primodivisionários e campeões em título, como se assistiu nesta 3ª eliminatória. É urgente reformular a prova e conferir-lhe a justiça de que precisa. Não tem mal nenhum se não forem os mesmos de sempre a vencer. Só ganha o futebol português.

Foto de Capa: SL Benfica

Artigo revisto por Diogo Teixeira

 

 

Diogo Pires Gonçalves

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