Caldas SC 1-1 (4-2, g.p.) Académica OAF: O sonho permanece vivo

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Eram 11h da manhã e o recinto já estava pintado de preto e branco. De um lado adeptos da equipa caldense, do outro adeptos da Académica. A festa da taça era um sinónimo que descrevia muito bem aquela moldura humana. Ontem já estavam vendidos os 1500 ingressos que o Caldas havia cedido à equipa de Coimbra. Do lado dos visitados e após uma vitória histórica contra o Arouca os adeptos acreditavam que podiam seguir em frente e demonstraram-no com a presença no estádio. Há muitos anos que o Campo da Mata, nas Caldas da Rainha, não via uma enchente assim.

Os dados estavam lançados. A partida começa e o equilíbrio pauta aquilo que iriam ser os primeiros 15 minutos de jogo. O Caldas atacava de forma mais pragmática, enquanto a Académica tentava impor o seu jogo. Corria o minuto 16´ quando João Rodrigues, conhecido também por Tarzan, antecipa-se a um defesa da Académica e com um remate rasteiro coloca a equipa da casa em vantagem no marcador. O guarda-redes forasteiro ainda defendeu, mas não conseguiu evitar que a bola entrasse na baliza. 1-0 ganhava o Caldas.

Um jogo onde as faltas foram recorrentes, de parte a parte, e em que o primeiro lance de perigo da Académica só chegou ao minuto 34. Grande remate de Luisinho que Luís Paulo conseguiu desviar para canto.

A Académica subia no jogo e consequentemente a equipa caldense recuava, situação que se agravou com a expulsão dos extremos do Caldas. Luís Farinha viu dois cartões amarelos no espaço de três minutos. O jogo ia para o intervalo com o Caldas na frente e já com um jogador a menos. O treinador da Académica Ricardo Soares também já tinha sido expulso por protestos, já perto do final da primeira parte.

Desde o intervalo que a equipa caldense jogava reduzida a dez jogadores
Desde o intervalo que a equipa caldense jogava reduzida a dez jogadores

A segunda parte trouxe um jogador da equipa de Coimbra ao jogo, Harramiz substituía Guima e a Académica ficava assim com dois jogadores muito perto de zona de finalização.

Neste momento a partida já só tinha um sentido – a equipa que luta pela subida ao principal escalão português atacava, enquanto o Caldas, clube que atua na série D do Campeonato Nacional Prio, tentava defender o resultado como podia. Baixou as linhas e deixava Pedro Emanuel sozinho na frente numa tarefa algo ingrata.

Tanto tentou a Académica, ora rematando de fora de área ora através de cruzamentos, que acabou mesmo por marcar. Mike Moura de cabeça empatava a partida numa altura em que a equipa da casa jogava apenas com nove jogadores. O lateral direito do Caldas, Juvenal, estava fora de campo a ser assistido.

Até ao final dos 90 minutos nada mudou. Foram muitos os lances de perigo que a briosa criou, mas que foram sendo evitado, tanto pela falta de sorte da equipa de Coimbra como pela grande exibição do guardião caldense.

No prolongamento o rumo do jogo permaneceu igual. A equipa das Caldas ia aguentando como conseguia e a Académica tentava evitar as grandes penalidades – o que não aconteceu.

No desempate por grandes penalidades a equipa das Caldas levou a melhor. André Simões, que foi o principal jogador na fase de construção do Caldas, marcava o penalti decisivo e, uma vez mais, a equipa caldense levava a melhor sobre equipas da segunda divisão. Na próxima eliminatória da Taça de Portugal o Caldas vai receber em sua casa a equipa do Farense e para os adeptos do clube da cidade das Caldas da Rainha o sonho do Jamor permanece vivo.

Rafael Raimundo
Rafael Raimundohttp://www.bolanarede.pt
Desde pequeno que passa as tardes de sábado a ver tudo o que seja desporto. Adora o seu clube, mas tem enorme facilidade em reconhecer quando algo não está bem. Sempre disposto a ouvir novas opiniões, desde que bem fundamentadas, e a debatê-las quando necessário.                                                                                                                                                 O Rafael não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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