Carta Aberta a todos os órgãos de comunicação social

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E não me interpretem mal, não peço que se deixe de falar dos casos ilegais que acontecem fora das quatro linhas, como é óbvio o jornalismo também tem que pautar por ser denunciador destes casos, mas apenas quando existem provas irrefutáveis do mesmo e têm de haver um maior equilíbrio quando se fala do jogo fora das quatro linhas e do jogo dentro das quatro linhas, aquilo que se vê atualmente é o futebol como jogo jogado ser muito pouco discutido nas televisões, nas rádios e nos jornais. Temos as televisões cheias de programas televisivos, alegadamente desportivos, onde se passam duas horas apenas a discutir os casos fora das quatro linhas, chega disto! O futebol não é nem nunca poderá vir a ser isto. Para quando mais programas onde se passam duas horas APENAS a discutir futebol? Na sua vertente tática, opções dos treinadores e situações do jogo, etc…

Se quiserem eu dou-vos uma ajuda ao dar exemplos práticos daquilo que já acontece em outros países e que demonstra aquilo que eu idealizo para a nossa imprensa desportiva, mais programas como este que existe semanalmente na Sky Sports:

Alia-se o conhecimento que estes protagonistas possuem, neste caso o Thierry Henry, com o potencial enorme que existe no mercado do jornalismo português desportivo. Olhemos para os exemplos que o nosso jornalismo desportivo nos deu, começando desde logo pelo “enorme” Artur Agostinho, Rui Tovar, Gabriel Alves, entre outros…

Continuando neste ritmo alucinante de escândalos fora das quatros linhas, de ataques a instituições e a pessoas ligadas ao futebol corremos o risco de dentro de alguns anos termos uma população que se “desligou” do futebol português por se sentir cansada e farta da realidade atual e de criarmos crianças que conhecerão melhor os jogadores da Liga Inglesa do que os jogadores da nossa liga, esta já é uma realidade em muitos países de Leste onde os jogadores da Liga Inglesa e Espanhola são amplamente mais conhecidos que os jogadores dos campeonatos locais, é esta a realidade que queremos trazer para o nosso pais? É que para lá caminhamos, cada vez mais há vozes emergentes que pedem desesperadamente por um novo rumo na nossa comunicação social, e não é por acaso. É porque há mesmo muitas pessoas que gostam genuinamente de futebol e que querem ver futebol e ver/ouvir discutir futebol. Estas são as primeiras pessoas a fartarem-se do nosso futebol e a virarem os olhares para outras ligas.

É mau para todos, para o nosso futebol, para os clubes e para a comunicação social também. Espero que o ponto de rutura na nossa comunicação social esteja para breve e que consigamos trazer um maior equilíbrio no espaço mediático desportivo.

Que o ano de 2018 nos traga a tão famosa “pacificação” que nunca será 100% possível, mas que contribuirá para um melhor futebol, os órgãos de comunicação social também terão um importante papel nesta pacificação, enganem-se se pensam que não.

Foto de Capa: Meios e Publicidade

Rui Pedro Cipriano
Rui Pedro Ciprianohttp://www.bolanarede.pt
Nascido e criado no interior, na Covilhã, é estudante de Ciências da Comunicação, na Universidade da Beira Interior. É apaixonado pelo futebol, principalmente pelas ligas mais desconhecidas, onde ainda perdura a sua essência e paixão.                                                                                                                                                 O Rui escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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