Carta Aberta aos Diretores de Comunicação dos Três Grandes

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Cabeçalho Futebol Nacional

Meus caros – e demais equipas,

É fácil perceber o porquê desta carta. Dirijo-me a vocês como apreciadora de futebol, como adepta e como estudante da área em que estão inseridos.

Em primeiro lugar, quero-vos dizer que sempre estive atenta ao trabalho que desenvolvem nos clubes. Tanto porque é um departamento onde gostaria de exercer, mas também porque acredito que é uma parte muito importante das entidades que representam. Graças a isto, gostava também de vos perguntar: O que é que vos está a passar pela cabeça neste momento?

Não sei se repararam, mas o futebol é um meio – principalmente em Portugal – que mexe demasiado com as emoções dos demais. E vocês, caso não se tenham apercebido (ou querem ignorar) têm mexido com o futebol de uma forma totalmente negativa. Juntámos benfiquistas, sportinguistas e portistas (peço desculpa aos adeptos dos demais clubes, mas o que vos move não são ódios) num único objetivo: saíram todos à rua quando foi para festejar o campeonato europeu. Fomos todos verdes, vermelhos, azuis, brancos e amarelos, fomos todos uma só equipa. Fomos todos 1 dos míticos 11 milhões.

Curioso é, depois de termos acabado esta gloriosa campanha, voltarem os ataques uns aos outros. Criaram ódios absurdos para justificar erros que muitas vezes, vocês começaram. Já pararam para olhar um bocadinho para o tipo de comunicação que se faz lá fora, naqueles países que sabem verdadeiramente qual é a essência do futebol?

Primeiro, um de vocês lançava ora comunicados a torto e a direito, ora lançava publicações no Facebook, ora tentava provocar os seus pares de trinta mil maneiras, muitas das quais não se reviam no clube que representa(va) e que o tornavam quase motivo de chacota.

 

Luís Bernardo, tal como os seus homólogos, já foi castigado por acusações que fez Fonte: Hugo Gil e Benfica
Luís Bernardo, tal como os seus homólogos, já foi castigado por acusações que fez
Fonte: Hugo Gil e Benfica

 

Outro, este ano, lembrou-se de atacar um clube adversário com a divulgação de sucessivos emails e acusações gravosas. Atenção, aqui não estou a defender a parte acusada, e nem sequer está em questão o teor das acusações. Está sim, por sua vez, a forma como tudo foi promovido, denegrindo a imagem do futebol português além-fronteiras. Este tipo de situações não são expostas nem resolvidas num meio de comunicação – interno, ainda por cima – mas sim em locais próprios para a respetiva análise. É só triste pensar no que se pode fazer e no mal que se pode causar com este tipo de acusações. Não só ao clube adversário, mas também ao resto do futebol português, que acabará por viver numa constante desconfiança, tornando-o muito menos atrativo.

Por fim, um que eu considerava que não se estava a comportar nada mal, deita tudo a perder com o tipo de expressões que utilizou no site oficial do clube, em que acusa os outros dois de – passe a expressão –  dor de cotovelo. Mas o que é isto? É esta a posição que teima em defender? De não pedir à equipa resultados para mandar as grandes “chapadas de luva branca” mas acusar os outros de dor de cotovelo. Pergunto: isto é o jardim de infância?

Eu não estou a dizer que nenhum tem razão ou que todos são providos da mesma. Venho é, desta forma, pedir para terem respeito pelos amantes do futebol português. Pelos vossos adeptos, pelos clubes e pela situação em que estão a deixar este desporto. Não sou eu que tenho que lembrar isto, mas vocês são o motor da comunicação do vosso clube. É por vocês que passa a dinamização da marca, é por vocês que passa, em grande parte, a confiança dos públicos, sejam eles adeptos, investidores, patrocinadores ou funcionários. Isto não é ambiente para ninguém. O vosso objectivo é unir, nunca afastar pessoas da instituição.

Mais que ninguém, são vocês a criar discórdia, são vocês a incrementar o ódio entre adeptos, e é em vocês que está a forma de solucionar isto. Dizem-se defensores fervorosos dos vossos clubes. Mas eu agora pergunto: e dos vossos adeptos?

É triste a forma como estão a deixar o futebol português. É triste ver que plantéis com tanta qualidade estão a ser diminuídos por três cabecinhas pensadoras que se preocupam mais em alimentar os egos que em tratar o futebol com o respeito merecido.

O futebol português está rasca. A pressão que colocam sobre outros órgãos deste desporto é quase insultuosa. Queixam-se que os árbitros cometem erros desnecessários. Queixam-se que são eles os principais elos problemáticos. Mas admitam, vocês não estão a fazer muito melhor.

Que tal começarem a comportar-se consoante o cargo que ocupam e deixarem-se desta mesquinhez? Portem-se como gente civilizada.

O futebol agradece.

Foto de Capa: Planète Sporting

artigo revisto por: Ana Ferreira

Marta Reis
Marta Reishttp://www.bolanarede.pt
Serrana e Sportinguista de gema. Doente por futebol desde que se conhece e apreciadora de ténis e NBA.                                                                                                                                                 A Marta escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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