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Força da Tática: Andaluzia, A Song of Red and Green (Episódio 1)

João Mateus · 4 min

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Se há região em Espanha, que é representativa do povo espanhol é a Andaluzia. A Costa del Sol aquece o sangue de um povo alegre, onde a herança do mundo árabe vive lado a lado, com belos igrejas e monumentos construídos durante a reconquista cristã. Onde encontramos em Sevilha, a cidade mais representativa dessa região.

É aí, a menos de quatro quilómetros, que estão dois templos:  Benito Villamarin e Sanchez Pizjuan. Monumentos que separam uma cidade, na guerra apaixonante pelo trono do futebol.

Sevilla Futebol Clube e Real Betis Balompié, a song of red and green.

Ao longo desta série, proponho olhar taticamente para estas equipas. Treinador, processos, jogadores. O jogo.

Ep 1 | Sevilha FC

Depois de anos de glória, particularmente em termos europeus, a época passada desiludiu um pouco. Pelo sétimo lugar, mas principalmente por terem acabado a época atrás do seu grande rival (Real Betis), algo que não acontecia há alguns anos.

Para reconquistar o trono da cidade, os responsáveis do Sevilha foram à Catalunha contratar Pablo Machin. Técnico que ao serviço do, do na altura recém-promovido, Girona FC montou uma equipa muito interessante de ver jogar.

Agora em Sevilha, Machin continua a apostar no 3-4-3, muitas vezes próximo de um 3-4-2-1, como vimos na primeira jornada, onde André Silva foi a referência mais adiantada da equipa. A primeira linha é formada (geralmente) por Sergi Gómez, Kjaer e Mercado, com Escudero e Navas na função de alas laterais. Na imagem em baixo, vemos como estes dois homens permanecem bem abertos nos corredores, a pisar a linha lateral, com o corredor central da responsabilidade e Roque Mesa e Banega.

Fonte: Eleven Sports

Na terceira linha, posicionados verticalmente entre os alas laterais e os médios centros, encontramos Sarabia e Vázquez que dão apoio ao homem mais adiantado, André Silva. A riqueza de soluções no banco de suplentes é enorme, nomes como Amadou, Promes, Ben Yedder e Nolito, para nomear alguns, podem a qualquer momento entrar para o onze inicial.

Processo Ofensivo

A proposta ofensiva do Sevilha baseia-se num início de construção estável evoluindo rapidamente para passes verticais e diagonais. É comum, particularmente com a presença de André Silva, ver o português baixar da sua posição mais adiantada, para ganhar a primeira bola e desviar a mesma para Sarabia ou Navas. Esta jogada é apenas um exemplo de uma das várias formas como o Sevilha procura constantemente criar espaços atrás das linhas médias adversárias, para tirar o máximo partido do espaço entre o corredor central e lateral, zonas ocupadas constantemente por Sarabia e Vázquez.

Fonte: La Liga TV

A partir desse ponto, quando esses homens, conseguem receber a bola, ficam numa posição extremamente vantajosa. Onde o suporte dos alas laterais (Escudero e Navas), que garantem a largura, fator chave para esticar as linhas defensivas adversárias, permite ao Sevilha agredir o adversário.

Construção de jogo

A construção do Sevilha é muito orientada para a manutenção da posse dentro do seu meio campo. Os três centrais não abrem muito, mantêm uma estrutura mais central, e os alas laterais dão largura, mas recuam muitas vezes no campo para atrair os marcadores diretos, o que mais tarde permite tirar máximo partido do já referido espaço, entre o central e o lateral.

Muitas vezes, o adversário é iludido. Parece que o Sevilha está com dificuldades em sair a jogar, o que leva o adversário a avançar, a pressionar mais à frente para colocar os homens de Machin sobre pressão, mas com a qualidade técnica de jogadores como Banega, e seus “amigos”, essa pressão raramente incomoda a equipa. A qualidade individual dos jogadores permite à equipa assumir comportamentos de risco, manipulando a pressão do adversário que o faz muitas vezes de forma destruturada, pela ilusão de que está perto de ganhar a bola. Deixavam a sua posição cedo demais para pressionar e tentar ganhar a bola, sem ter um colega a dar cobertura.

Resumindo, tudo o que o Sevilha procura fazer a nível ofensivo, é transformar a posse (dentro do seu meio campo) no domínio do espaço em zonas mais avançadas. Da posse de bola, para bolas diagonais e verticais, possibilitando as infiltrações dos seus jogadores na defesa adversária.

Fase Defensiva

Na Catalunha, ao comando do Girona, Machin tinha como dupla de meio campo: Pons e Granell. Dois jogadores muito mais defensivos, se compararmos com Banega e Mesa. Apesar de uma realidade diferente, defensivamente, o treinador parece exigir da sua dupla o mesmo papel em termos defensivos.

Esse papel é o de cortar linhas de passe, particularmente as verticais e diagonais no corredor central, mais do que marcar o adversário. Apesar disso, existe sempre um trade-off, e se o Sevilha ganha muito mais ofensivamente com esta dupla do que acontecia com o Girona, defensivamente o Sevilha sofre um pouco. Veja-se como o posicionamento corporal dos homens no corredor central abre um canal enorme para o passe vertical e como a linha defensiva está desarticulada, permitindo o movimento no lado cego.

via GIPHY

Defensivamente, ainda precisa de muito trabalho, aliás como é típico nas equipas do Sevilha nos últimos anos. Os adversários sentem-se confortáveis em explorar o espaço entre o ala lateral e o central, através da fraca pressão na bola no corredor central. Esses dois homens, Banega e Mesa, ficam muitas vezes em situações de inferioridade numérica e são facilmente manipulados, deixando os três centrais muito expostos, no corredor central, aos movimentos dinâmicos do adversário.

A primeira batalha, pelo trono, foi ganha pelo Real Betis (1-0). Contudo, a guerra só acaba em Maio e a armada vermelha ainda está a procurar o seu equilíbrio.

 

Foto de Capa: La Liga

João Mateus

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