Bolonha de Thiago Motta | No norte de Itália vigora o romantismo

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Bolonha, a capital da região da Emília-Romanha, é uma cidade que exala história, cultura e uma atmosfera vibrante. Conhecida como La Dotta, Bolonha é uma mistura encantadora de tradição com modernidade.

Os Rossoblù são dos clubes mais emblemáticos de Itália com uma história que remonta ao início do século anterior. O Bolonha viveu o seu período de ouro entre as décadas 20 e 40, tendo conquistado sete títulos da Serie A. Ídolos do futebol mundial, como Baggio, Batistuta, Giuseppe Savoldi e Giuseppe Meazza são exemplos de jogadores que em diferentes eras, demonstraram toda a sua magia no Estádio Renato Dall’Ara.

Com Thiago Motta, o Bolonha é das equipas mais fascinantes do momento. A nível tático, o ítalo-brasileiro era um jogador superdesenvolvido, sendo a sua equipa um espelho daquilo que foi o antigo médio de Barcelona e Paris Saint Germain. Com processos táticos complexos e exigentes, o Bolonha ocupa a quinta posição do campeonato italiano e eliminou o Inter nos oitavos de final da taça.

Dinamismo do Bolonha com bola

A primeira fase de construção do Bolonha apresenta grande fluidez e variedade. Thiago Motta valoriza a ocupação dos espaços, destacando que um mesmo espaço pode ser ocupado por diferentes jogadores ao longo da partida.

O Bolonha constrói com quatro jogadores, contabilizando o seu guarda-redes que assume um papel crucial ao nível do passe curto, atraindo a pressão adversária ou na procura da profundidade. Os quatro jogadores atrás conferem segurança na circulação inicial do Bolonha. De realçar, as opções que Calafiori oferece à equipa de Thiago Motta. Em condução queima linhas com enorme facilidade e em jogo apoiado, destaca-se igualmente pela sua qualidade de passe.

A existência de um duplo pivôt é um aspeto mandatório no processo de construção dos Rossoblù. Habitualmente, este é formado por Freuler, sendo o segundo homem, Lucumi ou um dos laterais. Lucumi quando inverte, assume uma função bastante similar à de Stones no Manchester City. O colombiano, tecnicamente, é dotado de muitos recursos e do ponto de vista táctico é um jogador extremamente desenvolvido. Com estas características, não é de estranhar que Thiago Motta lhe confira um papel de tanta importância e complexidade.

Lucumi ou um dos laterais do Bolonha a funcionar como segundo médio
Lucumi ou um dos laterais do Bolonha a funcionar como segundo médio

A presença de homem extra na zona central pode ser explicada por diferentes motivos. O Bolonha fica mais protegido no caso de perda de bola em zona central, possuindo um jogador a mais para os duelos defensivos. Com isto, a turma de Thiago Motta consegue mais facilmente prevenir possíveis contra-ataques do adversário. Adicionalmente, tem o objetivo de baralhar a pressão adversária e permitir que os jogadores mais talentosos possam receber a bola libertos de marcação. Os médios Aebischer e Fergunson que tem sido um dos destaques da equipa com cinco golos e três assistências, até ao momento, operam entre linhas. O avançado e principal estrela, Zirkzee, baixa no terreno, oferecendo uma linha de passe para ajudar a equipa a progredir no campo.

Zirkzee em aproximação é fundamental na primeira fase de construção do Bolonha
Zirkzee em aproximação é fundamental na primeira fase de construção do Bolonha

Uma alternativa que é explorada algumas vezes por Thiago Motta, consiste na utilização de seis elementos na construção, incluindo o guarda-redes. Neste caso, os elementos da linha defensiva, assumem um posicionamento mais central. O médio de cariz mais ofensivo, Fergunson, descai para um dos lados, conferindo largura e arrastando a marcação de um dos seus adversários. Este tipo de dinâmica confunde a pressão adversária, facilitando o jogo interior por parte do Bolonha.

Movimento de Fergunson arrasta marcação e abre espaço no meio
Movimento de Fergunson arrasta marcação e abre espaço no meio

Outra alternativa, explorada por Thiago Motta, é a troca entre Lucumi e Freuler. O colombiano passa a operar como médio defensivo, enquanto o suíço se posiciona como central à esquerda. Este tipo de dinâmica é frequente no Inter de Inzaghi. No caso dos vice-campeões europeus, a permuta é efetuada entre Acerbi ou Bastoni com um dos médios. Esta troca confere mais espaço na zona central, principalmente entre setores, à equipa que tem a bola, facilitando assim a sua progressão.

Lucumi e Freuler permutam na construção de jogo do Bolonha
Lucumi e Freuler permutam

A constante, nas diferentes dinâmicas apresentadas pelo Bolonha na primeira fase de construção, é o posicionamento dos seus extremos. A largura é sempre conferida por Orsolini e Saelemaekers (Ndoye tem ganho preponderância) que atuam bem encostados às linhas laterais.

O Bolonha é uma equipa extremamente paciente com bola. Mesmo quando é submetida a uma forte pressão por parte dos seus adversários, facilmente, arranja soluções para desenvolver o seu jogo ofensivo.

O sucesso no momento atacante da equipa de Thiago Motta, deve-se em grande parte, à eficácia na primeira fase de construção e, adicionalmente, à ótima forma de jogadores como Fergunson, Orsolini e Zirkzee que fazem a diferença no último terço.   

Pensar em defender quando se ataca

O momento defensivo não pode ser apenas valorizado por aquilo que permite perto da baliza, e de forma redutora pelo que permite na defesa da mesma. O futebol é um jogo onde atacas a defender e defendes a atacar. 

A tese de Thiago Motta (The value of the ball), contém diversos princípios que estão bem patentes no jogo do Bolonha. A equipa defende-se com bola.

O Bolonha é uma equipa que preza bastante a posse de bola, pois é assim que se sente confortável. É a equipa em Itália com o maior número de passes (6165), possuindo uma taxa de sucesso de 91.2%, a segunda mais elevada depois do Nápoles. Normalmente, é extremamente paciente no processo ofensivo.

No momento defensivo, o Bolonha opta por realizar uma pressão em zonas bem adiantadas do campo. Na sua tese, Thiago Motta faz referência a Joachim Low e à Alemanha que disputou o mundial de 2014 e o campeonato europeu de 2016. O treinador do Bolonha relembra o confronto entre Alemanha e Itália em 2016 de modo a destacar a postura da Mannschaft quando não possuía a bola. A Squadra Azzurra recuperou apenas cinco bolas no seu meio-campo ofensivo, contrastando com as 22 que a Alemanha roubou no meio-campo defensivo italiano. A equipa alemã era extremamente agressiva e pressionava muito subida no terreno, sendo esta dinâmica igualmente visível na estratégia dos Rossoblù.

Índices de agressividade e reação à perda elevados, associados a uma linha defensiva que joga subida, permitindo que o Bolonha recupere a bola perto da área adversária. Assim sendo, a equipa de Thiago Motta acaba por conceder poucas oportunidades de golo aos seus adversários.

Reação à perda e linha defensiva subida são chave na transição defensiva do Bolonha
Reação à perda e linha defensiva subida são chave na transição defensiva do Bolonha

Sonho europeu em Bolonha

O trabalho de Thiago Motta é impressionante. Aos ótimos resultados, a equipa junta exibições de encher o olho. Em Bolonha é permitido sonhar com uma qualificação para as competições europeias.

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