Força da Tática: Andaluzia, A Song of Red and Green (Episódio 2)

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Construção desde os centrais

É sempre bom ver um treinador que é fiel às suas ideias, independentemente das limitações da sua equipa. Continuam presentes alguns problemas ao nível do posicionamento corporal de certos jogadores para receber a bola, particularmente em posições recuadas (bastas consultar os golos que a equipa sofreu frente ao Athletic Club esta época). Recebendo a bola sem a proteger devidamente, permitindo ao adversário a roubar com facilidade, ou simplesmente o primeiro toque ser realizado na direção errada levando-o a perda da bola. Seja qual for a razão, Quique Setién não abdica das suas ideias.

Basta compararmos estes dois lances, o primeiro da época passada e o segundo desta época, para nos apercebermos das semelhanças.


Fonte: La Liga


Fonte: La Liga

Épocas diferentes, o mesmo objetivo de encontrar um homem livre entre as linhas média e defensiva do adversário, jogador que depois avança em direção à baliza adversária através do corredor central, destabilizando a estrutura adversária abrindo espaços para os movimentos dos colegas no lado cego do adversário, ou do médio ofensivo do lado oposto (Como no segundo caso) ou até do ala lateral (de fora para dentro, como no primeiro exemplo).

Para atingir esse objetivo, notem não só a colocação do ponta de lança, entre o central e o lateral fixando ambos adversários, mas do ala lateral constantemente a dar largura, esticando a organização adversária, permitindo a abertura da linha de passe interior, que o central explora. Paciência e esperar o momento certo, não ser precipitado, já que a equipa sabe qual é o objetivo e não se importa de circular a bola o tempo necessário para o atingir. Muitas vezes testa a paciência do adversária convidando-o a pressionar para este abrir esses espaços e o Betis ter a oportunidade de sair em combinações e tabelas curtas.


Fonte: La Liga

Jogador mediano, em esquema de dois centrais, mas excelente em esquema de três

Bartra vê as suas qualidades maximizadas de forma exponencial em um esquema de três centrais. Pegando na famosa jogada com Bale, na célebre final da Taça do Rei, é fácil perceber a razão desta minha última afirmação.

Fonte: ESPN

O central espanhol não é um jogador particularmente rápido e ágil, é algo “pesado”. Isso a juntar a sua agressividade excessiva, não só na forma como aborda os lances, mas também no capítulo da decisão, pode trazer consequências devastadoras para uma defesa de apenas dois centrais. Por outro lado, com três centrais, Bartra pode sair da sua posição para pressionar agressivamente o portador da bola, mal este a receba, sem comprometer a estrutura defensiva.

Também a nível ofensivo, Bartra é fundamental. Grande parte do jogo ofensivo Verdiblanco passa por ele, para se ter uma ideia na época passada, o central teve uma média de mais de 86 toques na bola por 90 minutos.

William e Lo Celso, vão ser duas peças muito importantes no tabuleiro de Quique Setién. Estou particularmente curioso para ver a evolução do argentino, jogador que admiro e que sigo desde que começou a dar os primeiros passos no Gigante de Arroyito.

Voltarei a falar desta bela Andaluzia, de Machín e Setién.

Foto de Capa: Real Madrid CF – Los Blancos Central

Artigo revisto por: Jorge Neves

João Mateus
João Mateushttp://www.bolanarede.pt
A probabilidade de o Robben cortar sempre para a esquerda quando vinha para dentro é a mesma de ele estar sempre a pensar em Futebol. Com grandes sonhos na bagagem, está a concluir o Mestrado em Engenharia e Gestão Industrial, pela Uni-Nova e procura partilhar a forma como vê o jogo com todos os que partilham a sua paixão.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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