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Força da Tática: Andaluzia, A Song of Red and Green (Episódio 2)

João Mateus · 4 min

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A época passada foi certamente uma das que mais alegrias deu aos adeptos do Betis. Não só pelo apuramento europeu, através do sexto lugar, mas principalmente por a equipa ter acabado a época na frente do Sevilha FC.

Ao comando dos Verdiblancos, continua Quique Setién. Um apaixonado pelo Xadrez, que assume só entender o jogo através da bola. O jogo de posse, dominando adversário através do controlo do corredor central, com a bola em permanente contacto com a relva, recusando a maltratar através do “chutão” para a frente, mesmo quando sobre pressão, são ideias sobre as quais o treinador espanhol não prescinde.

Este amor pelo futebol ofensivo, sempre a “brincar” com o risco, têm um custo. Esse cifrou-se em 61 golos sofridos na época passada, o mesmo número do Málaga que acabou o campeonato na última posição. Se olharmos para o valor nesta época, notamos uma diferença clara já que o Betis apenas sofreu quatro golos em seis jogos. Na minha opinião, isso deve-se ao tempo que Quique Setién teve para trabalhar, nesta pré-época, o sistema 3-4-2-1 que implementou em janeiro quando Bartra chegou ao Benito Villamarín. Mudança que mudou a época dos Verdiblancos, já que antes da chegada de Bartra (e da implementação do 3-4-2-1) ocupavam a 13ª posição com 44 golos sofridos em 21 jogos, ou seja, mais de dois golos sofridos por jogo.

A paixão encontrou a sua ordem

Iniciar a construção desde trás, através dos defesas e do guarda-redes, mesmo sobre pressão e independentemente do adversário, triangulações rápidas, um coletivo sem problemas em assumir o risco. Risco apresenta-se como sendo um ingrediente essencial para Setién, mas havia a necessidade de tornar a equipa mais sólida defensivamente para materializar esse futebol em resultados.

A transferência do 4-3-3 para o 3-5-2 (3-4-2-1) foi essencial para alcançar essa solidez defensiva. Principalmente pelo aumento da solidez defensiva no corredor central, com a colocação de um homem extra. Permite, como vemos em baixo, a saída de um elemento da linha defensiva para pressionar o portador da bola forçando-o a jogar para zonas laterais, sem comprometer a estabilidade do corredor central. Os dois alas laterais, garantem a cobertura dos espaços entre corredores.

Fonte: La Liga

Se compararmos esta imagem com outra, da jornada nº12 da época passada, onde o Betis ainda jogava em 4-3-3, as diferenças são notórias no que diz respeito à solidez defensiva e ocupação do corredor central.

Fonte: La Liga

Construção desde os centrais

É sempre bom ver um treinador que é fiel às suas ideias, independentemente das limitações da sua equipa. Continuam presentes alguns problemas ao nível do posicionamento corporal de certos jogadores para receber a bola, particularmente em posições recuadas (bastas consultar os golos que a equipa sofreu frente ao Athletic Club esta época). Recebendo a bola sem a proteger devidamente, permitindo ao adversário a roubar com facilidade, ou simplesmente o primeiro toque ser realizado na direção errada levando-o a perda da bola. Seja qual for a razão, Quique Setién não abdica das suas ideias.

Basta compararmos estes dois lances, o primeiro da época passada e o segundo desta época, para nos apercebermos das semelhanças.


Fonte: La Liga


Fonte: La Liga

Épocas diferentes, o mesmo objetivo de encontrar um homem livre entre as linhas média e defensiva do adversário, jogador que depois avança em direção à baliza adversária através do corredor central, destabilizando a estrutura adversária abrindo espaços para os movimentos dos colegas no lado cego do adversário, ou do médio ofensivo do lado oposto (Como no segundo caso) ou até do ala lateral (de fora para dentro, como no primeiro exemplo).

Para atingir esse objetivo, notem não só a colocação do ponta de lança, entre o central e o lateral fixando ambos adversários, mas do ala lateral constantemente a dar largura, esticando a organização adversária, permitindo a abertura da linha de passe interior, que o central explora. Paciência e esperar o momento certo, não ser precipitado, já que a equipa sabe qual é o objetivo e não se importa de circular a bola o tempo necessário para o atingir. Muitas vezes testa a paciência do adversária convidando-o a pressionar para este abrir esses espaços e o Betis ter a oportunidade de sair em combinações e tabelas curtas.


Fonte: La Liga

Jogador mediano, em esquema de dois centrais, mas excelente em esquema de três

Bartra vê as suas qualidades maximizadas de forma exponencial em um esquema de três centrais. Pegando na famosa jogada com Bale, na célebre final da Taça do Rei, é fácil perceber a razão desta minha última afirmação.

Fonte: ESPN

O central espanhol não é um jogador particularmente rápido e ágil, é algo “pesado”. Isso a juntar a sua agressividade excessiva, não só na forma como aborda os lances, mas também no capítulo da decisão, pode trazer consequências devastadoras para uma defesa de apenas dois centrais. Por outro lado, com três centrais, Bartra pode sair da sua posição para pressionar agressivamente o portador da bola, mal este a receba, sem comprometer a estrutura defensiva.

Também a nível ofensivo, Bartra é fundamental. Grande parte do jogo ofensivo Verdiblanco passa por ele, para se ter uma ideia na época passada, o central teve uma média de mais de 86 toques na bola por 90 minutos.

William e Lo Celso, vão ser duas peças muito importantes no tabuleiro de Quique Setién. Estou particularmente curioso para ver a evolução do argentino, jogador que admiro e que sigo desde que começou a dar os primeiros passos no Gigante de Arroyito.

Voltarei a falar desta bela Andaluzia, de Machín e Setién.

Foto de Capa: Real Madrid CF – Los Blancos Central

Artigo revisto por: Jorge Neves

João Mateus

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