Força da Tática: Não percebo nada disto

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O Giuseppe Meazza, completamente esgotado, foi o palco de mais um Derby della Madonnina. Um encontro que parecia destinado a acabar sem golos, tal era a falta de ideias de ambas as equipas, até que aos 90 minutos, o melhor número 9 do mundo fez explodir os milhares de nerazzurri nas bancadas.

Para quem acompanha regularmente, ou até pontualmente, este FC Internazionale de Milão de Spalletti não ficou surpreendido com a qualidade do futebol apresentado (muito baixo), mas ficará a pensar como é possível esta ser a sétima vitória consecutiva.

Equipas Iniciais

No lado do Inter, sem surpresas, Spalletti montou a equipa em 4-2-3-1. Tendo em consideração que Gagliardini, João Mário e Miranda não contam ou são opções B para o treinador, a equipa estava na máxima força.

Já Gennaro Gattuso, que deve ter ficado orgulho com a entrada de Biglia sobre Nainggolan, também não realizou alterações à forma de jogar habitual. O já clássico 4-3-3, no papel, que se organiza em 4-1-4-1 quando os adversários têm a bola.

O nível seguinte do “Derby rasgadinho”

Hoje, a grande maioria das equipas inicia, ou tenta, a construção desde trás. Agora se eu e o leitor arranjarmos mais nove amigos, também somos capazes de sair a jogar desde trás, desde que ninguém nos pressione. O AC Milan tentou, desde cedo, começar a organizar os seus ataques através dos centrais e de Donnarumma, mas assim que o adversário os pressionava, os Rossoneri rapidamente perdiam a bola.

via GIPHY Fonte: Sport TV

A pressão nerazurra era eficaz, não só por alguma incapacidade dos adversários em resistir a essa pressão e sair em tabelas e combinações curtas, mas também porque saia beneficiada pela própria estrutura 4-2-3-1 de Luciano Spalletti, permitir pressionar com 4 homens. O que frente à primeira linha do Milan, para iniciar a construção, de quatro homens obrigava-os a bater constantemente a bola na frente.

Fonte: Sport TV

Já Gattuso, esteve sempre algo reticente em pressionar o Inter com alguma agressividade, optou por manter a equipa em um bloco médio, assim não foi estranho que nos primeiros 15 minutos o conjunto de Spalletti teve a bola durante sete minutos, enquanto o Milan apenas durante três minutos e meio. Apesar desse tempo com bola, pouco ou nada de valor foi criado.

O jogo consistiu, durante os primeiros minutos, em disputas, faltas.

via GIPHY Fonte: Sport TV

A tal utopia do cruzamento

Como já abordei, em um artigo anterior, grande parte do jogo do Inter é baseado em cruzamentos. Ontem, mais uma vez, os nerazurri carregaram no momento de cruzar a bola.

Fonte: WhoScored.com

O Inter é uma formação algo rígida na forma como procura agredir o adversário, ataca quase sempre da mesma forma (Cruzamentos) e muitas vezes nota-se alguma falta de criatividade.

Agora, quem é que pode dizer a Spalletti:

“Ouça, isto de cruzar a bola é muito giro, mas é tremendamente ineficaz! E no longo prazo, se é para a equipa chegar a algum lado, é necessário construir outras dinâmicas”.

O treinador italiano, pode responder mostrando o seguinte lance:

Fonte: Sport TV via GIPHY

Verdade seja dita que nessa forma de atacar, ainda que ineficaz, o Inter é muito competente e procura fazer de tudo para maximizar e potencializar ao máximo Mauro Icardi. Vecino, Radja, Perisic/Politano, ocupam também a zona de finalização, em resposta aos cruzamentos, e aproveitam segundas bolas, cortes ineficazes para fazer golo.

Fonte: Sport TV

Vemos como também o lateral do lado oposto também se aproxima da grande área do adversário, para ganhar possíveis segundas bolas ou/e evitar o contra-ataque do adversário. Também Brozovic, que não aparece na imagem, se aproxima pelo corredor central. Tudo isto permite ao Inter ganhar muitas vezes a bola novamente, depois do adversário limpar, e manter-se no processo ofensivo.

Isto, e a saída de Radja, contribui para que fosse o Inter a ser cada vez mais, mas muito devagar, o dono do jogo. Tal era a dificuldade do Milan em sair de dentro da sua área.

Não teve a oportunidade de ver a segunda parte? Veja a primeira duas vezes e está feito.

Fonte: Serie A Tim

Basta observar o mapa de ação de ambas as equipas, na primeira e na segunda parte, para concluirmos que os segundos quarenta e cinco minutos não trouxeram nada de novo. Esperava-se, pelo menos eu, que Borja assumisse uma postura com maior risco, procurando receber a bola de Brozovic no espaço entre linhas, junto a um dos corredores para criar situações de superioridade, mas … nada.

A incapacidade, do Inter penetrar pelo corredor central, levou a equipa em circular a bola em U interminavelmente. De um lateral para o outro, de Brozovic depois pelos centrais, a bola movia-se, mas não avançava. O Milan tinha tempo de ajustar a posição do seu bloco ao deslocamento da bola.

Marcelo Brozovic, tocou na bola 123 vezes. Para se ter uma ideia da dimensão do valor, Icardi tocou na bola 15 vezes (e deu os três pontos). O croata, como qualquer outro jogador, pode tocar na bola 300 vezes, mas se as suas intervenções se resumirem a passes para os lados, dentro do seu meio campo, de nada vale à equipa.

Fonte: WhoScored.com

O problema não é de Marcelo Brozovic, mas da falta de ideias da equipa, que está apenas e só focada em cruzamentos.

Eu não percebo nada disto, mas alguém percebe?

Icardi deu os três pontos, com uma ajuda de Donnarumma, mas o Inter voltou a não jogar nada de especial. E não jogando nada de especial, leva sete vitórias consecutivas.

Um jogo destinado ao 0-0; uma equipa destinada a? Ajudem-me

Foto de Capa: FC Internazionale Milano

Artigo revisto por: Jorge Neves

 

João Mateus
João Mateushttp://www.bolanarede.pt
A probabilidade de o Robben cortar sempre para a esquerda quando vinha para dentro é a mesma de ele estar sempre a pensar em Futebol. Com grandes sonhos na bagagem, está a concluir o Mestrado em Engenharia e Gestão Industrial, pela Uni-Nova e procura partilhar a forma como vê o jogo com todos os que partilham a sua paixão.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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